sábado, 23 de junho de 2018

Melhor Atriz 2003 - A Bela e a Fera (e o Oscar!)


A vitória de Charlize Theron em ''Monster'' se tornou um consenso em vários círculos da blogosfera de cinema, assim como na indústria americana em si. Na época, no entanto, ela não era tão certa assim. Theron dividiu a crítica junto de Naomi Watts em ''21 Gramas'' e nos televisados ainda existia a dúvida se ela ou Diane Keaton em ''Alguém tem Que Ceder'' que iria se sagrar nos televisados. Felizmente, essa grande atriz saiu vitoriosa e hoje está melhor do que nunca no status da atual Hollywood. No fim das contas, uma escolha bem acertada da Academia.

Quando ''Alguém tem que Ceder'' foi lançado no fim de novembro/começo de dezembro de 2003, Keaton foi laureada com as melhores reviews de sua carreira em décadas, muito previram que ela iria repetir o impensável: vencer outro Oscar por uma performance cômica. Alguns não gostaram da comédia de Nancy Meyers, mas ninguém negou o quão perfeita era a atuação que Keaton impregnava no filme. Já Theron e Watts estavam em situações quase parecidas: ambas eram atrizes novas (Theron estourou em 98/99 e Watts uns 2 anos depois), em completa ascenção e em filmes pequenos sem tanto apoio da indústria.

Porém, Theron contava com o ''Robert DeNiro effect'', e o que seria isso? Essa expressão era um exemplar clássico da mudança física que Hollywood, e o público em geral, viria a associar com ''atuação de verdade'' que meio que começou com DeNiro em ''Touro Indomável''. Ou seja, se ''enfeiar'', engordar ou emagrecer demais ainda são coisas vistas como uma ação muito incrível quando se quer mostrar que sua atuação precisa ser respeitada. Nesse aspecto, e também por viver alguém real, Theron acabou se sobressaindo as duas colegas que ousaram brigar com ela pelo careca dourado.

Com as 3 atrizes acima certas nas primeiras vagas da categoria, sobrou pra muitas queridas brigarem pelas 2 últimas vagas. Na pole position estavam Evan Rachel Wood por ''Aos Treze'' e Nicole Kidman por ''Cold Mountain''. Rachel Wood tinha sido aclamada pela crítica e a Fox Searchlight tinha gasto até o que não podia na campanha da mesma, mas mesmo com indicações ao Globo de Ouro e SAG, muitos não acreditavam que ela entraria por ser jovem demais, ela teria sido a indicada mais nova da categoria caso tivesse entrado. Kidman, no entanto, assim como o filme não empolgou ninguém, mas naquela época a Miramax (ou Harvey Weinstein, como preferir) eram os reis de Hollywood e a maioria achava que ela entraria pela força dele em suas campanhas ferrenhas.

Scarlett Johansson também não estava em muitos bolões porque, embora tenha conseguido indicação dupla como protagonista ao Globo de Ouro e BAFTA por suas performances em ''Garota com Brinco de Pérola'' e ''Encontros e Desencontros'', seu maior filme (o de Coppola) fez uma campanha para a mesma em coadjuvante, fazendo com que ela não só dividisse votos entre duas performances, mas também dividisse mais votos ainda entre duas categorias. Uma Thurman em ''Kill Bill Vol. 1'' e Jennifer Connelly em ''Casa de Areia e Nevóa'' até receberam atenção, mas acabaram nem chegando na praia.

E sendo até hoje uma das grandes surpresas da categoria, ao menos nos anos 2000, duas das indicadas vieram quase que do nada. Ainda tinham algumas pessoas que apostavam em Samantha Morton porque ''In America'' estava começando a pegar na indústria (especialmente com a indicação a elenco no SAG) e a mesma já tinha uma indicação prévia com a Academia, mas a indicação da criança neozelandesa de apenas 13 anos de idade que atende pelo nome de Keisha Castle-Hughes foi, literalmente de cair o queixo. Keisha teve uma aleatória indicação ao SAG em coadjuvante, mas jamais passou pela cabeça de ninguém que uma atriz tão nova em um filme tão pequeno e que nem sequer era americano fosse ter a chance de bater tantos nomes e projetos fortes. Castle-Hughes fez história e por quase uma década manteve um recorde incrível de atriz mais jovem indicada na categoria.

Abaixo, meu ranking:

segunda-feira, 11 de junho de 2018

Melhor Atriz 1977 - Oscar Certo, Atriz Errada


A corrida do Oscar de 1977 é muito interessante por N fatores. O principal deles é que todas as indicadas na categoria tiveram seus filmes também indicados em Melhor Filme, um fato raro de se acontecer devido a Hollywood sempre ignorar ou não dar grandes projetos pra atrizes liderarem, interessante que dois desses projetos foram dirigidos pelo mesmo diretor, Herbert Ross. Ross dirigiu Marsha Mason em The Goodbye Girl e também foi o diretor de The Turning Point, um dos poucos filmes a ter duas protagonistas indicadas na história da categoria, nesse caso Anne Bancroft e Shirley MacLaine.

Jane Fonda, uma das mais indicadas da década, estava na lista pelo seu papel em Julia, e Diane Keaton completava a categoria, por uma das muitas parcerias que fez com Woody Allen, com sua performance em Annie Hall. Bancroft até começou o ano com força, criando uma forte ligação com a crítica e ofuscando totalmente sua colega de cena (MacLaine), mas sua derrota nos Globos para Jane Fonda e o fato de que MacLaine acabou aparecendo, totalmente de surpresa, no Oscar tirou qualquer chance de uma possível vitória sua.

Ao contrário do que era comum, as duas favoritas da noite eram as protagonistas das comédias românticas do ano (Keaton e Mason), dois filmes muito populares na época. Ambas eram as musas de seus roteiristas e tinham papéis feito especialmente para elas. Keaton chegou a vencer prêmios da crítica em coadjuvante, mas logo a campanha foi direcionada para protagonista. O empate entre ela e Mason nos Globos não ajudou em nada para prever quem seria a vitoriosa dentre as duas. Na noite da premiação Keaton se beneficiava de já ter um currículo estelar (O Poderoso Chefão), e muitos afirmam que sua performance totalmente dramática em ''Looking for Mr. Goodbar'' foi o beijo da vitória que ela precisava para tripudiar sobre Mason, que viu seu colega de elenco (Richard Dreyfuss) sair com a vitória de Melhor Ator.

A seleção em si é realmente muito boa, mas duas grandes atuações altamente incensadas pela crítica americana foram esnobadas por estarem em projetos menos convencionais, por assim dizer. Porém, tenho que destacá-las e afirmo, sem dúvidas, que elas deveriam ter entrado e poderiam ter vencido sem qualquer problema. São elas:



 Gena Rowlands, Opening Night (''Noite de Estréia'')

Rowlands que já tinha sido indicada previamente por uma performance também dirigida pelo seu marido John Cassavetes em ''Uma Mulher Sob Influência'', voltava a estarrecer os olhares de qualquer pessoa com essa incrível atuação.

É interessante notar que na época a recepção da crítica para com o filme foi pavorosa, muita gente chamando de indulgente, errôneo e o que mais você pensar, mas até quem odiou com força, não teve como não se ajoelhar perante a atuação de Rowlands. Como uma atriz que sofre com uma estreia cada vez mais próxima de sua próxima peça, Rowlands faz um belíssimo, natural e crível trabalho que consegue fazer com cada espectador penetre na superfície daquela mulher e consiga ver toda a problemática que ela enfrenta devido as rachaduras que vão sendo expostas ao longo da trama.

É uma atuação tão inteligente, mas que consegue fluir tão naturalmente que fica simplesmente impossível de tirar o olhar de Rowlands quando a mesma está em cena.


Shelley Duvall, 3 Women (3 Mulheres)

Duvall é altamente conhecida por sua criticadérrima performance em ''O Iluminado'', mas se engana quem acha que ela é uma má atriz por causa de um momento ruim na carreira.

Nesse filme de Robert Altman, Duvall tem uma personagem absurdamente insuportável, mas que ao mesmo tempo gera uma certa empatia, sua Millie é um produto do meio altamente bem desenvolvido e que nas mãos de Duvall se torna a peça necessária para que o roteiro funcione perfeitamente.

A atriz consegue percorrer cada uma das camadas e transições que a personagem sofre de forma irretocável, e ao final do longa temos um momento estarrecedor que exemplifica bem o quão perfeitamente Duvall compreendeu a personagem e tomou a mesma para si. Bravíssima!

Abaixo, meu ranking das indicadas:

sexta-feira, 8 de junho de 2018

Tony Awards 2018: Previsões!


O Tony Awards, maior prêmio do teatro musical no mundo, ocorre no próximo domingo (10) e nesse texto vou tentar prever quem vence, assim como os possíveis ''upsets'' nas categorias premiadas pelo ''American Theatre Wing''. Essa temporada da Broadway foi considerada ''fraca'', apenas 7 novos musicais abriram (dois deles massacrados) e quase nenhuma peça original conseguiu se manter em pé até o dia da premiação. Após alguns anos de tantos trabalhos originais sendo aclamados, todos os indicados a ''Melhor Musical'' são adaptações de filmes (Band's Visit, Frozen e Mean Girls) ou de uma grande franquia (SpongeBob). No lado das peças também há uma grande marca que promete vencer tudo: ''Harry Potter'', a produção importada de Londres aproveitou uma temporada mais branca e deve vencer Tony's a rodo. Vamos ver quem vence em cada uma das categorias? Aqui estão meus palpites:

MELHOR MUSICAL


O único musical original aclamado da atual temporada, ''The Band's Visit'' é a adaptação de um filme israelita que conta sobre como povos tão distintos acabam ficando ''próximos'' devido a diversidades da vida. 

Sem qualquer concorrência, o musical adulto e intimista de David Yazbek é o grande retorno do compositor a Broadway depois do fracasso que foi sua adaptação do filme de Pedro Almodóvar, ''Women on the Verge of a Nervous Breakdown''. Yazbek é o criador de ''The Full Monty'' e ''Dirty Rotten Scoundrels'' e finalmente verá uma criação sua vencendo o prêmio máximo da noite.

MELHOR PEÇA


Nenhuma das demais concorrentes em peça, tirando a nova história do bruxo mais famoso do mundo, está aberta na Broadway, só por isso a chance de vitória seria nula. Que a oitava história do mundo mágico tenha sido recebida com total aclamação e notoriedade pela crítica especializada em teatro apenas finalizou qualquer dúvida que a produção venha a vencer o grande prêmio da categoria de peça.

Tendo custado mais de 68 milhões de dólares, a produção é a peça mais cara da história da Broadway, mas dado o nome de Harry Potter, ''Cursed Child'' vai vencer muitos prêmios e arrecadar um ótimo dinheiro. Sapo de chocolate para todo mundo!

MELHOR REVIVAL DE MUSICAL



Das categorias principais, essa é a mais apertada. Um dos musicais mais clássicos do teatro, ''My Fair Lady'', conseguiu ter um revival capaz de manter a essência do trabalho de Lerner e Loewe, mas ainda dá um ''twist moderno'' na obra. No entanto, a produção de Michael Arden para o primeiro revival de ''Once on this Island'', de 1991, basicamente reinventou a obra e vem recebendo altíssimos louros até hoje.

Eu acredito que o nome e a suntuosidade do vencedor de Melhor Musical de 1957 irá prevalecer e teremos ''My Fair Lady'' como o vencedor, mas as chances de ''Island'' ganhar o prêmio continuam altíssimas, e o musical precisa dessa vitória, ah como precisa!


MELHOR REVIVAL DE PEÇA


''Three Tall Women'' até que tentou, mas 25 anos após a produção original, o primeiro revival da obra-prima de Tony Kushner se tornou a peça mais indicada da história e deve vencer o grande prêmio de revival sem nenhuma dúvida.

''Angels in America'' tem basicamente oito horas de assuntos ainda muito tópicos mesmo passado décadas desde sua produção original, e a grandiosidade do trabalho não deve ser batida.

MELHOR ATOR EM MUSICAL


A grande dúvida do Tony desse ano reside nessa categoria. É engraçado lembrar que apenas cinco atores eram elegíveis a mesma, o protagonista de ''Margaritaville'' foi o esnobado da vez, mas todos os quatro indicados tem chances, basicamente iguais, de vencer.

Harry Hadden-Patton reinventou a forma como olhamos para Mr. Higgins em ''My Fair Lady'', Tony Shalhoub cria um personagem crível e humano em ''Band's Visit'', Joshua Henry deu vida ao controverso Billy na nova produção de ''Carousel'' e Ethan Slater, o queridinho dos fãs de teatro, faz das tripas coração para dar vida a um dos cartoons mais amados do mundo, Bob Esponja.

Eu não me surpreenderia com ninguém vencendo, mas dado o amor a produção, o tempo de carreira do ator e ao tão falado ''Soliloquy'' que dura mais de seis minutos e por ser sua terceira indicação, vou acreditar na vitória de Joshua Henry. Porém, fiquem de olho em Shalhoub também, finalmente, vencendo o seu Tony em sua quarta indicação.

