Mostrando postagens com marcador Katharine Hepburn. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Katharine Hepburn. Mostrar todas as postagens

sábado, 1 de maio de 2021

Melhor Atriz 1962 - O Milagre de Anne Bancroft


Eu tinha colocado na minha mente que anos falados em exaustão não seriam minha prioridade nessa corrida. E não existe ano mais falado que esse, certo? Afinal, até em minissérie do Ryan Murphy ele foi comentado. Porém, graças a um amigo que chegou nesse fatídico ano, e também porque é bom falar do que é popular, acabei por realizar a análise do ano.

1962 foi o ano que Tarkovsky lançou seu primeiro filme, o Brasil venceu sua única ''Palma de Ouro'' com O Pagador de Promessas, e a maior lenda de Hollywood morreu: Marilyn Monroe. Naquela época, os precursores se dividam, basicamente, entre o New York Film Critics Circle, o National Board of Review e, claro, o Globo de Ouro. Devido a uma greve da mídia impressa, New York não anunciou vencedores naquele ciclo. Com ''Doce Pássaro da Juventude'' lançado em Março de '62 e o Oscar daquele ano só acontecendo em abril, a corrida de Melhor Atriz começou bem cedo, antes mesmo da cerimônia que premiaria os filmes do ano anterior acontecer.

Geraldine Page, indicada naquele cerimônia por ''Summer and Smoke'', era uma atriz chegando aos 40 anos, mas com apenas dois filmes no currículo, ambos lhe renderam indicações ao Oscar. No mês de Junho, há o lançamento de ''The Music Man'', onde Shirley Jones tem um papel substancial, que explode na bilheteria e se torna um dos três maiores lançamentos do ano. No começo do segundo semestre temos o lançamento de ''The Miracle Worker'', o veículo catapultou Anne Bancroft e Patty Duke as graças da crítica, que as laurearam como as grandes atuações do ano até então.


Como sempre, a grande maioria dos filmes do Oscar eram guardados para o fim do ano. Ai no trimestre final, saíram os filmes de Katharine Hepburn (''Long Day's Journey Into Night'', vencedor de Melhor Atriz em Cannes), Shelley Winters (''The Chapman Report'')Melina Mercouri (''Phaedra'', seu filme posterior ao hit ''Never on Sunday''), Bette Davis/Joan Crawford (''What Ever Happened to Baby Jane?''), Rosalind Russell (''Gypsy'') e Lee Remick (''Days of Wine and Roses''). O National Board of Review foi com Anne Bancroft, que também ganhou todos os outros (poucos) prêmios distribuidos no ano.

Naquela época, o Globo de Ouro indicava, até, dez pessoas em uma categoria. E mesmo assim, Joan Crawford foi esnobada. As vencedoras? Geraldine Page (em Drama, que venceu também por ''Summer and Smoke'') e Rosalind Russell (em Comédia/Musical). No dia das nomeações, essas eram as esperadas a entrar na lista:

- Geraldine Page, se o Globo não costumava acertar a vencedora, a premiada era ao menos indicada;
- Rosalind Russell, ''Gypsy'' acabou se tornando um dos hits do começo de '63 e, na época, o fato dela não cantar nada não veio a público; 
- Anne Bancroft, a mais aclamada performance do ano em um filme mais próximo do que a Academia gostava; 
- Bette Davis e/ou Joan Crawford, pelo sucesso do filme e a narrativa de ''comeback'' de ambas;
- Lee Remick, em uma atuação muito elogiada, assim como seu par, Jack Lemmon;
- Shirley Jones, também em um dos grandes hits do ano e, claro, vencedora recente da Academia.

Page, Bancroft, Davis e Remick entraram, junto de Katharine Hepburn, que foi a única indicação de seu filme. ''Gypsy'' e ''The Music Man'' acabaram fracassando nas categorias principais. E porque não Joan Crawford? Dado que quatro das cinco indicadas eram mulher em estão de não-sobriedade, eu presumo que a performance da mesma foi ofuscada pela expansividade de Davis em cena.

Anne Bancroft recebe o Oscar das mãos de Joan Crawford após uma performance de ''Mãe Coragem''

A gente sabe que Bette Davis muito tentou emplacar a narrativa de ''retorno a forma'', o sucesso do filme e tudo mais para se tornar a primeira mulher com três Oscars. Porém, Miracle, mesmo sem ser um grande hit de bilheteria, emplacou nas categorias nobres como Direção e Roteiro, coisa que nenhum dos outros filmes das indicadas chegou nem perto, ouso até dizer que foi o #6 daquela seleção de Melhor Filme. Bancroft também tinha em seu favor uma personagem absurdamente carismática, uma performance fisicamente muito difícil e, acima de tudo, o etarismo da Academia. 

Se hoje a gente está no quarto ano seguido com atrizes acima dos 40/50 vencendo a categoria, naquela época era muito raro alguém acima dos 30 e pouco ganhar. Na verdade, só Marie Dressler (uma lenda do cinema mudo) e Shirley Booth (em uma performance arrasa quarteirão) tinham conseguido o feito. Davis tinha 55, Bancroft tinha 31. Não deu outra, mesmo sem fazer campanha e sem um grande sucesso de bilheteria, Anne se sagrou vencedora e viria a receber mais quatro indicações em sua carreira. Para Davis, foi seu último grande momento. Sobre a ''suposta'' sujeirada de Crawford para impedir a vitória de Bette? Isso eu deixo para vocês assistirem ''Feud'' e tirarem suas próprias conclusões se aconteceu ou não. 

Abaixo, meu ranking das indicadas:


5º Lugar: Lee Remick, Days of Wine and Roses (''Vício Maldito'')

Embora ameace ser uma quase coadjuvante em seu longa, não dá para tirar de Lee Remick a força que ela consegue imprimir em sua atuação, sem nunca ceder a ficar nas sombras de Jack Lemmon. Interpretar uma pessoa alcoolizada não é tarefa fácil, pode sair algo caricatural muito facilmente (Vejam ‘’A Tara Maldita’’ para perceberem), e criar verdade em diálogos tão potentes como o que Lee faz na reta final de seu filme é ainda mais complicado. 

Sua personagem tem fases e nuances, e a atriz está sempre entregando isso com maestria. Tanto que em sua última cena, o espectador tende a torcer muito por ela, dado os vínculos criados até então. Seu último lugar é mais pelo nível da concorrência do que qualquer outra coisa.


4º Lugar: Geraldine Page, Sweet Bird of Youth (''Doce Pássaro da Juventude'') 

Apenas um ano antes, em ‘’Summer and Smoke’’, Geraldine Page fazia uma mulher bastante retraída e introvertida. Aqui, Alexandra Del Lago é totalmente o oposto, é grande, altiva e tem uma língua ferrenha. Ambas personagens são da mente de Tennessee Williams, e as duas são defendidas com fervor por Page. Em ‘’Pássaro’’, Geraldine entrega algo que foge da persona que ela entregou ao longo dos anos na telona (e na telinha). Cada momento de Page em cena é chamativo, ela não precisa levantar o tom, cada palavra é utilizada de forma muito efetivo. E toda vez que ela está em cena com Paul Newman, é um prazer tremendo assistir.

E as suas últimas cenas, em especial a que ela coloca Chance em ‘’seu devido lugar’’, mostram a compreensão dessa loba, não ainda abatida, que habita dentro de Alexandra,, tudo isso expressado através da genialidade de Page. Um 4º lugar de muito respeito.

P.S.: Muita gente não sabe, mas Page também concorreu ao Tony Award por esse papel, e perdeu também para Bancroft fazendo The Miracle Worker.


3º Lugar: Anne Bancroft, The Miracle Worker (''O Milagre de Anne Sullivan'')

O que Bancroft ganha muito nessa seleção é que, sem dúvidas, a sua personagem é que mais se conecta ao público. Ela consegue combinar sua rigidez enquanto uma professora severa com um sentimento verdadeiro de querer uma mudança para a vida dessa menina, que está em uma situação tão difícil, e o sentimento transparece em ambas as situações. É muito real a forma como Bancroft consegue confrontar aquela situação tão complicada, a medida que questiona seus próprios medos e limitações. 

Os olhares para a jovem Hellen Keller são sempre pertinentes, e quando Sullivan consegue progredir em seu ensino, a gente vibra com ela. É uma atuação que precisa de muito mais carisma e ‘’star quality’’ do que, normalmente, citam. Fora, claro, a fisicalidade precisa para realizar diversas cenas ali. Tudo isso, Anne Bancroft tem para dar e vender. Se sua vitória é tão falada por ter derrotado o auge de duas gigantes do cinema, não existe qualquer demérito em sua atuação se avaliada de forma isolada. Pelo contrário, teria sido irretocável em dezenas de outras ocasiões.


2º Lugar: Bette Davis, What Ever Happened to Baby Jane? (''O Que Terá Acontecido A Baby Jane?'')

Tendo visto que coloquei Davis em ‘’A Malvada’’ também em #2 na seleção de 1950, vocês devem achar que odeio Bette Davis. Ledo engano, assim como naquele ano, esse #2 aqui é, basicamente, um 1º lugar. Não é possível assistir ‘’Baby Jane’’ sem ficar embasbacado pela complexidade que Davis entrega a personagem. É uma atuação que reside totalmente no ''over the top'', no extremo, é 100% caricata e, ainda assim, totalmente crível. 

É como se víssemos o psicológico de  Jane transferido para o corpo de Davis. E ainda assim, são nos momentos ‘’menores’’, como as vezes que Jane está sozinha e relembra seus momentos de glória, que Bette entrega as partes mais inspirados de sua performance. Você não aceita as ações de Jane para com Blanche, mas você entende o que a levou até ali. É uma feição, um olhar machucado e solitário. E não existe local mais triste para se viver do que nessas emoções. 

Bette Davis é uma lenda, e ‘’Baby Jane’’ é a prova disso.


1º Lugar: Katharine Hepburn, Long Day Journey’s Into Night (''Longa Jornada Noite Adentro'')

Seria impossível não ter Hepburn no topo da lista, o que ela faz com Mary Tyrone durante todo o longa de Lumet é, para mim, de um brilhantismo intocável. De cara, você percebe o estado quase catatônico que Mary vive. E mesmo assim, a cada novo retorno da câmera a seu rosto, ela consegue ser uma presença imponente. Durante as muitas horas de duração, você embarca numa montanha russa de emoções junto da atriz, que disseca todos os problemas que essa mulher enfrentou e, ainda, enfrenta em sua vida tão conturbada. 

O rosto de Hepburn é uma moldura, uma entrada para as questões de Mary, é o semblante do efeito das drogas na personagem. É quase em estado de transe da atriz, que vai levando o espectador a algo hipnótico ali. Hepburn fica em cena por muito tempo, quando ela sai (por um bom tempo), você sente a sua falta. Só que, obviamente, há um ‘’grand finale’’. Daqueles que poucas atrizes tiveram, e você não tem dúvida alguma do poder cênico de Katharine para com aquela personagem durante toda essa jornada. Brava!

Porém, existem duas atuações daquele ano que mereciam entrar, são elas:


Harriet Andersson, Såsom i en spegel (''Através de um Espelho'')

Só para não falar que estou muito fora da caixinha, ''Espelho'' venceu Filme Internacional e foi indicado em Roteiro. Óbvio que naquela época era muito difícil uma indicação por língua não-inglesa, mas Loren tinha acabado de vencer.

Dizer que Andersson é uma excelente atriz é chover no molhado, todas da trupe de Bergman eram. Porém, em ''Espelho'', ela emula uma fragilidade mental como poucas vezes eu vi no cinema. Existe uma situação de medo, desespero e claustrofobia criado a partir da ambientação e roteiro do Bergman, mas nada disso se sustentaria se não fosse as feições de Harriet em cena. É muito marcante como ela entrega essas sensações de forma quase crua, é grande sem precisar ser. É um excelente registro de atuação não tão recorrente na época, mas que muitos tentam até hoje se igualar.


Melina Mercouri, Phaedra (''Profanação'')

Uns dois anos antes, Melina fez história ao ser o primeiro ator indicado por um filme internacional em uma performance não de língua inglesa. Esse filme era ''Nunca aos Domingos'', de seu marido Jules Dassin. ''Phaedra'' é o primeiro filme após esse grande hit, uma adaptação moderna da tragédia grega de ''Hipólito''. Na época, ela chegou a ter indicações ao Globo de Ouro e ao BAFTA, mas o filme não foi bem aceito como um todo e acabou ficando por aí. Considero injusto, visto que sua atuação é um deleite.

Existe uma mudança drástica no tom de tragédia para puro melodrama, mas Melina é magnética em cena, fica muito claro que a câmera de Dassin a ama, e ela tira muito proveito disso. Ela emana presença em cena, com um poder derivado de sua personagem. Mas não demora para Mercouri se permitir cair e sofrer. E ela faz isso de forma grande, sem receio, é muito gostoso de ver. Sua Fedra nunca diminui a postura, mesmo sofrendo, a altivez da personagem é traduzida por Melina. E isso vai até o fim, em uma atuação marcante o suficiente para poder ter chegado ao Oscar.

quinta-feira, 19 de abril de 2018

Melhor Atriz 1940 - Adivinha quem dançou conforme a música?


Após terminar a corrida dos 4 Oscars de Katharine Hepburn, decidi que meu próximo passo nessa maratona seria avaliar as ganhadoras que não receberam mais nenhuma indicação ao Oscar além de suas vitórias na categoria principal. Três delas eu já fiz anteriormente, foram elas: Judy Holliday (50), Halle Berry (01') e Brie Larson (14). Faltam algumas, não revelarei quantas, mas saibam que são poucas, mas quase todas em corridas bem marcantes. Começo então com a vitória da rainha dos musicais: Ginger Rogers.

A corrida de 1940 é uma das mais badaladas com relação a ''injustiça''. Acho que todas as pessoas que escavarem um pouco a história do Oscar sempre vão se pegar na corrida que ''Rebecca'' venceu Melhor Filme, mas seu diretor (Alfred Hitchcock) e sua protagonista (Joan Fontaine) saíram sem nada. E porquê a derrota de Fontaine foi surpresa? E porque ela ocorreu? Bem, veremos...

Joan Fontaine é tudo que a categoria mais ama e preza: ela era uma atriz jovem, na época foi uma das se não a mais jovem a concorrer em Melhor Atriz, em um filme sensação com um estrelado totalmente esperando por ela. ''Rebecca'' foi o grande sucesso do ano, tanto de bilheteria quanto de crítica. Fontaine era a irmã mais nova de uma atriz já com um nome estabelecido em Hollywood, Olivia de Havilland, mas ainda tinha poucos créditos em atuação em seu favor. Então, imagine só o frisson que sua atuação causou em um filme tão emblemático para a época.

A vitória de Ginger Rogers soa um pouco como uma incógnita. Porém, não é tão assim, né verdade? Rogers já tinha mais de uma década em Hollywood, responsável por revolucionar o gênero musical ao lado de Fred Astaire e era muito popular. Ela entraria em uma década de maior sucesso ainda nos anos 40 e em ''Kitty Foyle'' ela faz algo que rende muitos louros a qualquer ator: ''play against the type''. Ou seja, uma atriz tão comumente associada com musicais fazendo um drama babado? Oscar nela! O filme por si fez um sucesso bom na bilheteria, estava indicado em outras categorias fortes como Melhor Filme e Diretor e até o vestido da protagonista virou uma sensação na ''cultura pop'' americana. Juntando todos esses aspectos, não é tão difícil de entender porque Miss Rogers venceu aquela estatueta.

As demais indicadas eram ninguém menos que Bette Davis e Katharine Hepburn em duas de suas performances mais aclamadas em ''The Letter'' e ''The Philadelphia Story'', respectivamente, mas ambas eram vencedoras ''recentes'' e pouquíssimas chances tiveram. E também Martha Scott por ''Our Town''.

Abaixo, meu ranking:

domingo, 15 de abril de 2018

Melhor Atriz 1981 - É recorde histórico que você quer @?


Até a corrida de 1981, Katharine Hepburn dividia o recorde de mais Oscars por atuação com Ingrid Bergman e Walter Brennan, cada um com três estatuetas. Até hoje somente mais três atores chegaram a esse clube: Jack Nicholson em 97, Meryl Streep em 2011 e Daniel Day-Lewis em 2012. Porém, Hepburn foi lá e quebrou um recorde até hoje jamais igualado: vencer por quatro vezes um Oscar de atuação, todas na categoria de protagonista, um feito ainda mais incrível.

As queridinhas da crítica, por assim dizer, foram deixadas de lado pela total falta de força de seus filmes. Glenda Jackson venceu o circuito de New York e o National Board of Review pela sua atuação em ''Stevie''. O filme teve uma vibe ''Isadora'', de 68, em seu lançamento: Foi passado em Los Angeles em 1978, o que gerou uma indicação ao Globo de Ouro, mas foi uma exibição tão curta que ninguém mais viu. Três anos depois, o filme foi lançado em New York e conseguiu ser abraçado pela crítica, mas sem um empurrãozinho dos Globos, Jackson se viu esnobada da line-up final. Quem também foi abraçada pela crítica americana foi a nossa incrível Marília Pêra em ''Pixote, A Lei do mais Fraco'', um drama de Hector Babenco que arrebatou na época, Pêra venceu Boston e o famoso National Society, mas o filme era muito ''underground'' e não conseguiu qualquer tração para os grandes prêmios.

Entre as atrizes mais famosas, Sissy Spacek em ''Raggedy Man'' também foi esnobada mesmo sendo a atual vencedora e tendo recebido uma indicação ao Globo de Ouro. Outra ganhadora recente, Sally Field, se viu ofuscada pelo seus colegas de cena, Paul Newman e Melinda Dillon, e acabou sendo a única do filme ''Absence of Malice'' a ficar de fora na manhã das indicações ao Oscar. No lugar das duas, o Oscar preferiu ir, pela última vez, com Marsha Mason em ''Only When I Laugh''.

Em uma manhã de indicações históricas, três filmes foram indicados ao famoso ''Big Five'', que são as categorias de Filme, Diretor, Ator, Atriz e Roteiro. As três atrizes eram a veterana Katharine Hepburn (''On Golden Pond''), a também recente vencedora Diane Keaton (''Reds'') e a novata Susan Sarandon (''Atlantic City''). A última indicada, e favoritíssima ao prêmio, era ninguém menos que Meryl Streep na adaptação de ''The French's Lieutenant's Woman''.

Na noite do Oscar, mesmo estando em sua quarta indicação sem vitória, Mason apenas figurava na corrida. O mesmo ocorreu com Sarandon, ainda muito nova e fortemente ofuscada pela performance de seu colega, mais famoso, Burt Lancaster. Hepburn, assim como Sarandon, se viu em meio a uma campanha fortíssima para que seu contraparte masculino, o lendário Henry Fonda, ganhasse o seu tão sonhado Oscar. A própria filha do ator, Jane Fonda, trabalhou muito pela vitória do pai (e também de si mesma rs), mas meio que deixou Hepburn de lado visto que a mesma já tinha três Oscars em casa. Keaton era considerada um ''distante segundo lugar'' na corrida, mesmo tendo ganho menos de cinco anos antes, a performance totalmente dramática da atriz foi vista com bons olhos e a força de seu filme a posicionou bem.

Porém, Meryl Streep fazia um filme um papel muito difícil, já se estabelecia como uma das promessas da atual década e teve muito apoio da indústria, tendo vencido até o Globo de Ouro em Atriz Drama. Só que não adianta precursor porque quando o Oscar não quer seguir a maré. Ao premiar Hepburn (junto de Henry Fonda), a Academia surpreende a todos e cria um momento histórico, até hoje inalcançado.

Engraçado que logo Streep, em sua primeira indicação em Melhor Atriz, tenha perdido para Hepburn, visto que seria ela mesma a quebrar futuramente o recorde de indicações pertencentes a Katharine. O que fica a dúvida: será que um dia ela também quebra, ou ao menos empata, o recorde de vitórias? Só o tempo dirá. Até que isso ocorra, Katharine Hepburn segue soberana sustentando um recorde que já está para completar quatro décadas. Icônica. Rainha. Deusa.

Abaixo, meu ranking:

sábado, 7 de abril de 2018

Melhor Atriz 1968 - Duas Rainhas para uma Coroa


Uma das corridas mais famosas da categoria do Oscar é a de 1968, o único ano que Melhor Atriz resultou em um empate... totalmente inesperado. A vitória divida entre a estreante Barbra Streisand e a, então, atual vencedora Katharine Hepburn é um marco por ser um dos poucos empates registrados em toda a história da Academia. E toda a história por trás dessa corrida é uma delícia, vamos relembrar?

A favorita inicial da corrida era Joanne Woodward em um papel nada convencional no primeiro filme dirigido por Paul Newman, seu marido e um dos maiores astros da história de Hollywood. ''Rachel, Rachel'' pegou muitos de surpresa por ser tão bom, algo que não era costume de atores que se tornavam diretores. Woodward foi uma das duas queridinhas da crítica no ano, vencendo o circuito de ''New York'' e ''Kansas'', além de ser segundo lugar no ''National Society''. Coroando seu status de favorita, a atriz ganhou também o ''Globo de Ouro'' de Melhor Atriz em Drama. Ao mesmo tempo a novata Streisand se via em uma enorme crescente. Seu filme, ''Funny Girl'', era um dos grandes hits do ano, ela estava refazendo o papel que a fez famosa na Broadway e já estava se tornando uma grande cantora para além dos palcos. A corrida estava traçada entre as duas.

Porém, o twist: ''Rachel, Rachel'', mesmo vencendo Melhor Diretor no Globo de Ouro, foi esnobado na categoria no Oscar. Foi O bafo da temporada e Woodward não ficou calada, ela deu várias declarações que ficou abalada e achava injusto o marido ter sido deixado de fora. Essas declarações foram cruciais para que sua campanha fosse prejudicada. Enquanto isso, ''The Lion in Winter'' acabou sendo um dos grandes indicados daquela noite, com a performance dos dois protagonistas elevados aos céus. O mesmo aconteceu com ''Funny Girl''.

Outro baque nas indicações foi a esnobada de Mia Farrow por ''O Bebê de Rosemary''. O filme, mesmo de gênero, prometia uma indicação certa a atriz, mas em uma jogada de estúdio muito crucial, Vanessa Redgrave acabou entrando por ''Isadora''. O filme de Redgrave quase não era elegível pra o ano, passou apenas em Los Angeles e no fim de dezembro, mas com muito marketing incisivo nas pessoas certas, a atriz acabou abocanhando a indicação de Farrow. Só para reiterar como, basicamente, ninguém viu o filme, ''Isadora'' foi elegível e indicado em vários prêmios da crítica em 1969 porque só foi lançado em Nova York e outras cidades no ano seguinte.

A outra indicada da noite foi Patricia Neal, mas sua indicação não era tão surpresa assim. A atriz, vencedora uns anos antes, era uma verdadeira vitoriosa. Neal teve um aneurisma e ficou um mês em coma, tempo suficiente para ela ter que precisar reaprender a falar e andar. Sua indicação por ''The Subject was Roses'' foi vista com grande bravura e ela até deve ter levado uns votos por simpatia.

No dia da cerimônia, Streisand era a favorita, mas muitos ainda acreditavam que a performance dramática de Woodward venceria. Porém, quando Ingrid Bergman abriu aquele envelope...


E ao anunciar a vitória de Streisand e Hepburn, um momento épico foi cravado na história da Academia. Uma pena que Hepburn não estava ali, uma foto das duas seria absurdamente icônico. O que muito se fala sobre esse empate é o fato de que Streisand se tornou votante naquele mesmo ano devido a arranjos internos, mesmo sem ter feito nada no cinema até então. Caso ela não tivesse feito isso, provavelmente o Oscar seria só de Hepburn. Mas o mundo é dos espertos, né mores?


Até hoje é difícil saber porque Hepburn venceu naquela noite, afinal ela tinha acabado de ganhar e não tinha ''buzz'' algum, mas como hoje ''Leão'' é uma de suas performances mais lembradas e aclamadas, pode ser que os votantes tenham pensado um pouco a frente do seu tempo, né verdade?

Abaixo, meu ranking de uma seleção que foi realmente sensacional, sem ninguém abaixo da média:

sábado, 31 de março de 2018

Melhor Atriz 1967 - Um Luto feito de Ouro


Em 1967 parecia que a corrida tinha um caminho certo: a vitória de Dame Edith Evans. A senhora britânica, indicada duas vezes na mesma década em coadjuvante, virou a sensação da crítica por sua performance em ''The Whisperers''. Evans começou a jornada pela vitória com o prêmio de Melhor Atriz em Berlim, lá pelo meio do ano. A atriz venceu os mais importantes prêmios da crítica até então (New York e o National Board Review) e foi uma segunda colocada muito próxima de Bibi Andersson em ''Persona'' no também prestigioso ''National Society''. No Globo de Ouro e no, não tão importante (naquela época), BAFTA também tivemos Evans se sagrando vencedora.

Porém, na noite do Oscar a atriz, até então a mais velha indicada na categoria, viu sua vitória voar para as mãos de ninguém menos que Katharine Hepburn. A pergunta é, porque? Bem, infelizmente, o filme de Evans era menos ''comercial'' do que o esperado, fazendo com que ela fosse a única indicação do mesmo. Dessa forma, sem qualquer suporte de mais ''branchs'' da Academia, a britânica acabou sucumbida pelos pontos fortes que favoreciam a vencedora da noite.

Para os que não sabem, Hepburn e Spencer Tracy formaram, mesmo que informalmente, um dos casais mais famosos da história de Hollywood. Os dois fizeram quase 10 filmes juntos e ''Adivinhe Quem Vem para o Jantar'', o filme que indicou ambos naquele ano, foi justamente o último. Tracy morreu apenas duas semanas após a finalização das filmagens e, quando lançado, o filme acabou gerando um grande furor por isso. Não só ''Jantar'' tratava sobre um tema tão tópico de sua época (casamento inter-racial), mas Tracy era uma das figuras mais amadas da indústria. Um exemplo disso, é que ele é um dos dois únicos atores a vencer Oscars seguidos (o outro é Tom Hanks), e até por isso, os votos de ''simpatia'' não foram para ele, visto que não era como se existisse alguma divida para com o ator.

Porém, a oportunidade de premiar sua grande amada em um filme tão abraçado pela Academia no último projeto deles juntos (que Hepburn afirmou jamais ter sido capaz de assistir) e 34 anos após a única vitória de uma das maiores atrizes vivas? Foi uma saída muito fácil, sentimental - e errada, mas é bem o que deve ter ocorrido naquela fatídica corrida.

As demais indicadas não tinham qualquer chance: Anne Bancroft por ''The Graduate'' deve ter um dos personagens mais icônicos do cinema, mas tinha vencido pouco tempo antes e houve muitos burburinhos que nem protagonista ela era. Audrey Hepburn por ''Wait Until Dark'' também não teve apoio na recepção de seu filme e alguns achavam que ela deveria ter sido indicada por ''Two for the Road'', uma comédia também lançada em 1967. E Faye Dunaway por ''Bonnie and Clyde'' foi um belíssimo quinto lugar visto que era basicamente seu primeiro ano na indústria e o filme, hoje um clássico, foi bem controverso na época.

Dentre as esnobadas, foi bem comentado o fato de que Julie Andrews ficou de fora por sua performance em Thoroughly Modern Millie. Um filme que fez muito dinheiro, recebeu muitas indicações ao Oscar e ocorreu poucos anos após Andrews fazer a dobradinha ''Mary Poppins'' e ''The Sound of Music''. Porém, até pela idade de Andrews, a Academia preferiu brecá-la de uma nova indicação tão rapidamente.

Abaixo, meu ranking:

segunda-feira, 26 de março de 2018

Melhor Atriz 1932/33 - Katharine Hepburn strike #1


Katharine. Hepburn. Um dos nomes mais poderosos de toda a história de Hollywood. Para muitos, a maior de todas. Fato é: ela era muito respeitada e amada pela indústria. o ''American Film Institute'' elegeu ela a grande estrela de Hollywood (a frente de Bette Davis, Audrey Hepburn e Greta Garbo, por exemplo) e, até hoje, ela é a única pessoa a ter um momento separado no ''In Memoriam'' do Oscar.

Outro fato que associam rapidamente a Hepburn, e é o que me leva a fazer esse post, é que ela é a única pessoa a ter quatro, eu disse q u a t r o, Oscars na categoria de atuação. Segundo a língua ferina de Bette Davis, ela tem três e meio (pois seu terceiro veio no único empate da categoria), já os fãs mais ferrenhos dizem que ela tem cinco (citando a primeira vitória de Blanchett unicamente por ela fazer Hepburn em '' O Aviador''). Meryl Streep pode até vencer um quarto um dia, mas ela sempre terá um em coadjuvante, Hepburn venceu todos como protagonista.

A atriz, que não acreditava em prêmios e/ou, especialmente, em competição de atores nunca compareceu ao Oscar, mesmo que muitos relatos afirmem que ela ficava com o ouvidinho ligado pelo rádio/tv durante a cerimônia. E o mais irônico: ela nunca foi favorita, todas as suas quatro conquistas foram consideradas ''upsets'' de um certo modo. Sua primeira vitória veio logo nos primórdios da premiação e foi a última vez que o Oscar teve sua elegibilidade fora do esquema rotineiro de 01/01 até 31/12. Como vocês podem imaginar, na época não tinham prêmios prévios. Houveram duas indicadas além de Hepburn, May Robson (''Lady for a Day'') e Diana Wynyard (''Cavalcade'').

Wynyard estava no ganhador de Melhor Filme, mas ela entrou justamente por isso, pela força do mesmo, mas jamais teve chance. A grande favorita era May Robson, já uma veterana, obtendo o grande papel de sua vida em ''Lady for a Day'', mas a primeira ''character actress'' de Hollywood acabou na derrota. E ai você me pergunta, e como Hepburn ganhou?

Embora, ''Morning Glory'' não tenha sido indicado em Filme ou Direção, como os projetos de suas concorrentes, e Katharine estava apenas seu terceiro filme, ela tinha alguns pontos a seu favor:

- Hepburn estrelou também ''Little Women'' (e muitos acham que ela deveria ter sido indicada por esse trabalho, inclusive a própria) naquele ano, um filme de muito sucesso de crítica e bilheteria;

- ela interpretava uma atriz em ''Morning Glory'', e a gente sabe que a indústria ama esse tipo de ''metalinguagem'';

- e o ponto mais importante: a presença/atuação de Hepburn era algo ''novo'' na indústria. A forma como ela estava em crescente pela perspectiva que ela trazia aos personagens transformaram ela, muito rapidamente, em uma estrela. E tudo isso junto deve ter resultado numa vitória nada esperada para uma atriz tão jovem.

Abaixo, meu ranking e duas atuações de atrizes também icônicas que foram esquecidas no churrasco: