domingo, 15 de abril de 2018

Melhor Atriz 1981 - É recorde histórico que você quer @?


Até a corrida de 1981, Katharine Hepburn dividia o recorde de mais Oscars por atuação com Ingrid Bergman e Walter Brennan, cada um com três estatuetas. Até hoje somente mais três atores chegaram a esse clube: Jack Nicholson em 97, Meryl Streep em 2011 e Daniel Day-Lewis em 2012. Porém, Hepburn foi lá e quebrou um recorde até hoje jamais igualado: vencer por quatro vezes um Oscar de atuação, todas na categoria de protagonista, um feito ainda mais incrível.

As queridinhas da crítica, por assim dizer, foram deixadas de lado pela total falta de força de seus filmes. Glenda Jackson venceu o circuito de New York e o National Board of Review pela sua atuação em ''Stevie''. O filme teve uma vibe ''Isadora'', de 68, em seu lançamento: Foi passado em Los Angeles em 1978, o que gerou uma indicação ao Globo de Ouro, mas foi uma exibição tão curta que ninguém mais viu. Três anos depois, o filme foi lançado em New York e conseguiu ser abraçado pela crítica, mas sem um empurrãozinho dos Globos, Jackson se viu esnobada da line-up final. Quem também foi abraçada pela crítica americana foi a nossa incrível Marília Pêra em ''Pixote, A Lei do mais Fraco'', um drama de Hector Babenco que arrebatou na época, Pêra venceu Boston e o famoso National Society, mas o filme era muito ''underground'' e não conseguiu qualquer tração para os grandes prêmios.

Entre as atrizes mais famosas, Sissy Spacek em ''Raggedy Man'' também foi esnobada mesmo sendo a atual vencedora e tendo recebido uma indicação ao Globo de Ouro. Outra ganhadora recente, Sally Field, se viu ofuscada pelo seus colegas de cena, Paul Newman e Melinda Dillon, e acabou sendo a única do filme ''Absence of Malice'' a ficar de fora na manhã das indicações ao Oscar. No lugar das duas, o Oscar preferiu ir, pela última vez, com Marsha Mason em ''Only When I Laugh''.

Em uma manhã de indicações históricas, três filmes foram indicados ao famoso ''Big Five'', que são as categorias de Filme, Diretor, Ator, Atriz e Roteiro. As três atrizes eram a veterana Katharine Hepburn (''On Golden Pond''), a também recente vencedora Diane Keaton (''Reds'') e a novata Susan Sarandon (''Atlantic City''). A última indicada, e favoritíssima ao prêmio, era ninguém menos que Meryl Streep na adaptação de ''The French's Lieutenant's Woman''.

Na noite do Oscar, mesmo estando em sua quarta indicação sem vitória, Mason apenas figurava na corrida. O mesmo ocorreu com Sarandon, ainda muito nova e fortemente ofuscada pela performance de seu colega, mais famoso, Burt Lancaster. Hepburn, assim como Sarandon, se viu em meio a uma campanha fortíssima para que seu contraparte masculino, o lendário Henry Fonda, ganhasse o seu tão sonhado Oscar. A própria filha do ator, Jane Fonda, trabalhou muito pela vitória do pai (e também de si mesma rs), mas meio que deixou Hepburn de lado visto que a mesma já tinha três Oscars em casa. Keaton era considerada um ''distante segundo lugar'' na corrida, mesmo tendo ganho menos de cinco anos antes, a performance totalmente dramática da atriz foi vista com bons olhos e a força de seu filme a posicionou bem.

Porém, Meryl Streep fazia um filme um papel muito difícil, já se estabelecia como uma das promessas da atual década e teve muito apoio da indústria, tendo vencido até o Globo de Ouro em Atriz Drama. Só que não adianta precursor porque quando o Oscar não quer seguir a maré. Ao premiar Hepburn (junto de Henry Fonda), a Academia surpreende a todos e cria um momento histórico, até hoje inalcançado.

Engraçado que logo Streep, em sua primeira indicação em Melhor Atriz, tenha perdido para Hepburn, visto que seria ela mesma a quebrar futuramente o recorde de indicações pertencentes a Katharine. O que fica a dúvida: será que um dia ela também quebra, ou ao menos empata, o recorde de vitórias? Só o tempo dirá. Até que isso ocorra, Katharine Hepburn segue soberana sustentando um recorde que já está para completar quatro décadas. Icônica. Rainha. Deusa.

Abaixo, meu ranking:

segunda-feira, 9 de abril de 2018

''A Noviça Rebelde'' (2018) - O Show de Malu Rodrigues


''A Noviça Rebelde'' é o musical de maior bilheteria (quando ajustado o valor da inflação) da história do cinema e a adaptação seguiu fielmente o trabalho original do teatro. Logo, é de se imaginar que uma obra tão presente da mente de tantas gerações seja adaptada de forma fiel e muito bem feita quando decidem fazer uma nova versão, certo? Pois é, isso não é o que acontece na nova produção que está, atualmente, no Teatro Renault.

A essência do musical mais famoso do duo Rodgers and Hammerstein é uma mistura de classe e ingenuidade que permeiam por completo sua protagonista e sua proposta sonora. No entanto, na montagem atual, feita pela famosa dupla brasileira Moeller e Botelho, o texto utiliza muito fortemente de um humor crasso que, simplesmente, não cabe ou condiz com a peça em questão. Cenas que envolvem piadas de cunho duvidoso ou ''gags'' cênicas nada interessantes são repetidamente utilizadas em ambos os atos da peça gerando risadas fáceis sem se lembrar do nível do material que envolve ''Noviça Rebelde''.

O design de set é um erro em sua maior parte. Não existe qualquer tipo de pompa na composição cênica. A casa tão imponente dos Von Trapp é reduzida a uma escada, um pequeno sofá e projeções. As projeções, aliás, são muito bem utilizadas nas cenas do convento. Infelizmente, não temos tantas cenas lá e o palco do Teatro Renault se vê, mais do que merecia, completamente vazio pela maior parte da peça.


Como nem tudo são erros, preciso exaltar que as traduções das canções. Todas estão bem adequadas ao estilo original, assim como bem direcionadas ao público brasileiro. E isso me leva ao ponto pelo qual essa montagem vale a visita: Malu Rodrigues. A atriz, tão nova ainda, pega um personagem tão difícil, mas o faz com muita destreza. Maria precisa ser ingênua, mas nunca boba, ela é vivida, alegre e muito perspicaz. Além disso, para viver Maria a atriz precisa ter um carisma suficiente para ter a plateia sempre com ela, além de uma belíssima voz. Tudo isso é encontrado no trabalho de Malu, ela canta e encanta, basicamente, desde o começo. E toda vez que ela precisa contracenar com as crianças, seu talento fica ainda mais evidente, o que acaba rendendo os melhores e mais genuínos momentos da produção.

Do resto do elenco adulto, existe um mix de sentimentos. Alessandra Verney e Gottsha estão excelentes em seus papéis de Baronesa e Madre Superiora, respectivamente. Gottsha, aliás, tem o grande número musical da produção ao deixar todos boquiabertos quando canta a versão de ''Climb Ev'ry Mountain'' durante a finalização do primeiro ato. Gabriel Braga Nunes, no entanto, não canta nada e ainda tem uma atuação nada interessante. É uma composição sem qualquer inspiração, quase que um resumo de tudo que vi do ator, que me leva a perguntar o que Maria viu no Capitão para fazê-la se apaixonar.


O elenco infantil é mais equivalente. Todas as crianças Von Trapp são bem carismáticas, cantam bem em coro e acabam ganhando pela presença e carisma, incluindo a tão falada Larissa Manoela. A jovem estrela adolescente canta bem e consegue captar, mesmo que não completamente, a essência de Liesl. Tanto que em seu dueto com Diego Montez, o Rolf, ela o ofusca por completo. E dele só consigo lembrar da desafinada clara no meio da canção.

