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domingo, 3 de fevereiro de 2019

2018 no Cinema


Fica meio estranho ter filmes como ''Me Chame pelo seu Nome'' junto de ''Roma'', né? Uns parecem ser de 2017 e outros de 2018, se bobear até 2019. Porém, como critério para o meu top pessoal, eu escolho sempre levar em consideração lançamentos no mercado brasileiro. É difícil fechar só dez longas quando se assiste tantos filmes, por isso ficam aqui as menções honrosas que por pouco não entraram na lista:


- O Sacrifício do Cervo Sagrado
- Primeiro Homem (foto)
- O Processo
- Benzinho
- Custódia
- Missão Impossível - Fallout
- Pantera Negra

Porém, vamos direto ao que interessa e assim que ficou o meu ranking dos 10 filmes que mais gostei lançados aqui no ano passado:

sábado, 3 de fevereiro de 2018

Cinema em 2017: Meus favoritos



Finalmente em minha última lista e quem me conhece sabe que não tem arte que eu aprecie mais do que cinema, fazer esse top foi complicado, mas tentei ser o mais honesto, direto e plural possível. Aproveitei muito minha mudança para São Paulo visto que aqui basicamente todos os filmes conseguem ao menos uma sala, fazendo com que eu visse muita coisa que em Maceió iria precisar esperar o download, e a experiência de ver algo em casa jamais será a mesma coisa que no cinema, né verdade? Entre obras que quase entraram temos ''Divinas Divas'' (foto acima), a animação ''A Tartaruga Vermelha'', a dramédia ''Toni Erdmann'', o drama ''A Criada'' e o documentário ''Eu Não Sou Seu Negro''. Dos piores filmes do ano fico entre a chatice de ''Rodin'', a péssima nova ''50 Tons Mais Escuros'' ou o horror, involuntário, que foi ''Alien: Covenant''. Abaixo a lista, lembrando que faço a mesma baseado nos lançamentos comerciais no Brasil de 1 de Janeiro a 31 de Dezembro.


10. Uma Mulher Fantástica (Una Mujer Fantastica, Sebastián Lelio): Em um drama sobre uma mulher transexual que busca se estabelecer após a morte de seu namorado, o longa do diretor chileno Sebastian Lelio quebra tudo que você acredita saber sobre filmes LGBT nos inserindo em um mundo ''comum'' dentro do panorama de uma incrível personagem principal que tem sim lugares comuns, porque eles existem, mas que desenvolve camadas que fazem com que Daniela Veja brilhe em cena.


9. Corra! (Get Out, Jordan Peele): Quantos filmes conseguem unir terror, drama, comédia e critica social de uma forma inventiva, e por que não dizer original? Poucos, mas essa é uma façanha que Peele, um famoso comediante americano, conseguiu realizar em seu primeiro projeto enquanto diretor. ''Corra!'' é uma alegoria sobre questões raciais muito bem embrulhada em um filme que mistura e desafia gêneros sem nunca deixar a peteca cair, é um clássico contemporâneo que o tempo só ira confirmar. O elenco está um arraso, Daniel Kaluuya é uma revelação, e a cena da hipnose já nasce icônica.


7. O Estranho que Amamos (The Beguiled, Sofia Coppola): Em um momento de renascimento após uns projetos de fins duvidosos, o remake de Coppola é uma das experiências cinematográficas mais incríveis que tive ano passado. Cena após cena, Sofia dá uma aula de direção criando uma ambientação irretocável e cenas memoráveis, é um trabalho tão visivelmente bem feito que é impossível chegar naquela última cena do filme sem estar em total êxtase. Todo o aparato técnico é um desbunde sem tamanho e o elenco composto basicamente só de mulheres é um estouro em cena, com destaque para um ingênua Kirsten Dunst e uma ferrenha Nicole Kidman.


7. Mulheres do Século 20 (20th Century Women, Mike Mills): Um dos meus maiores amores dos filmes de 2017, é um ''filme vida'', eu poderia ficar mais dez horas com esses personagens de tão cativantes que eles são, Mike Mills podia fazer, sei lá, uma minissérie pra HBO dessa turma e seria lindo demais. O roteiro é lindo (criativo, inusitado, cheio de personagens maravilhosos), o elenco é o melhor do ano junto de Moonlight e até Elle Fanning que tenho birra, me cativou aqui. Ah, Annette Bening dá a performance da vida dela aqui, um verdadeiro show de contenção, algo tão inusitado para uma atriz tão normalmente over.



6. Baby Driver (idem, Edgar Wright): O último trabalho do sempre inventivo Edgar Wright é um dos melhores orgasmos cinematográficos da década, em ''Baby Driver'' temos uma ação instalada desde o primeiro momento do filme que jamais se dilui, a medida que você aceita entrar nesse mundo, é impossível não ficar vidrado em tela. O elenco, fenomenal, ajuda ainda mais na imersão do longa visto que todos estão completamente imersos em seus personagens, e a trilha é nada menos que perfeita. O roteiro consegue até incorporar várias partes de músicas famosas no texto, até ''Hollaback Girl'' da Gwen Stefani, e isso é apenas a cereja do bolo dessa tão surpreendente obra.


5. Bom Comportamento (Good Time, Safdie Brothers): É um filme totalmente ligado no ácido da câmera dos diretores a trilha alucinada, passando pelo roteiro que vai enfiando o pé na jaca cada vez mais até chegar na performance inacreditável de Robert Pattinson. Fiquei extremamente agitado no cinema, sempre achava que a merda iria piorar, e quase sempre era isso que ocorria. E o que falar de  Pattinson, que nunca me desceu, mas aqui está tão sincronizado ao personagem que simplesmente se torna o filme per si, algo na vibe do que Jake Gyllenhaal fez em ''O Abutre'' e Sally Hawkins fez em ''Simplesmente Feliz''. 


4. Jackie (idem, Pablo Larrain): Um filme que quebra os moldes comuns de uma biografia convencional, o longa se trata de um grande estudo de personagem, e talvez seja a melhor saída para contar uma história tão forte no imaginário popular. A utilização, máxima, da ''mise en scène'' no filme gera um virtuosismo estético que dialoga bastante com o tema e o mundo aqui retratado, de forma inteligente, cativante e muito perspicaz não acho que requer tanto do espectador para que ocorra uma completa imersão no tom da obra. E para que o pulo no filme seja completo, a performance de Natalie Portman é inteligentíssima, delineada e finalizada de forma irretocável.

''I know it sounds a bit bizarre,
but in Camelot, Camelot...that's how conditions are''.


3. Manchester a Beira Mar (Manchester by the Sea, Kenneth Lonergan): Após muitos anos, a volta de Lonnergan na indústria americana foi realmente por cima, em um dos grandes dramas da década, vemos a deterioração de uma pessoa após um fato trágico quase como uma expiação de dentro pra fora, se é que existe algo lá, embora na cena que represente a foto acima a personagem de Michelle Williams, na definição de ladra de cena, afirme que ''você não pode simplesmente morrer'', é através da performance de Casey Affleck que percebemos que você pode sim. É duro, é seco, é real.


2. La La Land (idem, Damien Chazelle): O longa é uma grande ode a representação do gênero musical mundial ao cinema. Musicais em seu auge sempre foram uma forma de escapismo total do grande público e quase sempre envolviam história de amor com belos finais felizes. Para emular isso o filme conta com uma direção inspirada e completamente genuína de alguém que não só entende de dirigir, mas que visivelmente é apaixonado pelo gênero em tela, e completando tudo temos uma dupla central que emana química e dá tudo de si para com seus personagens. Se Gosling tem um, que seria chatíssimo nas mãos de alguém menos carismático, e Emma Stone que tem a personagem vibrante, que cativa e dialoga diretamente com o público, dando possibilidades reais para a jovem atriz brilhar do drama (a cena em frente a sua casa) a comédia (''I Ran''), de dançar em uma singela emulação de Ginger Rogers até ter um grande solo digno do auge de Judy Garland. Filmaço. Inesquecível.


1. Moonlight (idem, Barry Jenkins): Sem delongas, uma Obra-Prima sem antecedentes. 

A última conversa entre Chiron e Kevin, a última que demora muito pra Chiron abrir a boca e soltar algo que me deixou paralisado. O olhar devastado de Trevan Rhodes, que atuação senhorxs! A supressão daquilo tudo, do seu ser, a blindagem necessária para crescer e nisso usar de exemplo a única forma de amor que ele conheceu, a única figura que realmente lhe foi presente. O filme te quebra, Jenkins é um gênio e Moonlight é infinito, basicamente indescritível. Só isso a falar. Vejam.











terça-feira, 19 de janeiro de 2016

REVIEW: Carol - Um espelho que tem muitas faces


O primeiro filme de Todd Haynes foi lançado em 1991 e após mais de duas décadas o diretor tem, somente, seis filmes em seu currículo. É intrigante pensar que alguém demore tanto para a realização de suas obras, mas basta ver um de seus filmes que logo se percebe o porque de sua seletividade. Cada um é uma obra de arte única e totalmente intrínseca a tudo que o diretor sempre quis debater em seu cinema, e devido a essa singularidade que seu mais novo projeto, Carol (idem, 2015), não me deixou nenhum pouco espantado quando percebi que era o grande filme do ano.

Em resumo o longa trata do relacionamento que surge entre a experiente e rica Carol (Cate Blanchett) e a jovem vendedora de loja de departamento Therese (Rooney Mara), isso nos anos 50. O diretor já tinha trabalhado a década anteriormente no magnífico Longe do Paraíso (Far from Heaven, 2002), onde também evocava o tema de ''amor proibido'' que é o que distingue muito do que separa ''Carol'' de qualquer filme ambientado na década de ouro de Hollywood. E assim como ''Longe'', o diretor estabelece que toda a atmosfera apresentada te transporte para os filmes de diretores como Douglas Sirk (ídolo pessoal de Haynes) utilizando de uma fotografia mais opaca com penumbra e névoa, figurinos da mais pura classe feitos pela maravilhosa Sandy Powell, até chegar no que é quase um personagem por si só: a trilha de Carter Burwell, que evoca todos os sentimentos possíveis em todas as pontuações espetaculares a qual ela sempre é usada.

O ponto de vista de Therese quanto a Carol dá a entender que ela é muito cheia de si, alguém experiente e que sabe o que quer e como ela quer, enquanto que a própria Therese aparenta ser mais introspectiva, reservada e que pode se deixar deslumbrar por pouco. Porém, é um engano achar que o filme irá contar a história de forma tão rasa e unidimensional. O roteiro (brilhantemente escrito por Phyllis Nagy) logo estabelece uma crescente a medida que Carol e Therese vão se aproximando uma do mundo da outra, da mente da outra, do coração da outra e quando o espectador menos espera, ainda ali no meio da projeção, já está tragado para um dos relacionamentos mais interessantes que você verá no cinema em muito tempo.



O clima soturno do filme pode deixar a impressão de ser frio, artificial, enfim, tudo que ele não é. Tudo está ali: o amor, a paixão, o querer, o fogo e o que mais existe em uma relação, mas nem tudo que você quer, você automaticamente pode ter e nessa redoma do ''não posso tocar'' o diretor, em um toque de mestre, fica apaixonado por filmar suas atrizes através de vidros (dos mais variados possíveis) numa tradução de imagem que pode ser interpretada desde proteção até ilusão. Afinal, o quão tangível esse caso realmente é para elas? E para o espectador? É algo difícil de responder.

Para que todo esse jogo realmente se complete o diretor precisaria de um elenco de confiança, e se os coadjuvantes (como os ótimos Sarah Paulson e Kyle Chandler) estão todos muito bem, as duas atrizes principais estão estupendas em seus papéis. Cate Blanchett, vencedora de dois Oscars, começa o filme em uma performance que flerta entre o autoindulgente e o vaidoso, mas é só o roteiro cair pra o ponto de vista de sua personagem que vemos logo uma mudança de tom por alguém que realmente precisa por um sorriso de canto para viver todos os dias, e se existe alguma dúvida da força de Blanchett no filme, a sua cena final com o marido é o que nós chamamos de ''master class'' da atuação, uma atriz divina em seu auge cinematográfico.

Já a atriz Rooney Mara sempre foi meio apática, mas inteligente como poucas de sua geração sempre soube escolher os melhores projetos com pessoas que sabem tirar o melhor dela, em Carol ela é uma revelação. Sempre com cuidados para demonstrar o desabrochar de Therese, a atriz utiliza dos mais mínimos trejeitos como uma lágrima em um trem ou um sorriso de canto ao entregar um presente de natal para firmar uma construção de personagem linda, e quando chegamos ao fim do ciclo de Therese no filme chega a ser gritante a forma como Mara soube desenvolver tudo que precisava para torná-la uma ''mulher'', palmas para a atriz, muitas palmas.


Após o fim do longa e um bom tempo para aceitar tudo que foi exposto em tela fica a percepção de um filme com um diretor em plenitude do que sabe fazer melhor, daquele mestre que já se aperfeiçoou em oficio e, nesse caso, sabe usar a câmera para contar uma história como poucos são capazes nos dias atuais. O caso de Haynes é ainda mais único porque seus contos, como dito previamente, são sempre tão lindos, e por muito melancólicos, que faz parecer com que cada frame da tela seja um quadro que se completa nessa obra de arte do cinema que é Carol.

Uma sequência (pequeno spoiler, mas que tem no trailer): A cena de sexo entre as duas que é um desbunde de tão linda no que tange direção, entrega de atrizes e uma trilha sonora belíssima. 

Cotação:

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2015

REVIEW: Cinquenta Tons de Cinza - Afinal, um tapinha não dói.



É de um desafio absurdo fazer com que um filme seja melhor que o livro do qual ele foi adaptado, mas e quando esse livro é uma ''fan fic'' que surgiu por causa de ''Crepúsculo'', fica mais fácil'? Provavelmente não, mas na adaptação pros cinemas do fenômeno de E.L. James, a diretora Sam Taylor-Johnson consegue fazer um milagre ao extrair o que de melhor (ou seria menos pior?) tem o livro, e transforma Cinquenta Tons de Cinza (Fifty Shades of Grey, 2015) numa experiência agradável, que engaja o espectador nessa louca história entre Anastasia Steele e Mr. Grey.

A introdução do filme a protagonista Anastasia (Dakota Johnson) é uma tentativa quase ridícula de tornar ela o mais associável possível ao público alvo do filme. Afinal, ela dirige um fusca, veste roupas que minha avó ficaria orgulhosa e age como se fosse invisível. Quando isso entra em colisão com a beleza, fortuna, autoconfiança e estilo apresentado por Christian Grey (Jamie Dornan), fica claro que ela irá se deslumbrar por ele, como iria qualquer mulher que se visse como ela e estive vendo um cara como ele. 

O filme basicamente irá mostrar o desenrolar do relacionamento dos dois, e é ai que fica estampado onde está o erro principal do filme: seu roteiro. Poucas são as vezes em que as palavras ditas pelos protagonistas não tentam sabotar toda aquela atmosfera tão bem criada pela diretora, parece até piada (e talvez seja) que aquelas frases tão didáticas e repetitivas estejam em tela, enquanto que todo o resto destoa devido a qualidade que o filme apresenta em todos os outros departamentos necessários para se fazer um bom filme. 

É justamente por pecar tanto no roteiro que não quero afirmar que o filme irá agradar a todos, já que uma parte tão importante de um longa ser quase patética dificulta qualquer elogio completo que eu possa fazer por ele. Um exemplo disso é a cena que gera o ''clímax'' desse primeiro filme: enquanto que a ação que deflagra tudo é ruim porque a trama do livro está altamente impregnada ali, a cena que realmente fecha o filme é linda e emocionante porque os demais elementos se sobressaem, como a atuação da protagonista e a escolha de como criar o gancho pro segundo filme.


A direção de Sam é tão segura e envolvente que dá até pena dela, já que é visível que ela está tentando transformar em algo de classe, algo que é claramente vagabundo. Seria como querer que uma Kardashian tivesse o estilo de Kate Middleton. A cena da discussão do contrato talvez seja a melhor do filme, porque é a única vez que a natureza do roteiro realmente se condensa com o estilo da diretora de forma quase uníssona. É bem latente o quanto a diretora está interessada em contar a história do casal, ela consegue criar um laço de tensão desde o primeiro encontro, e isso se estende ao longo do filme, da cena do helicóptero até as de sexo que exploram o lado ''selvagem'' de Christian.

É bom ressaltar que o filme é sobre Anastasia e Christian, e de nada adiantaria um bom roteiro ou uma boa direção se a dupla protagonista fosse insípida ou sem química, o que graças ao meu bom deus do cinema não acontece aqui. Muitas críticas foram feitas a forma sisuda que o Jamie Dornan aborda seu personagem, falaram que como ator ele é um ótimo modelo, que só tem rostinho bonito e blá, blá, blá, mas eu discordo, acho que ele é extremamente bem escalado pro papel em questão, e deixa transparecer tudo que o mesmo pede. Ele é misterioso, visivelmente problemático, mas ao mesmo tempo não deixa de ter presença forte e jeito sedutor, fora que sua cena de introdução é totalmente certeira.

Sobre a Dakota Johnson irei até reservar um espaço maior para falar dela, por motivos de: ela está excelente em cena. A única informação que eu tinha dela, era o fato de ser filha da atriz Melanie Griffith, ai vi um filme que ela até bem em cena, mas nada que me preparasse para o que ela faz nesse filme. Devo, quase que, totalmente a ela a empatia que eu criei por Anastasia, foi ela que me guiou por aquele novo mundo do Christian, que soube pontuar todas as suas emoções, cena por cena eu acabava por me sentir tragado a trama graças a genuinidade e sutileza com que Johnson tratava Ana, ela se desabrochava de forma tão natural, que ficava impossível de não se conectar com a personagem. E é preciso ser um ator muito bom para fazer com que uma personagem tão branda realmente crie um laço com o espectador, palmas pra ela por ser capaz de fazer isso.


Visualmente o filme é muito difícil de ser criticado, especialmente porque a cidade escolhida para ser palco de basicamente todo o longa, que é Seattle, ajuda a perpetuar aquele clima austero e cinzento (duh!) que ele prega. Todo o trabalho técnico tem uma sobriedade absurda, temos uma trilha muito linda de Danny Elfman, figurinos excelentes de Mark Bridges, uma fotografia certeira do Seamus McGarvey e uma montagem que deixa o filme fluir muito bem, um ponto para Anna V. Coates. 

Quando se associa todo esse aparato técnico a uma direção tão inteligente, e uma dupla de protagonistas tão boa, fica difícil não se decepcionar ao lembrar do roteiro tão meia-boca que é apresentado em tela. Porém, com um pouco de mente aberta não é difícil aproveitar a sessão do filme, então como bem diz a frase de divulgação do longa, ''perca o controle'', não vai fazer mal algum.

Uma sequência: A cena de sexo ao som de ''Haunted'' da Beyoncé, muito bem filmada e editada, é uma delícia para ver na telona.

Cotação:

sexta-feira, 5 de setembro de 2014

REVIEW: Noé - O conto biblíco pela visão extravagante de Aronofsky.





O novo filme de Darren Aronofsky é sobre a passagem bíblica de Noé, simples assim. Só que ir ao cinema esperando que o diretor tenha perdido seu tempo contando a história escrita na Bíblia sem mudar nada é um erro que qualquer espectador poderá cometer. Aronofsky nasceu como um ‘auteur’ e não seria por conta de uma produção milionária de um grande estúdio que o mesmo iria deixar de trabalhar seus temas no longa que está dirigindo, o que é de se agradecer, visto que contar a história de Noé passo a passo seria chato, didático e até errôneo para um diretor do nível dele.

A missão de criar uma arca para abrigar apenas um casal de cada espécie e assim deixar o resto à mercê da justiça divina no dilúvio mais famoso de todos os tempos é a sinopse base tanto da passagem bíblica quanto do filme em si. Só que o interesse maior aqui não é só contar uma história de forma bem feita, mas fazer um trabalho considerável de estudo de quem poderia ter sido Noé enquanto pessoa e seus pensamentos perante as tantas tarefas que lhe são asseguradas pelo ‘’criador’’. Isso bate muito de frente com os protagonistas do diretor, todos estão quase que à beira de uma crise completa e se veem perdidos em seus próprios receios, medos e afins. Em Noé a situação não difere muito do normal, mesmo que não trate as dúvidas desde o começo do longa, não demora muito para que os questionamentos comecem a atormentar Noé e façam com que ele se veja em dúvida da palavra do seu mestre maior.



Os monstros de pedra no melhor estilo Transformers até podem desviar um pouco a atenção, mas a narrativa do filme não se perde nem quando o vilão meio cartunesco de Ray Winstone aparece ou quando temos Anthony Hopkins em devaneios nas suas cenas como Matusalém, duas escalações bem acertadas, apesar dos problemas. Aliás, a escolha de Russell Crowe como o protagonista foi um tiro certeiro, sua presença de cena, acompanhada de bravura, sutileza e explosões pontuais, deve ser elogiada, há muito tempo ele não está tão bem.

O resto do elenco varia bastante, Jennifer Connelly não fica nem um pouco atrás de Crowe, dando uma performance sóbria durante todo o filme e explodindo no que vem a ser o melhor momento de sua carreira em pelo menos uma década. Douglas Booth não tem muito o que fazer.  E Emma Watson nem sempre dá conta do dever de casa. Mais opaca que ela, só mesmo Logan Lerman,  sua atuação só não é totalmente apagada porque ele tem muito tempo de cena, mas é feita quase que sem brilho e parece estar bem desconfortável com o papel que lhe foi dado.



Os efeitos são sublimes, as cenas do clímax são muito bem orquestradas e finalizadas, e nem precisa chover no molhado em elogios a trilha, que é quase um personagem, belíssima de Clint Mansell. É com um conjunto de acertos que passam por todos os departamentos determinantes para fazer um bom filme, que Darren Aronofsky entrega o que pode até ser seu filme menos pessoal, mas ainda assim consegue ser tanto um entretenimento cinematográfico para o grande público quanto uma visão singular de uma história pra lá de conhecida.

Cotação: e 1/2.

domingo, 2 de março de 2014

Oscar 2014: Opiniões e palpites sobre o que deve acontecer na noite mais badalada de Hollywood.





Hoje ocorre a 86ª edição do Oscar, e esse ano parece que a Academia conseguiu fazer uma seleção de filmes tão bons que a briga pelo prêmio principal deve ser entre duas obras de nível altíssimo. Vou postar aqui minhas previsões e opiniões nas categorias principais. 

- Melhor Filme:

Trapaça
Clube de Compras Dallas
Capitão Phillips
Gravidade
Ela
Nebraska
Philomena
12 Anos de Escravidão
O Lobo de Wall Street



Quem vence: A briga é entre Gravidade e 12 Anos de Escravidão. Porém, o filme sobre a escravidão fala mais alto com os votantes pela importância histórica absurda, junte isso a eles não serem lá muito fãs de ficção científica e deve dar mesmo o filme de Steve McQueen.

Quem deveria vencer: Não tendo visto 3 dos indicados (Philomena, Capitão Phillips, e o favorito, 12 Anos de Escravidão), creio que daria a vitória a O Lobo de Wall Street ou Gravidade. O primeiro pela capacidade de contar uma história tão louca de uma forma mais absurda ainda, mostrando que Scorsese ainda choca mesmo na casa dos 70. O segundo pelo, quase, milagre estético que Cuarón imprimiu em sua obra.

Quem deveria estar ai: Não exigo a indicação de um filme francês como Azul é a Cor Mais Quente ou uma animação japonesa como Vidas ao Vento, mas a falta de pequenos filmes que falam muito como Frances Ha e Antes da Meia-Noite, sendo que incluíram obras como Trapaça e Clube de Compras Dallas é um exemplo que a Academia sempre tem que errar.

- Melhor Diretor:
David O. Russell - Trapaça
Alfonso Cuarón - Gravidade
Alexander Payne - Nebraska
Steve McQueen - 12 Anos de Escravidão
Martin Scorsese - O Lobo de Wall Street




Quem vence: Não tem outra, mesmo que McQueen ameace pelo amor a seu filme, a estatueta deve ficar mesmo com o mexicano Alfonso Cuarón.

Quem deveria vencer: Não vi o trabalho de Steve McQueen, mas não tenho dúvidas que Cuarón será das vitórias mais merecidas da noite. Seu trabalho de direção sucumbiu numa experiência visual de fazer James Cameron chorar tamanha a perfeição de imagem que o diretor colocou em tela.

Quem deveria estar ai: Bem que a Academia poderia ter trocado o trabalho fraco do O. Russell pela coisa tocante que foi a forma como o Spike Jonze conduziu ''Ela''.

- Melhor Ator:
Christian Bale - Trapaça
Bruce Dern - Nebraska
Leonardo DiCaprio - O Lobo de Wall Street
Chiwetel Ejiofor - 12 Anos de Escravidão
Matthew McCounaghey - Clube de Compras Dallas


Quem vence: Existe torcida pra Ejiofor e DiCaprio, mas duvido muito que após tanta campanha e perda de peso alguém tire esse careca dourado de Matthew McCounaghey.

Quem deveria vencer: Não vi Ejiofor, mas posso afirmar que a vitória de DiCaprio seria linda por N motivos. Não é só porque ele é, provavelmente, o maior astro de Hollywood mesmo depois de anos do estouro de Titanic, mas é porque a dinâmica em como ele agrega o exagero e a loucura de seu personagem a si é coisa de quem sabe o que está fazendo, tornando a performance mais natural de sua carreira uma em que ele, justamente, está insano.
Quem deveria estar ai: Gosto de todos os que eu vi, mas tiraria o ex-Batman facilmente para incluir o trabalho terno e amoroso de Joaquin Phoenix em ''Ela'' na lista.

- Melhor Atriz:
Cate Blanchett - Blue Jasmine
Amy Adams - Trapaça
Sandra Bullock - Gravidade
Judi Dench - Philomena
Meryl Streep - Álbum de Família



Quem vence: Não tem para ninguém, é Cate Blanchett na cabeça.

Quem deveria vencer: Não vi Miss Dench (mas pelo histórico dela, nem preciso), mas Cate Blanchett não é só a melhor do ano, mas uma das performances mais incríveis do cinema. Poucas atrizes concebem método em atuação como Blanchett, aliando isso a uma personagem deliciosa, e o resultado não poderia ter sido melhor.

Quem deveria estar ai: Gosto demais de Sandra Bullock, mas Gravidade passa longe de ser um filme de personagem. Então, uma indicação para Adèle Exarchopoulos, Greta Gerwig ou Julie Delpy no lugar de Bullock teria sido bem mais interessante.

- Melhor Ator Coadjuvante:
Barkhad Abdi - Capitão Phillips
Bradley Cooper - Trapaça
Jared Leto - Clube de Compras Dallas
Michael Fassbender - 12 Anos de Escravidão
Jonah Hill - O Lobo de Wall Street




Quem vence: Perder um Oscar fazendo um transexual com AIDS? Meio difícil, não é mesmo? E não vai ser Jared Leto que irá fazer isso. O vocalista do 30 Seconds to Mars vai vencer facilmente.

Quem deveria vencer: Estou desfalcado por não ter visto nem Abdi ou Fassbender, duas concorrências diretas de Leto, mas posso afirmar que ficarei - até - feliz com a vitória de Jared, mesmo que o roteiro utilize dele mais como um tipo, e muito da força de sua atuação seja pela caracterização do que por existir um personagem em si. Porém, se chamarem o nome de Jonah Hill eu iria vibrar demais, o trabalho cômico, mas totalmente certeiro de Hill em ''O Lobo de Wall Street'' balanceia tão perfeitamente com o de DiCaprio que é de se ficar besta.
Quem deveria estar ai: Posso começar a listar uns 50 nomes melhores que o Bradley Cooper, num trabalho pavoroso de ''atuação'' como o que ele fez em Trapaça. E o desespero para vê-lo fora dos indicados é tanto que eu até compro Will Forte, Jake Gyllenhaal ou Daniel Brühl de coadjuvantes em seus filmes.
- Melhor Atriz Coadjuvante:
Lupita Nyong'o - 12 Anos de Escravidão
Sally Hawkins - Blue Jasmine
June Squibb - Nebraska
Jennifer Lawrence - Trapaça
Julia Roberts - Álbum de Família


 Quem vence:  É a disputa entre duas pessoas mais direta do ano. É Nyong'o vs. Lawrence, a primeira vencendo o Critics Choice e o SAG (Sindicado de Atores) e a segunda com as vitórias no Globo de Ouro e BAFTA (O Oscar britânico). Eu ainda acredito que a vitória recente e a idade irão prevenir que Lawrence vença de novo, e espero mesmo que dê Lupita Nyong'o.
Quem deveria vencer: Infelizmente não vi Lupita, mas das 4 demais fico com June Squibb. Sua personagem é incrível e a força cômica bem sútil de Squibb em dizer suas falas é um charme absurdo para essa senhora de 84 anos.
Quem deveria estar ai: Como é uma categoria bem aberta e sempre existem personagens femininos coadjuvantes nos filmes, preciso citar várias. Entre elas temos Lea Seydoux em Azul é a cor mais Quente, Lili Taylor em Invocação do Mal ou Emma Watson em Bling Ring. Provavelmente tiraria a Jennifer Lawrence, mas passo longe do ódio que outros nutrem pela moça.

- Melhor Roteiro Original: Creio que será de Ela, mas se der Trapaça não me surpreenderia.
- Melhor Roteiro Adaptado: Torço por Antes da Meia-Noite, mas é o prêmio mais certo de 12 Anos de Escravidão.
- Melhor Animação: É de Frozen e ninguém pega, mas uma vitória surpresa de Vidas ao Vento me faria muito feliz.
- Melhor Filme Estrangeiro: Deve ficar mesmo com o italiano A Grande Beleza, não vi A Caça, mas prefiro A Imagem que Falta.
- Melhor Documentário: O Ato de Matar, mesmo tendo gente que acredite na vitória de 20 Feet from Stardom ou The Square.
- Melhor Curta de Documentário: The Lady in Number 6: Music Saved my Life. A senhora que tá nele faleceu tem umas 2 semanas.
- Melhor Curta: Helium.
- Melhor Curta de Animação: Get a Horse!, por que é Disney.
- Melhor Trilha Sonora: Gravidade, embora Desplat por Philomena e Newman por Saving Mr. Banks não tem Oscar, ai bem que um deles podia vencer.
- Melhor Canção Original: Let It Go de Frozen, e o U2 que não venha estragar a festa.
- Melhor Edição de Som: Gravidade, porque mesmo tendo filmes de guerra e em alto mar na disputa, Gravidade deve rapar todos os técnicos.
- Melhor Mixagem de Som: Gravidade, por que sim.
- Melhor Design de Produção: O Grande Gatsby, mas uma surpresa de 12 Anos de Escravidão é possível.
- Melhor Fotografia: Gravidade, e será merecido.
- Melhor Maquiagem e Cabelo: Clube de Compras Dallas, mas se der Vovô Sem Vergonha será demais.
- Melhor Figurino: O Grande Gatsby, porque Catherine Martin é rainha. Porém, Trapaça pode prevalecer aqui, ou até 12 Anos de Escravidão.
- Melhor Montagem: Gravidade, mas temo que Capitão Phillips pode surpreender.

- Melhor Efeitos Visuais: Gravidade, duh!

sábado, 20 de abril de 2013

REVIEW (curta): Oblivion - Visual x História... o último sempre precisa vencer.




Um sono puro. Sério, o roteiro por si só nem é ruim e cria alguns plot twists e uma história palpável caso o Kosinski (diretor do filme) conseguisse segurar o longa, mas isso é uma coisa que ele não faz. Assim como quando dirigiu Tron: O Legado (2010), o diretor acabou se afogando em estilo e esquecendo como criar uma atmosfera e instigar o público a querer entrar naquele mundo que tinha grandes chances de ser interessante, mas acaba apenas por entendiar. Tom Cruise nasceu pra ser astro e domina a tela muito bem, Freeman é sempre excelente e achei Andrea Riseborough um arraso só, mas claro que tinha que ter uma coitada de nome Olga Kurylenko para prejudicar o filme também no departamento de elenco, ficava pasmo com as caretas e a presença nula em cena dessa moça, chega a dar dó. Com um visual apetitoso, mas um roteiro totalmente sem sal e um ritmo despariado, Oblivion (idem, 2013) - que significa esquecimento - me lembrava a todo momento que estava longe de acabar e no fim só me fez querer esquecer a própria sessão, um verdadeiro pastel de vento.

domingo, 24 de fevereiro de 2013

Oscar 2013: Quem leva, quem deveria levar e quem faltou na edição desse ano da maior festa do Cinema.





Hoje, dentro de poucas horas, ocorrerá a 85ª edição do prêmio da Academia de Cinema, Arte e Ciência, ou seja, o Oscar. A premiação é a mais velha de qualquer midía e a mais prestigiada também, mesmo cometendo delitos como premiar 'Uma Mente Brilhante', 'Crash' e 'O Discurso do Rei' como melhores filmes de seus respectivos anos. Sempre comentada, para o bem ou para o mal, a seleção desse ano se mostrou a melhor em muito tempo (talvez desde a seleção que consagrou 'Os Infiltrados' vencedor) e nos dá a esperança de que a festa renderá ótimas vitórias. Com as informações que já sairam, esperem uma cerimônia muito luxosa e com muita música, especialmente o segundo fato. 

Aqui vou dizer quem eu acho que vence, quem deveria vencer (dos indicados) e quem deveria ter sido indicado (e até deveria estar vencendo):

- Melhor Filme:

Indomável Sonhadora
O Lado Bom da Vida
A Hora Mais Escura
Lincoln
Os Miseráveis
As Aventuras de Pi
Amor
Django Livre
Argo



Quem vence: Argo - O filme venceu basicamente todos os prêmios que precedem o Oscar e além de ser bom, é fácil de ser visto e comprado, nada muito desafiador como Indomável Sonhadora ou Amor, por exemplo.

Quem deveria vencer: Dentre os indicados eu tenho 3 favoritos, são eles Amor, A Hora Mais Escura e As Aventuras de Pi. Eu acabaria votando em Amor, mais pelo tema e abordagem do filme de Haneke terem me pegado por completo.

Quem deveria estar ai: Looper ou 007 - Operação Skyfall, duas obras muito bem feitas e que trazem um toque pessoal que dignifica seus estilos hoje banalizados, é até triste que mesmo com todo o lobby possível, o filme de James Bond tenha ficado de fora.

- Melhor Diretor:

Michael Haneke - Amor
Ang Lee - As Aventuras de Pi
David O. Russell - O Lado Bom da Vida
Steven Spielberg - Lincoln
Benh Zeitlin - Indomável Sonhadora



Quem vence: A categoria mais polêmica do ano, por esnobar não só 1, mas 2 dos favoritos a vencer: Ben Affleck por Argo e Kathryn Bigelow por A Hora Mais Escura. Tirando o novato Zeitlin, os outros quatro poderiam vencer, mas acho que aqui é uma boa forma de premiarem David O. Russell, que teve o filme bem mais amado do que a maioria achava, ele estar indicado também pelo roteiro não o prejudica, mas nem se assuste se Spielberg vencer, ou Haneke, ou Lee...

Quem deveria vencer: Queria dizer Haneke, mas a magia e a visão tão singela, mas jamais simplicista, de Ang Lee ainda me apetecem demais, o uso do 3D ser magnífico e o fato dele ter conseguido, finalmente, transpor esse livro pro cinema também ajudam nessa opinião.

Quem deveria estar ai: Ainda não vi o novo filme de Paul Thomas Anderson, meu atual diretor favorito, mas jamais entenderei como esnobaram a direção vigorosa e extremamente competente de Kathryn Bigelow por A Hora Mais Escura, em certos momentos a mulher de mais de 60 anos dá uma aula de ambientação e jogo de cena.

- Melhor Ator:

Bradley Cooper - O Lado Bom da Vida
Daniel Day-Lewis - Lincoln
Hugh Jackman - Os Miseráveis
Joaquin Phoenix - O Mestre
Denzel Washington - O Vôo




Quem vence: Daniel Day-Lewis por Lincoln, é quase inacreditável que o Sr. Lewis vai vencer sua terceira estatueta apenas cinco anos desde sua segunda vitória, isso porque vencer 3 Oscars de atuação é algo raro e apenas 4 outros atores fazem parte deste clube. Mas a performance de Lewis varreu desde os prêmios da crítica até o último prêmio televisado, ele ser considerado o melhor ator vivo por muitos e estar interpretando ninguém menos que Abraham Lincoln só o ajuda.

Quem deveria vencer: Um consenso virtual é que esse prêmio deveria ser de Joaquin Phoenix em O Mestre, mas como eu disse, não vi o filme, e por tal motivo acho que Daniel Day-Lewis merece e muito esse Oscar, mesmo adorando a performance dos outros 3 atores, especialmente Cooper que me foi uma surpresa enorme em O Lado Bom da Vida.

Quem deveria estar ai: Jean-Louis Trintignant por Amor, um homem que acima dos 80 anos divide a tela com a indicada Emmanuelle Riva e simplesmente formam o casal mais terrivelmente bem concebido do ano passado, se a direção e o roteiro de Amor criam a base para a veracidade daquela dupla, é Trintignant que garante um leque de emoções que deixa o espectador aturtido, tamanha a força da presença dele em cena.

- Melhor Atriz:

Jessica Chastain - A Hora Mais Escura
Jennifer Lawrence - O Lado Bom da Vida
Emmanuelle Riva - Amor
Quvenzhané Wallis - Indomável Sonhadora
Naomi Watts - O Impossível




Quem vence: Jennifer Lawrence em O Lado Bom da Vida, existe uma briga entre ela e Riva, com Chastain correndo por fora, mas essa mulher que se tornará a segunda mais jovem vencedora da categoria tem diversos atributos para garantir a vitória, a sua performance natural e bastante exposta de uma mulher recentemente viúva ganhou elogios desde a primeira vista e é essa mesma espontaneidade que levará Lawrence a vitória, mas não se assustem caso Jean Dujardin chame o nome de uma tal conterrânea quando abrir o envelope.

Quem deveria vencer: Tendo visto todas as indicadas, posso afirmar que o trio Lawrence-Chastain-Riva é incrívelmente forte e merecedor. Pessoalmente, eu acharia lindo ver Riva levando essa estatueta, mas acho a personagem de Jessica Chastain mais desenvolvida e tem uma cena final arrebatadora, por isso acabaria votando na protagonista de A Hora Mais Escura, mas caso Lawrence vença mesmo, não guardo rancor.

Quem deveria estar ai: Rachel Weisz em The Deep Blue Sea, uma performance tão transcendente que ficou latente para mim todo o sofrimento, amargura e angústia que a personagem de Weisz passou. Rachel vem se mostrando uma atriz cada vez mais brilhante e essa performance é não só a maior da carreira dela, mas uma das grandes dos últimos anos.

- Melhor Ator Coadjuvante:   

Alan Arkin - Argo
Robert De Niro - O Lado Bom da Vida
Philip Seymour Hoffman - O Mestre
Tommy Lee Jones - Lincoln
Christoph Waltz - Django Livre




Quem vence: Categoria mais aberta dentre as de atuação, acho que tirando Arkin, (que está ocupando a vaga de alguém merecedor) todos os outros tem chance de vencer. O filme de Hoffman é pequeno e controverso, o que mais prejudica De Niro é que esse seria seu terceiro Oscar e seria por algo muito menor que suas vitórias anteriores e o pior contra de Waltz é a sua vitória ter ocorrido apenas 3 anos atrás num filme do mesmo diretor. Tommy Lee Jones é a minha aposta pela força de sua excelente performance, por ser apenas seu segundo Oscar e pela vitória no sindicato de atores umas semanas atrás.

Quem deveria vencer: Não vi Hoffman, então se a minha previsão se fizer correta eu ficarei muito feliz, acho a performance completa de Tommy Lee Jones um acerto de tom, presença e caracterização. Fora que suas cenas no tribunal são dos melhores momentos de Lincoln.

Quem deveria estar ai: Javier Bardem que deu uma interpretação tão deliciosamente divertida, mas muito bem construida e amparada no último 007 que é difícil não simpatizar com seu vilão. Existiu cena de coadjuvante mais perfeita que a introdução de Silva? Pois é, eu não vi.

- Melhor Atriz Coadjuvante

Amy Adams - O Mestre
Sally Field - Lincoln
Anne Hathaway - Os Miseráveis
Helen Hunt - As Sessões
Jacki Weaver - O Lado Bom da Vida



Quem vence: É a barbada da noite, pode ter certeza que ninguém tira esse careca dourado das mãos de Anne Hathaway na adaptação pro cinema do musical Os Miseráveis, a melhor forma de premiar o filme e o momento certo de premiar a atriz, que já deve entrar pra história do cinema com seus pouco mais de cinco minutos de close-up cantando I Dreamed A Dream, a música mais popular do musical.

Quem deveria vencer: Estou desfalcado aqui porque não vi as duas que dizem ser tão boas quanto Hathaway: Adams e Hunt, mas tendo visto Field e Weaver, eu digo sem problemas: VAI LÁ, HATHAWAY! A rendição de Anne toma uma proporção que jamais foi vista e num misto de raiva e arrependimento, nós vemos uma das cenas mais dilacerantes do ano, bravissíma.

Quem deveria estar ai: Emily Blunt em Looper, a inglesa já deveria estar indo para sua terceira indicação (as esnobadas por 'O Diabo Veste Prada' e 'A Jovem Rainha Vitória' são ridículas), mas foi novamente esnobada pela sua atuação em Looper, é Blunt quem coloca um pouco de humanidade naquela ficção científica maravilhosa e todas as cenas em que envolvem seu filho, a mulher manda no longa.

- Melhor Roteiro Original: Vai dar Django Livre, com chances de Amor. Eu premiaria A Hora Mais Escura

- Melhor Roteiro Adaptado: É de Argo, mas o upset de Lincoln é fácil de acontecer. Torço por Lincoln a vida toda

- Melhor Animação: Valente vs. Detona Ralph, acho que a Pixar volta a reinar. Só vi esses dois, premiaria Detona Ralph, pelo frescor e diversão da fita.

- Melhor Filme Estrangeiro: Franco favoritos adoram perder aqui, mas não tem como não dar Amor. Tendo visto Amor e No, fico com o filme de Haneke mesmo.

- Melhor Documentário: Searching for Sugar Man, barbada.

- Melhor Curta de Documentário: Open Heart.

- Melhor Curta: Curfew

- Melhor Curta de Animação: Paperman, lindo demais, vejam.

- Melhor Trilha Sonora: As Aventuras de Pi, mas vejam Argo dando upset. A trilha de Pi é a mais linda mesmo, já que não indicaram a de Indomável Sonhadora.

- Melhor Canção Original: Skyfall de Adele, e será muito merecido.

- Melhor Edição de Som: As Aventuras de Pi, mas um filme thriller como A Hora Mais Escura pode surpreender.

- Melhor Mixagem de Som: As Aventuras de Pi, mas vejam um musical com cantoria ao vivo como Os Miseráveis vencendo sem muita surpresa.

- Melhor Design de Produção: Anna Karenina, que eu não vi, por isso fico com Os Miseráveis.

- Melhor Fotografia: As Aventuras de Pi, eu acho a de Pi a melhor e mais linda, mas como torço pra Deakins por Skyfall quebrar o jejum de 9 derrotas.

- Melhor Maquiagem e Cabelo: Os Miseráveis, mas nem me espanto se O Hobbit levar aqui.

- Melhor Figurino: Anna Karenina, e eu nem preciso ver para saber que a excelência de Jacqueline Durran é imbatível, mas se tiver um upset aqui será do horrível Espelho, Espelho Meu, só porque sua figurinista faleceu.

- Melhor Montagem: Argo, e será seu único prêmio merecido.

- Melhor Efeitos Visuais: As Aventuras de Pi, afinal, quem não acho que aquele tigre era de verdade? lol Mas eu premiava Prometheus.