MELHOR ATOR EM PEÇA


Andrew Garfield me agraciou com sua inacreditável performance como Prior nesse revival de ''Angels'' quando o vi em Londres ano passado. Assim como eu, qualquer pessoa que o assiste no papel fica boquiaberto com a capacidade dramática que o ator consegue exprimir sem perder o fôlego durante as várias maratonas semanais que ele precisa fazer pela peça.

Tendo uma prévia indicação em ator coadjuvante em peça, Garfield é uma vitória certa na noite de domingo.

MELHOR ATRIZ EM MUSICAL


Até se ensaiou uma ameaça de Lauren Ambrose fazendo a amável Eliza em ''My Fair Lady'', mas Katrina Lenk também vencerá domingo com uma vaga margem por seu trabalho em ''The Band's Visit''.

A atriz, aclamada na temporada passada pela peça ''Sweat'', conquistou a todos com uma atuação sútil e uma voz encantadora como a dona do bar mais famoso da temporada. A sua rendição de ''Omar Sharif'' deve ter selado a sua vitória com vários votantes nessa que é sua primeira indicação.

MELHOR ATRIZ EM PEÇA


A lendária Glenda Jackson deve receber 98% dos votos em sua categoria. Sua performance na peça de Edward Albee, ''Three Tall Women'', simplesmente impede a, já não tão grande, concorrência de ter qualquer chance de vitória.

Jackson é uma das grandes atrizes britânicas de todos os tempos, mas nos anos 80 resolveu virar política e ficou no meio por quase três décadas. Em seu retorno triunfal, Jackson deve vencer seu tão merecido Tony em sua quinta indicação e se consagrar assim como a atriz mais velha a fechar a ''Triple Crown of Acting'', ou seja, vencer Oscar, Emmy e Tony por atuação.

MELHOR ATOR COADJUVANTE EM MUSICAL


Vencer um Tony já não é fácil, dois é bem difícil, mas imagina três? É exatamente isso que Nobert Leo Butz ameaça fazer nesse próximo Tony.

O Fiyero original de Wicked já possuí duas vitórias como protagonista de musicais (2005 por ''Dirty Rotten Scoundrels'' e 2011 por ''Catch Me If You Can''), mas agora deve vencer por fazer o pai de Eliza em ''My Fair Lady'', onde vem recebendo altíssimos louros pelo ''showstopper'' que é sua performance de ''Get Me to the Church on Time''.

O principal concorrente dele é Ari'el Stachel, coadjuvante de The Band's Visit, e tem quem acredite que Gavin Lee fazendo Lula Molusco também ameace, mas acredito que a vitória será mesmo de Butz em um papel que gera uma enorme empatia com o público.

MELHOR ATOR COADJUVANTE EM PEÇA


Outro que já tem dois, ambos por musicais, o lendário Nathan Lane também irá ganhar uma terceira estatueta nesse domingo, mas agora em peça. Fazer Roy Cohn em ''Angels in America'', uma figura tão ruim e proeminente no imaginário popular por ser o mentor de Donald Trump, é uma tarefa árdua, mas Lane jamais está menos que excelente em seu papel.

O ator joga as mais ferozes ''one-liners'' a medida que também tem monólogos absurdos, é um trabalho feroz, na cara, vibrante e altamente marcante. Uma vitória, sem dúvidas, acertadíssima.

MELHOR ATRIZ COADJUVANTE EM MUSICAL


A atual montagem de ''Carousel'' sofreu duras críticas de muita gente, mas existe um fortíssimo consenso sobre a mesma: Lindsay Mendez está estupenda.

O papel que deu o primeiro Tony a recordista Audra McDonald volta a agraciar mais uma atriz e as chances de Mendez sair premiada domingo são altíssimas. Porém, nada está definido e tem muita gente achando que a aclamada Ashley Park pode vencer por ''Mean Girls''. Eu não duvido, mas ainda vou de Mendez, uma trabalhadora da indústria tendo, finalmente, seu momento de brilhar. Ah, a indicação de Diana Rigg é uma piada, convenhamos.

MELHOR ATRIZ COADJUVANTE EM PEÇA


Denise Gough teve uma peça Off-Broadway, ao qual ela venceu seu primeiro Olivier Award quando fez a mesma em Londres, no ano passado que lhe rendeu altíssimos elogios. Como a esposa mórmon de um gay enrustido a britânica vem recebendo os elogios de uma vida. E tendo visto sua performance, ela merece cada aplauso colhido. Na foto acima está seu grande momento, um monólogo sobre a vida, a sua vida, e tudo que ela representa lançado de forma tão melancólica e fervorosa que é impossível ficar indiferente.

Tem quem diga que Noma fazendo Hermione pode vencê-la, mas acredito que se alguém ganhar de Gough é Laurie Metcalf por ''Three Tall Women''. Não vejo acontecendo com nenhuma delas.

- MELHOR LIBRETO DE MUSICAL: Mean Girls - Itamar Moses é tão forte quanto Tina Fey, mas eu tô acreditando fortemente que Fey fez A campanha e vai abocanhar esse prêmio pra si.

- MELHOR TRILHA ORIGINAL: The Band's Visit - Sem competição.

- MELHOR DIREÇÃO DE MUSICAL: David Cromer, The Band's Visit - O amor ao musical deve levar a premiação de Cromer, mas fiquem de olho em Tina Landau que fez maravilhas com o musical do Bob Esponja. Arden pelo trabalho de ''Island'' é uma opção.

- MELHOR DIREÇÃO DE PEÇA: John Tiffany, Harry Potter and the Cursed Child - Entre Tiffany e Marianne Elliott (Angels in América) há uma divisão clara, mas acredito que trazer o mundo mágico ao teatro sem CGI e ser totalmente aclamado dá a vantagem para Tiffany.

- MELHOR ORQUESTRAÇÃO: THE BAND'S VISIT - A banda por trás do palco foi tão ou mais aclamado do que o musical em si, mas o lendário Jonathan Tunick fazendo a orquestração de R&H's Carousel ou Tom Kitt conseguindo unir sons de Cyndi Lauper e Steve Tyler para orquestrar ''SpongeBob'' são possíveis upsets.

- MELHOR COREOGRAFIA: CAROUSEL - Justin Peck injetou o balé clássico no teatro musical e já pode preparar o discurso só pela sequência de ''Blow High, Blow Low''.

- MELHOR DESIGN CÊNICO DE MUSICAL: SPONGEBOB SQUAREPANTS - A dúvida aqui entre ''Once on this Island e ''SpongeBob'' é real, e ainda temos ''My Fair Lady'' correndo por fora, mas acredito que o fundo do mar sairá vitorioso graças a um inventivo e ''eye-popping'' cenário.

- MELHOR DESIGN CÊNICO DE PEÇA: HARRY POTTER AND THE CURSED CHILD - ''Women'' até que tentou, mas não.

- MELHOR FIGURINO DE MUSICAL: MY FAIR LADY - Vestidos de época são imbatíveis em qualquer premiação e os de Catherine Zuber não serão diferentes aqui.

- MELHOR FIGURINO DE PEÇA: HARRY POTTER AND THE CURSED CHILD - ''Farinelli'' tem uma pequena chance, mas também não vejo acontecendo.

- MELHOR DESIGN DE LUZ DE MUSICAL: THE BAND'S VISIT - Estou bem dividido entre Bob Esponja e The Band's Visit, com Once On this Island correndo por fora, mas o trabalho intimista, mas aparentemente certeiro de ''Band's'' me farão ficar com eles na aposta final.

- MELHOR DESIGN DE LUZ DE PEÇA: HARRY POTTER AND THE CURSED CHILD - Essa magia já foi conjurada e o feitiço é certo.

- MELHOR DESIGN DE SOM DE MUSICAL: SPONGEBOB SQUAREPANTS - Voltando ao Tony após alguns anos off, a vitória de ''Bob Esponja'' aqui parece ser bem certeira. Se alguém ameaça, é ''The Band's Visit''.

É isso ai gente, a noite vai ser BEM feliz para ''Harry Potter'' e ''The Band's Visit''. Será que o resultado foge muito disso? Lembrando que se ''Mean Girl'' sair sem nada, se tornará o maior perdedor da história do TONY. Porém, a gente torce para que isso não aconteça. Até domingo!



sexta-feira, 25 de maio de 2018

Melhor Atriz - 1953: A Princesa e o Careca Dourado


Interrompendo a programação de vencedoras com apenas uma indicação, nesse post vou falar da vitória de uma das maiores estrelas de toda a história de Hollywood: Audrey Hepburn. A vitória de uma das atrizes mais carismáticas e populares se deu em um ano, digamos... mais ''light''. Nenhuma de suas concorrentes fazia o perfil ''dramalhão'' que tanto preencheu a categorias em outros tantos anos e isso acaba refletindo na própria vitória de Audrey, que foi pela clássica comédia romântica ''Roman Holiday''.

Dentre as concorrentes como um todo, três delas eram basicamente novatas na indústria. A própria Audrey estava sendo lançada ao estrelato pelo seu filme, tendo pouco mais de 2 anos de carreira no cinema. Leslie Caron, que fez seu debut também dois anos antes no vencedor de Melhor Filme ''An American in Paris'', estava em seu terceiro longa quando conseguiu a indicação por ''Lili''. E Maggie McNamara foi indicada por ''The Moon Is Blue'', seu primeiro filme nas telonas. As veteranas daquele ano eram as lendárias Deborah Kerr em ''From Here to Eternity'' e Ava Gardner em sua única indicação na carreira por ''Mogambo''.

Enquanto que as veteranas poderiam ter se saído melhor, Kerr não é nem a principal coadjuvante em seu filme, daqueles casos que só foi indicada pela força do filme e ainda de forma fraudulenta pelo nome que tinha. Gardner deve ter sido a maior ameaça a Hepburn, a atriz já tinha um bom tempo de indústria e ela é bem proeminente em seu longa, mas o filme de John Ford não se conectou muito bem com os votantes da Academia, rendendo apenas duas indicações. Além disso, reputação de Ava ainda era muito que sua estonteante beleza era superior a seus dotes como atriz, o que deve tê-la prejudicado na corrida.

O filme de Hepburn foi um enorme sucesso de bilheteria e estava indicado nas principais categorias da noite como Melhor Filme e Melhor Diretor, coisa que suas colegas de categoria não podiam dizer o mesmo. Sendo a novata melhor posicionada e realmente em um filme que já nascia clássico, Hepburn venceu o careca dourado e com quase 25 anos se tornava, então, a terceira mulher mais jovem a vencer o prêmio. Audrey viria a receber mais 4 indicações em sua carreira e se tornaria uma lenda na indústria do cinema, sempre escolhendo projetos a dedo e envelhecendo com um status quase mitológico. Ela também se tornaria uma das seletas pessoas a vencer o EGOT, que são os 4 maiores prêmios (Emmy, Grammy, Oscar e Tony) das 4 maiores indústrias do entretenimento americano. Uma verdadeira rainha, né verdade?

Abaixo, meu ranking:

terça-feira, 1 de maio de 2018

Melhor Atriz - 1986: Representatividade que vale ouro!


Marlee Matlin continua sendo a ganhadora mais jovem (21 anos e alguns dias) da categoria de Melhor Atriz, assim como também ainda é a única pessoa surda a vencer um Oscar de atuação por sua performance em ''Children of a Lesser God''. Matlin já afirmou que se orgulha muito do primeiro fato, mas fica muito triste pela segunda. E é por isso que fica fácil entender o motivo pelo qual Matlin nunca retornou ao Oscar, é só lembrar da frase que Viola Davis quotou em seu discurso no Emmy: ''Você não pode vencer prêmios por papéis que não existem''. Triste, mas muito verdade.

No entanto, na corrida de 86 a jovem Matlin não era uma barbada e nem de longe a favorita prévia. As favoritas da crítica, que nós sabemos que é onde começa a se moldar a corrida, eram Sissy Spacek em ''Crimes of the Heart'' e Chloe Webb em ''Sid and Nancy''. Webb, junto de Gary Oldman em seu debut no cinema, foram os queridinhos da crítica especializada, mas o filme se mostrou muito diferente, pequeno e ''adverso'' ao que Hollywood normalmente espera, fazendo com que ambos não conseguissem chegar aos grandes prêmios. O filme de Spacek foi meio que visto como uma ''decepção'' e isso a impediu de seguir a frente, junto do fato de que sua vitória ainda era algo recente. E vencer Oscar #2 sem estar em um dos grandes filmes do ano é algo muito difícil.

Uma das indicações mais populares e revolucionárias da categoria ocorreu nesse ano: Sigourney Weaver entrou na seleção final por seu trabalho em ''Aliens'', a primeira vez que uma mulher era indicada por um papel totalmente voltado para o gênero de ação. Na única indicação de sua vida, Kathleen Turner não só, finalmente, conseguiu chegar ao Oscar por ''Peggy Sue Got Married'', como era uma favorita forte ao prêmio. Turner tinha surgido no começo da década de 80 e fez projetos bem sucedidos quase que em seguida, mas sempre era incapaz de ganhar tração para chegar ao prêmio da Academia. Porém, ela viu sua sorte mudar ao protagonizar essa dramédia de Francis Ford Coppola. A última indicada foi ninguém menos que Jane Fonda em ''The Morning After'', sua última indicação na carreira, até hoje. O filme de Fonda era muito pequeno e o de Weaver era muito de ''gênero'', as duas provavelmente foram as últimas colocadas daquele ano.

Turner perdeu o Globo de Ouro de Comédia/Musical simplesmente por já ter vencido nos dois anos seguintes, fora que ela estava de frente com uma das estrelas favoritas da premiação (Spacek) em um filme bem água com açúcar. Porém, o sucesso de ''Peggy'' e a campanha de Coppola para com ela posicionaram a atriz como a favorita pouco antes das indicações saírem. O que Turner não contava era com o machismo da Academia interferindo em sua vitória. No momento que saíram as indicações, a felicidade do time de ''Children of a Lesser God'' foi enorme, era o primeiro longa indicado a Melhor Filme dirigido por uma mulher.... mesmo que a diretora tenha sido a única esnobada da categoria diante dos 4 demais homens que tiveram seus filmes também indicados a Melhor Filme. No lugar de Randa Haines, eles indicaram David Lynch por ''Blue Velvet''.

Isso causou um burburinho tão grande que a narrativa para premiar Matlin foi simplesmente inevitável. Se ela já tinha uma vitória nos Globos, mesmo que não tão relevante, utilizar a mulher que dá a cara ao filme esnobado por um ato de misoginia clara foi a melhor resposta que puderam fazer para tentar reparar o erro corrigido. E quando Willam Hurt, então namorado de Matlin, leu seu nome do envelope, nasceu ali dois fatos até hoje inquebráveis da história do Oscar. E se mesmo que o cinema não tenha dado tantas oportunidades para a jovem Marlee, ela soube tirar o proveito de seu prestígio fazendo inúmeras aparições em tv (A atriz tem 4 indicações ao Emmy), teatro e sendo uma das maiores ativistas para os surdos na indústria. Exemplo a ser seguido que chama, né?

Abaixo, meu ranking:

quinta-feira, 26 de abril de 2018

Vingadores: Guerra Infinita


Não sou dos maiores fãs da Marvel e suas produções cinematográficas, mas é inegável que mesmo pasteurizando seus trabalhos para manter o nível, eles foram capazes de - quase - sempre entregar produtos ao menos dignos, nessa nova e grandiosa aventura do maior grupo de heróis do cinema a história não é diferente.

Em ''Vingadores - Guerra Infinita'' tudo que o ''Universo Marvel'' construiu nos cinemas desde sempre culmina numa épica batalha contra o maior dos maiores, Thanos. Aliás, começar esse texto falando de Thanos é algo necessário. Se tem algo que sempre caia por terra nos filmes do universo era a falta de arqui-inimigos dignos dos heróis que os enfrentavam. Em muitas vezes eles eram extremamente genéricos ou uma completa farsa. No caso do tirano intergaláctico, o roteiro revela uma ideologia crível e que percorre uma linha muito tênue entre a indignação e a compreensão para os planos do mesmo. Thanos é a peça central e motriz do filme, sendo explorado da forma mais correta possível pelo roteiro e ancorado por uma performance de captura de movimento/dublagem muito assertiva de Josh Brolin. Impedido de se tornar mais um estereotipo, o grande recebe uma forte dimensionalidade, criando cenas tão bonitas e poderosas quanto todas as que ele divide a tela com Gamora.


Um dos maiores temores com relação ao longa era a quantidade, mesmo que necessária, de heróis que teriam na trama. Será que todos seriam bem utilizados? Soaria como um desperdício? Será que todos brilhariam? Pois então, o resultado final é bastante positivo, na medida do possível. Existem personagens (Viúva Negra, por exemplo) que mal aparecem em cena ou possuem diálogos, mas isso não é um demérito porque até eles conseguem ter momentos marcantes no filme. A dinâmica dos personagens que mais aparecem em tela é um pouco alterada. Enquanto os usuais Homem de Ferro e Thor tomam a dianteira, eles precisam dividir muito o espaço com o Doutor Estranho e os Guardiões da Galáxia. Isso permite que uma nova visão enquanto grupo, devido a inevitável aposentaria dos antigos Vingadores, seja presenciada pelo público, assim como cria uma dinâmica muito bem feita entre todos os personagens que precisam se conectar.

Para isso, o elenco mostra todo o carisma e empatia necessária e que consolidou cada um deles no imaginário pop nos últimos anos. Por mais que eu não aguente mais o Robert Downey, Jr., por exemplo, é inegável que ele É o Homem de Ferro. Se os três Chris (Evans, Hemsworth e Pratt) não são lá excelentes atores, eles se apropriam muito bem das personagens tão cativantes de seus personagens. E assim vai com todo o resto em cena. E esse é um aspecto muito importante para que nós, espectadores, sejam capazes de construir um laço com todos eles e sentir tudo que eles precisam passar, da alegria à tristeza.


O filme, como um todo, tem toda a essência de ''evento'' e ''espetáculo'' que se espera de uma produção desse nível. Grandes e otimamente coreografadas sequências de luta, momentos de puro êxtase (o principal deles pertencendo ao Thor) e também poderosas e emocionantes cenas (Wanda </3) devido a escala de tudo que se desenrola em cena.

Obviamente, nem tudo são flores, e algumas decisões de roteiro soam fáceis, mas como o longa não termina por aqui, veremos como tudo se justifica em sua parte final. Ah, a cena final, se tirada toda e qualquer problemática ''off-screen'', é singela e muito tocante. Um momento raro em meio a tantos murros, tiros e poderes feitos durante toda a projeção, mas que exprime e sintetiza muito do tema, e discurso, empregado pelo filme.

quinta-feira, 19 de abril de 2018

Melhor Atriz 1940 - Adivinha quem dançou conforme a música?


Após terminar a corrida dos 4 Oscars de Katharine Hepburn, decidi que meu próximo passo nessa maratona seria avaliar as ganhadoras que não receberam mais nenhuma indicação ao Oscar além de suas vitórias na categoria principal. Três delas eu já fiz anteriormente, foram elas: Judy Holliday (50), Halle Berry (01') e Brie Larson (14). Faltam algumas, não revelarei quantas, mas saibam que são poucas, mas quase todas em corridas bem marcantes. Começo então com a vitória da rainha dos musicais: Ginger Rogers.

A corrida de 1940 é uma das mais badaladas com relação a ''injustiça''. Acho que todas as pessoas que escavarem um pouco a história do Oscar sempre vão se pegar na corrida que ''Rebecca'' venceu Melhor Filme, mas seu diretor (Alfred Hitchcock) e sua protagonista (Joan Fontaine) saíram sem nada. E porquê a derrota de Fontaine foi surpresa? E porque ela ocorreu? Bem, veremos...

Joan Fontaine é tudo que a categoria mais ama e preza: ela era uma atriz jovem, na época foi uma das se não a mais jovem a concorrer em Melhor Atriz, em um filme sensação com um estrelado totalmente esperando por ela. ''Rebecca'' foi o grande sucesso do ano, tanto de bilheteria quanto de crítica. Fontaine era a irmã mais nova de uma atriz já com um nome estabelecido em Hollywood, Olivia de Havilland, mas ainda tinha poucos créditos em atuação em seu favor. Então, imagine só o frisson que sua atuação causou em um filme tão emblemático para a época.

A vitória de Ginger Rogers soa um pouco como uma incógnita. Porém, não é tão assim, né verdade? Rogers já tinha mais de uma década em Hollywood, responsável por revolucionar o gênero musical ao lado de Fred Astaire e era muito popular. Ela entraria em uma década de maior sucesso ainda nos anos 40 e em ''Kitty Foyle'' ela faz algo que rende muitos louros a qualquer ator: ''play against the type''. Ou seja, uma atriz tão comumente associada com musicais fazendo um drama babado? Oscar nela! O filme por si fez um sucesso bom na bilheteria, estava indicado em outras categorias fortes como Melhor Filme e Diretor e até o vestido da protagonista virou uma sensação na ''cultura pop'' americana. Juntando todos esses aspectos, não é tão difícil de entender porque Miss Rogers venceu aquela estatueta.

As demais indicadas eram ninguém menos que Bette Davis e Katharine Hepburn em duas de suas performances mais aclamadas em ''The Letter'' e ''The Philadelphia Story'', respectivamente, mas ambas eram vencedoras ''recentes'' e pouquíssimas chances tiveram. E também Martha Scott por ''Our Town''.

Abaixo, meu ranking: