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sexta-feira, 10 de janeiro de 2020

Musicais na Década 10's


Poucas coisas me animam mais que um bom musical e essa década teve excelentes exemplares do gênero. Para fazer a seleção decidir escolher musicais que foram montados pela primeira vez em algum país, focando na Broadway - já que quase todos os musicais de língua inglesa acaba indo parar lá.

Porém, o Brasil teve um aumento na produção cultural nessa década e o gênero se beneficiou fortemente disso, logo também tem adições nacionais na lista. Dentre os musicais que acabaram não entrando no top 20, mas eu adoro estão Once, Priscilla, Queen of Desert e Groundhog Day, mas tem outros também excelentes que em uma lista maior, com certeza entrariam.

segunda-feira, 6 de janeiro de 2020

Teatro 2019: Favoritos!

Não houve ano anterior em minha vida que eu fui tanto ao teatro. Foram mais de 78 espetáculos diferentes e mais de 85 idas a grande casa dos atores. Mais uma vez tentei ver de tudo, de monólogo independente até musical com 50 atores em produção milionária. E sem delongas, mas mais sucinto a partir de agora, aqui estão meus favoritos do ano.

#15
(As Crianças, Peça)

É melhor mesmo ficar velho?

domingo, 9 de junho de 2019

Previsões do Tony Awards 2019!


O Tony Awards acontece hoje (09) e mais uma vez irei tentar prever quem vence, assim como os possíveis ''upsets'' nas categorias premiadas. Essa temporada da Broadway foi marcada pela quantidade absurda de peças, entre produções novas e revivals, foram mais de 20 produções. Enquanto isso, entre os musicais foram apenas 13 produções que abriram, sendo apenas duas delas revivals (o que quase extingue a categoria esse ano) e um deles sendo King Kong. 

A temporada nos trouxe 3 ''jukebox'' de artistas como Cher, The Temptations e The Go Go's, 3 adaptações de filmes muito populares (''Pretty Woman'', ''Tootsie'' e ''Beetlejuice'') e 3 projetos ''originais'': ''Hadestown'' trazendo o mito de Hades, ''Be More Chill'' e todo um rolê sci-fi e ''The Prom'' sobre um aspecto LGBT+ pouco visto na atualidade. Dentre as peças, a esnobada de ''To Kill a Mockingbird'', sendo que a mesma foi a maior peça do ano em bilheteria, deve ter sido uma das maiores esnobadas da história da premiação, mas vamos ver quem vence em cada uma das categorias? Aqui estão meus palpites:

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2019

Teatro em 2018: O que vi e o que preferi!


Esse último ano foi completamente indescritível no que se refere a viver experiências no teatro. Consegui assistir de pequenas produções de peças brasileiras até os maiores musicais da Broadway. E por ter tido todo esse mistura na minha lista, resolvi fazer um top 20 dos melhores, mas calma que detalhar mesmo só irei fazer do top 10.

Segue o ranking:

segunda-feira, 9 de abril de 2018

''A Noviça Rebelde'' (2018) - O Show de Malu Rodrigues


''A Noviça Rebelde'' é o musical de maior bilheteria (quando ajustado o valor da inflação) da história do cinema e a adaptação seguiu fielmente o trabalho original do teatro. Logo, é de se imaginar que uma obra tão presente da mente de tantas gerações seja adaptada de forma fiel e muito bem feita quando decidem fazer uma nova versão, certo? Pois é, isso não é o que acontece na nova produção que está, atualmente, no Teatro Renault.

A essência do musical mais famoso do duo Rodgers and Hammerstein é uma mistura de classe e ingenuidade que permeiam por completo sua protagonista e sua proposta sonora. No entanto, na montagem atual, feita pela famosa dupla brasileira Moeller e Botelho, o texto utiliza muito fortemente de um humor crasso que, simplesmente, não cabe ou condiz com a peça em questão. Cenas que envolvem piadas de cunho duvidoso ou ''gags'' cênicas nada interessantes são repetidamente utilizadas em ambos os atos da peça gerando risadas fáceis sem se lembrar do nível do material que envolve ''Noviça Rebelde''.

O design de set é um erro em sua maior parte. Não existe qualquer tipo de pompa na composição cênica. A casa tão imponente dos Von Trapp é reduzida a uma escada, um pequeno sofá e projeções. As projeções, aliás, são muito bem utilizadas nas cenas do convento. Infelizmente, não temos tantas cenas lá e o palco do Teatro Renault se vê, mais do que merecia, completamente vazio pela maior parte da peça.


Como nem tudo são erros, preciso exaltar que as traduções das canções. Todas estão bem adequadas ao estilo original, assim como bem direcionadas ao público brasileiro. E isso me leva ao ponto pelo qual essa montagem vale a visita: Malu Rodrigues. A atriz, tão nova ainda, pega um personagem tão difícil, mas o faz com muita destreza. Maria precisa ser ingênua, mas nunca boba, ela é vivida, alegre e muito perspicaz. Além disso, para viver Maria a atriz precisa ter um carisma suficiente para ter a plateia sempre com ela, além de uma belíssima voz. Tudo isso é encontrado no trabalho de Malu, ela canta e encanta, basicamente, desde o começo. E toda vez que ela precisa contracenar com as crianças, seu talento fica ainda mais evidente, o que acaba rendendo os melhores e mais genuínos momentos da produção.

Do resto do elenco adulto, existe um mix de sentimentos. Alessandra Verney e Gottsha estão excelentes em seus papéis de Baronesa e Madre Superiora, respectivamente. Gottsha, aliás, tem o grande número musical da produção ao deixar todos boquiabertos quando canta a versão de ''Climb Ev'ry Mountain'' durante a finalização do primeiro ato. Gabriel Braga Nunes, no entanto, não canta nada e ainda tem uma atuação nada interessante. É uma composição sem qualquer inspiração, quase que um resumo de tudo que vi do ator, que me leva a perguntar o que Maria viu no Capitão para fazê-la se apaixonar.


O elenco infantil é mais equivalente. Todas as crianças Von Trapp são bem carismáticas, cantam bem em coro e acabam ganhando pela presença e carisma, incluindo a tão falada Larissa Manoela. A jovem estrela adolescente canta bem e consegue captar, mesmo que não completamente, a essência de Liesl. Tanto que em seu dueto com Diego Montez, o Rolf, ela o ofusca por completo. E dele só consigo lembrar da desafinada clara no meio da canção.

Deixei para falar de Marcelo Serrado como Tio Max separadamente porque ele é, ao meu ver, a essência do erro básico dessa montagem. E não, não estou criticando a atuação do mesmo que é bem em sintonia com o que está no palco. Porém, por mais que consiga risadas fáceis do público, Serrado e seu personagem mais parecem ter saído de uma esquete de Zorra Total do que de um musical clássico dos anos 50. Isso nunca soa como um erro do ator, mas totalmente da concepção dos diretores da peça.  Uma pena, ele e todos nós que pagamos tão caro por essas revisitações de obras tão canônicas, merecíamos muito mais.

segunda-feira, 2 de abril de 2018

''Peter Pan - O Musical'' : A Terra do Nunca é bem ali!


''Peter Pan'', famoso personagem criado por J. M. Barrie, está vivo na imaginação popular muito fortemente por causa da animação da Disney dos anos 50. O que muitos não sabem é que sua versão para os palcos, em formato de musical, saiu um ano após o filme e não possui qualquer ligação criativa ou financeira com o filme da produtora do Mickey Mouse. Com música de Mark Charlap e letras de Carolyn Leigh, o musical foi um grande sucesso na Broadway e, comprado pela NBC, se tornou o primeiro a ser passado na televisão americana, em cores!

Em 2018, uma nova versão chega ao Brasil no Teatro Alfa trazendo toda a magia e dinâmica dos trabalhos americanos em uma produção bem acertada que serve como um ótimo entretenimento para toda a família. ''Peter Pan'', em sua essência, é um musical com um foco claramente infantil, e a direção de José Possi Neto não foge disso em momento algum. Porém, o diretor saber preencher o palco, manter atenção e criar momentos suficientes para valer a noite (ou a tarde) no teatro.



Apoiado por um design de cena muito colorido e engajado no aspecto lúdico para fisgar a imaginação infantil, o musical está sempre em movimento mesmo durando quase 90 minutos somente no primeiro ato, tempo que não senti pesar em momento algum na narrativa da peça. Nem tudo nas escolhas estéticas são flores, a utilização do crocodilo soa não efetiva e os cabos segurando os atores estão bem expostos, por exemplo, mas as projeções da Terra do Nunca e a entrada do barco do Capitão Gancho mostram uma sábia escolha visual pelos olhos do diretor em conjunto com seu time técnico. A cena de entrada do segundo ato (''Uga-Uga'') é o auge da peça, durante quase 10 minutos a tribo dos Meninos Perdidos e os Índios fazem um número de dança que é de tirar o folego e aplaudir de pé, totalmente sensacional e que me deixou assim quando o elenco terminou:


A trilha original, convenhamos, não é super memorável, mas a adaptação das letras (por Luciano Andrey e Bianca Tadini, quem também faz a Wendy) são bem fiéis e capazes de entreter, ao menos durante a peça, o público com rimas gostosas de ouvir. Aliás, falando em ouvir, embora tenha um comando de palco muito forte, ao simular uma voz cartunesca, fica difícil entender tudo que sai da boca de Daniel Boaventura. O ator é um excelente Gancho até mesmo quando resolve sair do personagem e brincar, diretamente, com a plateia, mas nem sempre conseguimos entender todas as palavras que ele canta, não que isso realmente afete seu produto final para mim.



O elenco todo é muito interessante, mas é preciso destacar o trabalho que o jovem Mateus Ribeiro, de apenas 24 anos, faz durante toda a peça. Ele canta, dança, pula, gira e encanta toda a plateia com um papel que sempre foi de uma mulher nas produções mundo afora. Porém, não dá para reclamar do que o ator faz aqui, ele se mostra um verdadeiro acrobata em cena com um charme absurdo e carisma para dar e vender. É o tipo de performance que cativa o suficiente para que você queira saber mais sobre o ator, e se nesse ritmo ele seguir, terá uma belíssima carreira pela frente.

Por fim, mesmo com umas, pequenas, decisões que fazem você levantar a sobrancelha, essa versão do musical é um exemplo claro que, mesmo sem querer, qualquer um pode voltar a ser criança um dia, é só liberar um pouco a mente e aproveitar essa jornada para a encantada Terra do Nunca.



sexta-feira, 29 de dezembro de 2017

Uma noite no Teatro (2017)


Quem me conhece sabe que eu sempre tive um misto de ser relapso com falta de produções que realmente me chamassem atenção no âmbito do teatro, felizmente isso mudou significantemente no ano de 2017 e consegui ver um total de 17 produções dentre nacionais, internacionais, drama, comédia, musical, monólogos e assim vai. Foi uma experiência muito incrível que me abriu ainda mais os olhos para um tipo de arte que vem se tornando cada vez menos, infelizmente, difundida entre as pessoas. Se tem um objetivo que eu quero levar pra 2018 é justamente ver ainda mais produções teatrais dos mais variados tipos, pois, ao apagar das luzes de um teatro, um novo mundo surge perante os seus olhos e a sensação... ela é indescritível. Tendo isso em mente, esse é meu top 5 de experiências teatrais do ano:


5. Harry Potter and the Cursed Child (Peça, Original, 2016, Londres)

Qualquer pessoa que tenha lido o texto erroneamente lançado como ''livro'' da peça sabe que existem muitas decisões erradas na trama, que incluem um twist difícil de engolir e a utilização de viagem no tempo como mote principal da mesma, mas essas mesmas pessoas leram esse livro porque, de alguma forma, elas tem alguma conexão com o mundo de Harry Potter e poder ver isso no palco é algo que puxa toda a sua infância/adolescência da melhor forma. Poder ver num futuro não tão distante não só Harry, Rony e Hermione, mas seus filhos em mais uma aventura no mundo bruxo me fisgou tão rapidamente quanto eu odiei quando li o ''livro''. É uma experiência visual muito bem trabalhada cheia de ''easter eggs'' e onde você sente o preço, nada barato, pago para poder ver a produção. O que acaba sendo engraçado é que os grandes momentos da peça, assim como da saga, são os que sempre envolvem dois ou três personagens sem grandes piruetas por trás, apenas exercendo essa coisa linda de amor e amizade tão pregada pelo mundo mágico que foi o que nos cativou lá no primeiro livro, e nisso, o elenco é formado por pessoas maravilhosas onde cada ator encaixa como uma luva em seus personagens (amém Anthony Boyle) e faz tudo isso vir a tona da forma mais mágica possível.



4. Avelha (Peça, Original, 2017, Maceió)

O que dá na cabeça de um ator em se prestar a ficar sozinho em um palco durante um tempo enorme contando uma história sem ajuda de mais ninguém? Era sempre o que me vinha a mente quando alguém falava em um ''monólogo'', mas ao assistir a atriz Ivana Iza em cena nessa simples, mas intensa história sobre vida, memória e afeto, tive certeza que não só é algo muito corajoso, mas essencial para a experiência do artista, e também da plateia. Em pouco mais de sessenta minutos, o público é deixado convivendo com alguém que fala com samambaias e é fissurada em brigadeiros, ou na dúvida se come eles, e é tempo mais que suficiente para repensarmos um pouco do que achamos sobre a velhice, ou pior, o que esperamos da mesma para nós, e tudo aquilo que deixamos para trás até então.


3. Tom na Fazenda (Peça, Primeira montagem brasileira, 2017, Rio de Janeiro)

Tendo visto o filme dirigido por Xavier Dolan uns anos antes, eu achava que não seria capaz de me surpreender com essa adaptação da peça canadense de Michael Marc Bouchard, mas que engano eu cometi. A montagem, intimista e forte, tem como cenário apenas algumas lonas e baldes, mas é o suficiente para te tragar em uma história que envolve dor, raiva, romance e um terror no ponto certo para você terminar a sessão aplaudindo de pé com a maior felicidade do mundo. O texto é de um primor absurdo, mas o teatro é a casa do ator e os 3 atores que ficam mais em cena, existe uma quarta atriz, mas ela fica pouco tempo no palco mesmo sendo ótima, estão nada menos que viscerais em seus papéis, entregues de corpo, um corpo muito sujo, diga-se, e alma, e eles exalam a alma em cada novo momento apresentado no palco. Porém, não destacar o trabalho de Kelzy Ecard como a mãe do jovem morto seria um erro crucial visto que sua presença é daquelas coisas inenarráveis, sempre indo a fundo na dor e mágoa que circula a todos nesse momento tão triste que é a morte, e as memórias que levamos, de um ente querido.


2. Dreamgirls (Musical, Original, 2016, Londres)

Não existe gênero em arte que me chame mais atenção que o musical, pode ser na telona, na telinha ou no palco, a capacidade de conseguir desenvolver tramas, personagens, enfim, de contar uma história através de músicas, algo tão universal, é algo que eu sempre irei venerar e, quando possível, conferir. Imagina o quão imensurável foi o prazer de ver como primeiro musical no teatro uma produção luxuosa do nível dessa primeira montagem de Dreamgirls em Londres? Pois é, não tem como por em palavras, mas vou tentar o meu melhor. A direção do Casey Nicholaw (The Book of Mormon, Aladdin) é primorosa, mas de grande proporção, cada luz no lugar certo, cada cabelo e roupa cheia de paetê revivendo aquela era de décadas atrás, não tem o que se criticar em valores de produção aqui. O musical tem um ritmo incrível, ele nunca cessa em emoções e nada disso seria possível sem a presença aterradora de Amber Riley. Quem conhece essa mulher de Glee, jamais seria capaz de esperar o que ela entrega como Effie White em nível de atuação, comicidade e canto... como ela canta! A sua rendição de ''And I Am Telling You'' fecha o primeiro ato do musical e, literalmente, trás o teatro abaixo, é assustador, poderoso e, totalmente, emocionante, assim como a produção em si.


1. Angels in America (Peça, Remontagem, 2017, Londres)

Se eu tinha qualquer dúvida que sorte é algo existente, depois de ter marcado a viagem para Londres e terem anunciado que uma remontagem da peça que mais amo em toda a vida estaria em cartaz exatamente na mesma época, eu não tenho mais nenhum resquício de que em momentos da vida a sorte é uma cartada real. E além de sorte, eu senti muita gratidão. Gratidão por poder presenciar por quase 8 horas em um dia o texto que é a própria definição de obra-prima teatral liderada por atores com A maiúsculo e uma direção tão brilhante que ofendia tamanha a genialidade. ''Angels in America'' é um dos textos definitivos do teatro americano moderno, provavelmente o mais importante das últimas 3 ou 4 décadas e pelo assunto (gays, anos 80, AIDS, Reagan) e tempo de duração (são duas partes de quase 4 horas cada) é difícil de ser reproduzida nos dias de hoje, tanto que é a primeira remontagem em mais de 20 anos após a estreia da produção original. A direção da incrível Marianne Eliott entrega cada momento pulsante da peça do lendário Tony Kushner como um soco no nosso estômago e nesse longo, mas no fim das contas curto, tempo que passamos com Prior, Louis, Harper e os demais personagens, vemos um momento tão crucial da vida da comunidade LGBTQ+ e como isso afeta a mesma até hoje, é incrivelmente poderoso e cada luz neon empregada no palco tem uma força muito singular para ajudar a contar aquela história. E falando nisso, o que dizer de um elenco que tem Nathan Lane e ele não é o melhor em cena? Não se enganem, Lane está não menos que excelente, mas é Denise Gough e Andrew Garfield que roubam o show, dilaceram seu coração e te deixam sem palavras ao fim de seus momentos na peça. Garfield, em especial, foi a grande atuação teatral que vi no ano, redefinindo totalmente o Prior que conhecemos e habitando o personagem do inicio ao fim. Aliás, não é a grande atuação que vi no ano, é uma das grandes atuações da vida. E isso se equivale a produção da peça como um todo, que marcou meu último dia em Londres, peguei meu trem com o coração apertado, pensativo e sabendo que tinha vivido não só uma noite, mas um dia todo, totalmente inesquecível nesse ambiente tão único que é o teatro.