Deixei para falar de Marcelo Serrado como Tio Max separadamente porque ele é, ao meu ver, a essência do erro básico dessa montagem. E não, não estou criticando a atuação do mesmo que é bem em sintonia com o que está no palco. Porém, por mais que consiga risadas fáceis do público, Serrado e seu personagem mais parecem ter saído de uma esquete de Zorra Total do que de um musical clássico dos anos 50. Isso nunca soa como um erro do ator, mas totalmente da concepção dos diretores da peça.  Uma pena, ele e todos nós que pagamos tão caro por essas revisitações de obras tão canônicas, merecíamos muito mais.

sábado, 7 de abril de 2018

Melhor Atriz 1968 - Duas Rainhas para uma Coroa


Uma das corridas mais famosas da categoria do Oscar é a de 1968, o único ano que Melhor Atriz resultou em um empate... totalmente inesperado. A vitória divida entre a estreante Barbra Streisand e a, então, atual vencedora Katharine Hepburn é um marco por ser um dos poucos empates registrados em toda a história da Academia. E toda a história por trás dessa corrida é uma delícia, vamos relembrar?

A favorita inicial da corrida era Joanne Woodward em um papel nada convencional no primeiro filme dirigido por Paul Newman, seu marido e um dos maiores astros da história de Hollywood. ''Rachel, Rachel'' pegou muitos de surpresa por ser tão bom, algo que não era costume de atores que se tornavam diretores. Woodward foi uma das duas queridinhas da crítica no ano, vencendo o circuito de ''New York'' e ''Kansas'', além de ser segundo lugar no ''National Society''. Coroando seu status de favorita, a atriz ganhou também o ''Globo de Ouro'' de Melhor Atriz em Drama. Ao mesmo tempo a novata Streisand se via em uma enorme crescente. Seu filme, ''Funny Girl'', era um dos grandes hits do ano, ela estava refazendo o papel que a fez famosa na Broadway e já estava se tornando uma grande cantora para além dos palcos. A corrida estava traçada entre as duas.

Porém, o twist: ''Rachel, Rachel'', mesmo vencendo Melhor Diretor no Globo de Ouro, foi esnobado na categoria no Oscar. Foi O bafo da temporada e Woodward não ficou calada, ela deu várias declarações que ficou abalada e achava injusto o marido ter sido deixado de fora. Essas declarações foram cruciais para que sua campanha fosse prejudicada. Enquanto isso, ''The Lion in Winter'' acabou sendo um dos grandes indicados daquela noite, com a performance dos dois protagonistas elevados aos céus. O mesmo aconteceu com ''Funny Girl''.

Outro baque nas indicações foi a esnobada de Mia Farrow por ''O Bebê de Rosemary''. O filme, mesmo de gênero, prometia uma indicação certa a atriz, mas em uma jogada de estúdio muito crucial, Vanessa Redgrave acabou entrando por ''Isadora''. O filme de Redgrave quase não era elegível pra o ano, passou apenas em Los Angeles e no fim de dezembro, mas com muito marketing incisivo nas pessoas certas, a atriz acabou abocanhando a indicação de Farrow. Só para reiterar como, basicamente, ninguém viu o filme, ''Isadora'' foi elegível e indicado em vários prêmios da crítica em 1969 porque só foi lançado em Nova York e outras cidades no ano seguinte.

A outra indicada da noite foi Patricia Neal, mas sua indicação não era tão surpresa assim. A atriz, vencedora uns anos antes, era uma verdadeira vitoriosa. Neal teve um aneurisma e ficou um mês em coma, tempo suficiente para ela ter que precisar reaprender a falar e andar. Sua indicação por ''The Subject was Roses'' foi vista com grande bravura e ela até deve ter levado uns votos por simpatia.

No dia da cerimônia, Streisand era a favorita, mas muitos ainda acreditavam que a performance dramática de Woodward venceria. Porém, quando Ingrid Bergman abriu aquele envelope...


E ao anunciar a vitória de Streisand e Hepburn, um momento épico foi cravado na história da Academia. Uma pena que Hepburn não estava ali, uma foto das duas seria absurdamente icônico. O que muito se fala sobre esse empate é o fato de que Streisand se tornou votante naquele mesmo ano devido a arranjos internos, mesmo sem ter feito nada no cinema até então. Caso ela não tivesse feito isso, provavelmente o Oscar seria só de Hepburn. Mas o mundo é dos espertos, né mores?


Até hoje é difícil saber porque Hepburn venceu naquela noite, afinal ela tinha acabado de ganhar e não tinha ''buzz'' algum, mas como hoje ''Leão'' é uma de suas performances mais lembradas e aclamadas, pode ser que os votantes tenham pensado um pouco a frente do seu tempo, né verdade?

Abaixo, meu ranking de uma seleção que foi realmente sensacional, sem ninguém abaixo da média:

segunda-feira, 2 de abril de 2018

''Peter Pan - O Musical'' : A Terra do Nunca é bem ali!


''Peter Pan'', famoso personagem criado por J. M. Barrie, está vivo na imaginação popular muito fortemente por causa da animação da Disney dos anos 50. O que muitos não sabem é que sua versão para os palcos, em formato de musical, saiu um ano após o filme e não possui qualquer ligação criativa ou financeira com o filme da produtora do Mickey Mouse. Com música de Mark Charlap e letras de Carolyn Leigh, o musical foi um grande sucesso na Broadway e, comprado pela NBC, se tornou o primeiro a ser passado na televisão americana, em cores!

Em 2018, uma nova versão chega ao Brasil no Teatro Alfa trazendo toda a magia e dinâmica dos trabalhos americanos em uma produção bem acertada que serve como um ótimo entretenimento para toda a família. ''Peter Pan'', em sua essência, é um musical com um foco claramente infantil, e a direção de José Possi Neto não foge disso em momento algum. Porém, o diretor saber preencher o palco, manter atenção e criar momentos suficientes para valer a noite (ou a tarde) no teatro.



Apoiado por um design de cena muito colorido e engajado no aspecto lúdico para fisgar a imaginação infantil, o musical está sempre em movimento mesmo durando quase 90 minutos somente no primeiro ato, tempo que não senti pesar em momento algum na narrativa da peça. Nem tudo nas escolhas estéticas são flores, a utilização do crocodilo soa não efetiva e os cabos segurando os atores estão bem expostos, por exemplo, mas as projeções da Terra do Nunca e a entrada do barco do Capitão Gancho mostram uma sábia escolha visual pelos olhos do diretor em conjunto com seu time técnico. A cena de entrada do segundo ato (''Uga-Uga'') é o auge da peça, durante quase 10 minutos a tribo dos Meninos Perdidos e os Índios fazem um número de dança que é de tirar o folego e aplaudir de pé, totalmente sensacional e que me deixou assim quando o elenco terminou:


A trilha original, convenhamos, não é super memorável, mas a adaptação das letras (por Luciano Andrey e Bianca Tadini, quem também faz a Wendy) são bem fiéis e capazes de entreter, ao menos durante a peça, o público com rimas gostosas de ouvir. Aliás, falando em ouvir, embora tenha um comando de palco muito forte, ao simular uma voz cartunesca, fica difícil entender tudo que sai da boca de Daniel Boaventura. O ator é um excelente Gancho até mesmo quando resolve sair do personagem e brincar, diretamente, com a plateia, mas nem sempre conseguimos entender todas as palavras que ele canta, não que isso realmente afete seu produto final para mim.



O elenco todo é muito interessante, mas é preciso destacar o trabalho que o jovem Mateus Ribeiro, de apenas 24 anos, faz durante toda a peça. Ele canta, dança, pula, gira e encanta toda a plateia com um papel que sempre foi de uma mulher nas produções mundo afora. Porém, não dá para reclamar do que o ator faz aqui, ele se mostra um verdadeiro acrobata em cena com um charme absurdo e carisma para dar e vender. É o tipo de performance que cativa o suficiente para que você queira saber mais sobre o ator, e se nesse ritmo ele seguir, terá uma belíssima carreira pela frente.

Por fim, mesmo com umas, pequenas, decisões que fazem você levantar a sobrancelha, essa versão do musical é um exemplo claro que, mesmo sem querer, qualquer um pode voltar a ser criança um dia, é só liberar um pouco a mente e aproveitar essa jornada para a encantada Terra do Nunca.



sábado, 31 de março de 2018

Melhor Atriz 1967 - Um Luto feito de Ouro


Em 1967 parecia que a corrida tinha um caminho certo: a vitória de Dame Edith Evans. A senhora britânica, indicada duas vezes na mesma década em coadjuvante, virou a sensação da crítica por sua performance em ''The Whisperers''. Evans começou a jornada pela vitória com o prêmio de Melhor Atriz em Berlim, lá pelo meio do ano. A atriz venceu os mais importantes prêmios da crítica até então (New York e o National Board Review) e foi uma segunda colocada muito próxima de Bibi Andersson em ''Persona'' no também prestigioso ''National Society''. No Globo de Ouro e no, não tão importante (naquela época), BAFTA também tivemos Evans se sagrando vencedora.

Porém, na noite do Oscar a atriz, até então a mais velha indicada na categoria, viu sua vitória voar para as mãos de ninguém menos que Katharine Hepburn. A pergunta é, porque? Bem, infelizmente, o filme de Evans era menos ''comercial'' do que o esperado, fazendo com que ela fosse a única indicação do mesmo. Dessa forma, sem qualquer suporte de mais ''branchs'' da Academia, a britânica acabou sucumbida pelos pontos fortes que favoreciam a vencedora da noite.

Para os que não sabem, Hepburn e Spencer Tracy formaram, mesmo que informalmente, um dos casais mais famosos da história de Hollywood. Os dois fizeram quase 10 filmes juntos e ''Adivinhe Quem Vem para o Jantar'', o filme que indicou ambos naquele ano, foi justamente o último. Tracy morreu apenas duas semanas após a finalização das filmagens e, quando lançado, o filme acabou gerando um grande furor por isso. Não só ''Jantar'' tratava sobre um tema tão tópico de sua época (casamento inter-racial), mas Tracy era uma das figuras mais amadas da indústria. Um exemplo disso, é que ele é um dos dois únicos atores a vencer Oscars seguidos (o outro é Tom Hanks), e até por isso, os votos de ''simpatia'' não foram para ele, visto que não era como se existisse alguma divida para com o ator.

Porém, a oportunidade de premiar sua grande amada em um filme tão abraçado pela Academia no último projeto deles juntos (que Hepburn afirmou jamais ter sido capaz de assistir) e 34 anos após a única vitória de uma das maiores atrizes vivas? Foi uma saída muito fácil, sentimental - e errada, mas é bem o que deve ter ocorrido naquela fatídica corrida.

As demais indicadas não tinham qualquer chance: Anne Bancroft por ''The Graduate'' deve ter um dos personagens mais icônicos do cinema, mas tinha vencido pouco tempo antes e houve muitos burburinhos que nem protagonista ela era. Audrey Hepburn por ''Wait Until Dark'' também não teve apoio na recepção de seu filme e alguns achavam que ela deveria ter sido indicada por ''Two for the Road'', uma comédia também lançada em 1967. E Faye Dunaway por ''Bonnie and Clyde'' foi um belíssimo quinto lugar visto que era basicamente seu primeiro ano na indústria e o filme, hoje um clássico, foi bem controverso na época.

Dentre as esnobadas, foi bem comentado o fato de que Julie Andrews ficou de fora por sua performance em Thoroughly Modern Millie. Um filme que fez muito dinheiro, recebeu muitas indicações ao Oscar e ocorreu poucos anos após Andrews fazer a dobradinha ''Mary Poppins'' e ''The Sound of Music''. Porém, até pela idade de Andrews, a Academia preferiu brecá-la de uma nova indicação tão rapidamente.

Abaixo, meu ranking:

segunda-feira, 26 de março de 2018

Melhor Atriz 1932/33 - Katharine Hepburn strike #1


Katharine. Hepburn. Um dos nomes mais poderosos de toda a história de Hollywood. Para muitos, a maior de todas. Fato é: ela era muito respeitada e amada pela indústria. o ''American Film Institute'' elegeu ela a grande estrela de Hollywood (a frente de Bette Davis, Audrey Hepburn e Greta Garbo, por exemplo) e, até hoje, ela é a única pessoa a ter um momento separado no ''In Memoriam'' do Oscar.

Outro fato que associam rapidamente a Hepburn, e é o que me leva a fazer esse post, é que ela é a única pessoa a ter quatro, eu disse q u a t r o, Oscars na categoria de atuação. Segundo a língua ferina de Bette Davis, ela tem três e meio (pois seu terceiro veio no único empate da categoria), já os fãs mais ferrenhos dizem que ela tem cinco (citando a primeira vitória de Blanchett unicamente por ela fazer Hepburn em '' O Aviador''). Meryl Streep pode até vencer um quarto um dia, mas ela sempre terá um em coadjuvante, Hepburn venceu todos como protagonista.

A atriz, que não acreditava em prêmios e/ou, especialmente, em competição de atores nunca compareceu ao Oscar, mesmo que muitos relatos afirmem que ela ficava com o ouvidinho ligado pelo rádio/tv durante a cerimônia. E o mais irônico: ela nunca foi favorita, todas as suas quatro conquistas foram consideradas ''upsets'' de um certo modo. Sua primeira vitória veio logo nos primórdios da premiação e foi a última vez que o Oscar teve sua elegibilidade fora do esquema rotineiro de 01/01 até 31/12. Como vocês podem imaginar, na época não tinham prêmios prévios. Houveram duas indicadas além de Hepburn, May Robson (''Lady for a Day'') e Diana Wynyard (''Cavalcade'').

Wynyard estava no ganhador de Melhor Filme, mas ela entrou justamente por isso, pela força do mesmo, mas jamais teve chance. A grande favorita era May Robson, já uma veterana, obtendo o grande papel de sua vida em ''Lady for a Day'', mas a primeira ''character actress'' de Hollywood acabou na derrota. E ai você me pergunta, e como Hepburn ganhou?

Embora, ''Morning Glory'' não tenha sido indicado em Filme ou Direção, como os projetos de suas concorrentes, e Katharine estava apenas seu terceiro filme, ela tinha alguns pontos a seu favor:

- Hepburn estrelou também ''Little Women'' (e muitos acham que ela deveria ter sido indicada por esse trabalho, inclusive a própria) naquele ano, um filme de muito sucesso de crítica e bilheteria;

- ela interpretava uma atriz em ''Morning Glory'', e a gente sabe que a indústria ama esse tipo de ''metalinguagem'';

- e o ponto mais importante: a presença/atuação de Hepburn era algo ''novo'' na indústria. A forma como ela estava em crescente pela perspectiva que ela trazia aos personagens transformaram ela, muito rapidamente, em uma estrela. E tudo isso junto deve ter resultado numa vitória nada esperada para uma atriz tão jovem.

Abaixo, meu ranking e duas atuações de atrizes também icônicas que foram esquecidas no churrasco:

terça-feira, 20 de março de 2018

Melhor Atriz 1950 - Quando Davi matou dois Golias


Na foto acima temos a vencedora do Oscar de 1950 e, também, Gloria Swanson. Pois é, essa é uma das corridas mais badaladas de Melhor Atriz na história do Oscar. Até hoje, essa vitória de Judy Holliday gera discussão, controversa e muita deliberação em como uma novata bateu duas lendas do cinema em seus grandes momentos na telona. Por isso, como décima corrida no meu projeto de Melhor Atriz, resolvi analisar esse fatídico ano. Vamos ver como essa corrida aconteceu e quem realmente mereceu?


O ano é 1950, dois dos maiores e mais importantes filmes de toda a história de Hollywood, A Malvada e Crepúsculo dos Deuses, são lançados e totalmente aclamados. Ambos são meio metalinguísticos, um mais do que outro, mas ainda assim se refletem. Bette Davis, então já considerada a maior atriz da história do cinema, se vê ''ressuscitada'' no papel de Margo Channing. Gloria Swanson, uma das primeiras lendas da indústria, reaparece em tela, quase 10 anos após seu último filme, como Norma Desmond.

Quem vai vencer? Ou melhor, quem premiar? Uma vitória de Swanson seria milenar, uma de Davis seria histórica. Davis tinha vencido Cannes e foi sagrada Melhor Atriz pela crítica de Nova York, até então um grande parâmetro. Swanson é a escolha do National Board of Review e vence o Globo de Ouro de Melhor Atriz em Drama. ''A Malvada'' bate o recorde de ''E O Vento Levou'' e recebe 14 indicações ao Oscar, até hoje é o único filme a indicar 4 mulheres em atuação, mas ''Crepúsculo dos Deuses'' está logo atrás com 11 chances de vencer o Oscar, tendo indicações em todas as categorias de atuação. Porém, um twist: Anne Baxter, parceira de tela de Davis, junto do estúdio tenta campanhar como protagonista, sendo que em coadjuvante seria uma vitória certa. Baxter já tinha um Oscar de coadjuvante, ela não queria outro. Ela também é indicada, assim como Judy Holliday por ''Nascida Ontem'' e Eleanor Parker em ''A Margem da Vida''.

Mesmo com ''A Malvada'' sendo altamente louvado e favorito na noite do Oscar, Davis deve não só ter dividido votos com Baxter (mesmo sendo difícil acreditar), mas ela também bateu diretamente de frente com Swanson pelos votos mais ''apaixonados'' pelo status de ambas. Tá, mas porque logo premiar Judy Holliday? Bom, 4 das indicadas estão em dramas, 1 delas está em uma comédia. É provável que ser a única em uma performance totalmente diferente, e reflexo da Hollywood que se firmaria naquela época, tenha sido a cereja no bolo para a vitória de Holliday, apoiada - claro - na divisão de votos de Swanson/Davis. E sem esquecer que ''Nascida Ontem'' fez muito dinheiro, estava indicado em Melhor Filme e era dirigido pelo grande diretor de atores de todos os tempos: George Cukor.

E porque não consagrar Swanson em um papel tão absurdamente icônico? Acredite, já na época começou um burburinho que muitos votantes do Oscar achavam ''Crepúsculo dos Deuses'' um dedo muito pesado na ferida de Hollywood e se recusaram a ir por Swanson. Sim, a Academia sendo sempre a Academia. No dia da cerimônia, Swanson e Holliday estavam juntas em Nova York numa festa de José Ferrer (foto acima) e Swanson teve que ver uma novata ganhando ao invés dela (fotos abaixo). Poor, Norma!

Swanson aguarda sua categoria

Swanson ao lado de Judy Holliday e José Ferrer, os 2 iriam ganhar os Oscars da noite.

Gloria Swanson é o grupo no dia do Oscar. Rainha!

Abaixo, meu ranking pessoal da excelente seleção dessa categoria: