Uma das corridas mais famosas da categoria do Oscar é a de 1968, o único ano que Melhor Atriz resultou em um empate... totalmente inesperado. A vitória divida entre a estreante Barbra Streisand e a, então, atual vencedora Katharine Hepburn é um marco por ser um dos poucos empates registrados em toda a história da Academia. E toda a história por trás dessa corrida é uma delícia, vamos relembrar?
A favorita inicial da corrida era Joanne Woodward em um papel nada convencional no primeiro filme dirigido por Paul Newman, seu marido e um dos maiores astros da história de Hollywood. ''Rachel, Rachel'' pegou muitos de surpresa por ser tão bom, algo que não era costume de atores que se tornavam diretores. Woodward foi uma das duas queridinhas da crítica no ano, vencendo o circuito de ''New York'' e ''Kansas'', além de ser segundo lugar no ''National Society''. Coroando seu status de favorita, a atriz ganhou também o ''Globo de Ouro'' de Melhor Atriz em Drama. Ao mesmo tempo a novata Streisand se via em uma enorme crescente. Seu filme, ''Funny Girl'', era um dos grandes hits do ano, ela estava refazendo o papel que a fez famosa na Broadway e já estava se tornando uma grande cantora para além dos palcos. A corrida estava traçada entre as duas.
Porém, o twist: ''Rachel, Rachel'', mesmo vencendo Melhor Diretor no Globo de Ouro, foi esnobado na categoria no Oscar. Foi O bafo da temporada e Woodward não ficou calada, ela deu várias declarações que ficou abalada e achava injusto o marido ter sido deixado de fora. Essas declarações foram cruciais para que sua campanha fosse prejudicada. Enquanto isso, ''The Lion in Winter'' acabou sendo um dos grandes indicados daquela noite, com a performance dos dois protagonistas elevados aos céus. O mesmo aconteceu com ''Funny Girl''.
Outro baque nas indicações foi a esnobada de Mia Farrow por ''O Bebê de Rosemary''. O filme, mesmo de gênero, prometia uma indicação certa a atriz, mas em uma jogada de estúdio muito crucial, Vanessa Redgrave acabou entrando por ''Isadora''. O filme de Redgrave quase não era elegível pra o ano, passou apenas em Los Angeles e no fim de dezembro, mas com muito marketing incisivo nas pessoas certas, a atriz acabou abocanhando a indicação de Farrow. Só para reiterar como, basicamente, ninguém viu o filme, ''Isadora'' foi elegível e indicado em vários prêmios da crítica em 1969 porque só foi lançado em Nova York e outras cidades no ano seguinte.
A outra indicada da noite foi Patricia Neal, mas sua indicação não era tão surpresa assim. A atriz, vencedora uns anos antes, era uma verdadeira vitoriosa. Neal teve um aneurisma e ficou um mês em coma, tempo suficiente para ela ter que precisar reaprender a falar e andar. Sua indicação por ''The Subject was Roses'' foi vista com grande bravura e ela até deve ter levado uns votos por simpatia.
No dia da cerimônia, Streisand era a favorita, mas muitos ainda acreditavam que a performance dramática de Woodward venceria. Porém, quando Ingrid Bergman abriu aquele envelope...
E ao anunciar a vitória de Streisand e Hepburn, um momento épico foi cravado na história da Academia. Uma pena que Hepburn não estava ali, uma foto das duas seria absurdamente icônico. O que muito se fala sobre esse empate é o fato de que Streisand se tornou votante naquele mesmo ano devido a arranjos internos, mesmo sem ter feito nada no cinema até então. Caso ela não tivesse feito isso, provavelmente o Oscar seria só de Hepburn. Mas o mundo é dos espertos, né mores?
Até hoje é difícil saber porque Hepburn venceu naquela noite, afinal ela tinha acabado de ganhar e não tinha ''buzz'' algum, mas como hoje ''Leão'' é uma de suas performances mais lembradas e aclamadas, pode ser que os votantes tenham pensado um pouco a frente do seu tempo, né verdade?
Abaixo, meu ranking de uma seleção que foi realmente sensacional, sem ninguém abaixo da média:


