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domingo, 3 de fevereiro de 2019

2018 no Cinema


Fica meio estranho ter filmes como ''Me Chame pelo seu Nome'' junto de ''Roma'', né? Uns parecem ser de 2017 e outros de 2018, se bobear até 2019. Porém, como critério para o meu top pessoal, eu escolho sempre levar em consideração lançamentos no mercado brasileiro. É difícil fechar só dez longas quando se assiste tantos filmes, por isso ficam aqui as menções honrosas que por pouco não entraram na lista:


- O Sacrifício do Cervo Sagrado
- Primeiro Homem (foto)
- O Processo
- Benzinho
- Custódia
- Missão Impossível - Fallout
- Pantera Negra

Porém, vamos direto ao que interessa e assim que ficou o meu ranking dos 10 filmes que mais gostei lançados aqui no ano passado:

sábado, 3 de fevereiro de 2018

Cinema em 2017: Meus favoritos



Finalmente em minha última lista e quem me conhece sabe que não tem arte que eu aprecie mais do que cinema, fazer esse top foi complicado, mas tentei ser o mais honesto, direto e plural possível. Aproveitei muito minha mudança para São Paulo visto que aqui basicamente todos os filmes conseguem ao menos uma sala, fazendo com que eu visse muita coisa que em Maceió iria precisar esperar o download, e a experiência de ver algo em casa jamais será a mesma coisa que no cinema, né verdade? Entre obras que quase entraram temos ''Divinas Divas'' (foto acima), a animação ''A Tartaruga Vermelha'', a dramédia ''Toni Erdmann'', o drama ''A Criada'' e o documentário ''Eu Não Sou Seu Negro''. Dos piores filmes do ano fico entre a chatice de ''Rodin'', a péssima nova ''50 Tons Mais Escuros'' ou o horror, involuntário, que foi ''Alien: Covenant''. Abaixo a lista, lembrando que faço a mesma baseado nos lançamentos comerciais no Brasil de 1 de Janeiro a 31 de Dezembro.


10. Uma Mulher Fantástica (Una Mujer Fantastica, Sebastián Lelio): Em um drama sobre uma mulher transexual que busca se estabelecer após a morte de seu namorado, o longa do diretor chileno Sebastian Lelio quebra tudo que você acredita saber sobre filmes LGBT nos inserindo em um mundo ''comum'' dentro do panorama de uma incrível personagem principal que tem sim lugares comuns, porque eles existem, mas que desenvolve camadas que fazem com que Daniela Veja brilhe em cena.


9. Corra! (Get Out, Jordan Peele): Quantos filmes conseguem unir terror, drama, comédia e critica social de uma forma inventiva, e por que não dizer original? Poucos, mas essa é uma façanha que Peele, um famoso comediante americano, conseguiu realizar em seu primeiro projeto enquanto diretor. ''Corra!'' é uma alegoria sobre questões raciais muito bem embrulhada em um filme que mistura e desafia gêneros sem nunca deixar a peteca cair, é um clássico contemporâneo que o tempo só ira confirmar. O elenco está um arraso, Daniel Kaluuya é uma revelação, e a cena da hipnose já nasce icônica.


7. O Estranho que Amamos (The Beguiled, Sofia Coppola): Em um momento de renascimento após uns projetos de fins duvidosos, o remake de Coppola é uma das experiências cinematográficas mais incríveis que tive ano passado. Cena após cena, Sofia dá uma aula de direção criando uma ambientação irretocável e cenas memoráveis, é um trabalho tão visivelmente bem feito que é impossível chegar naquela última cena do filme sem estar em total êxtase. Todo o aparato técnico é um desbunde sem tamanho e o elenco composto basicamente só de mulheres é um estouro em cena, com destaque para um ingênua Kirsten Dunst e uma ferrenha Nicole Kidman.


7. Mulheres do Século 20 (20th Century Women, Mike Mills): Um dos meus maiores amores dos filmes de 2017, é um ''filme vida'', eu poderia ficar mais dez horas com esses personagens de tão cativantes que eles são, Mike Mills podia fazer, sei lá, uma minissérie pra HBO dessa turma e seria lindo demais. O roteiro é lindo (criativo, inusitado, cheio de personagens maravilhosos), o elenco é o melhor do ano junto de Moonlight e até Elle Fanning que tenho birra, me cativou aqui. Ah, Annette Bening dá a performance da vida dela aqui, um verdadeiro show de contenção, algo tão inusitado para uma atriz tão normalmente over.



6. Baby Driver (idem, Edgar Wright): O último trabalho do sempre inventivo Edgar Wright é um dos melhores orgasmos cinematográficos da década, em ''Baby Driver'' temos uma ação instalada desde o primeiro momento do filme que jamais se dilui, a medida que você aceita entrar nesse mundo, é impossível não ficar vidrado em tela. O elenco, fenomenal, ajuda ainda mais na imersão do longa visto que todos estão completamente imersos em seus personagens, e a trilha é nada menos que perfeita. O roteiro consegue até incorporar várias partes de músicas famosas no texto, até ''Hollaback Girl'' da Gwen Stefani, e isso é apenas a cereja do bolo dessa tão surpreendente obra.


5. Bom Comportamento (Good Time, Safdie Brothers): É um filme totalmente ligado no ácido da câmera dos diretores a trilha alucinada, passando pelo roteiro que vai enfiando o pé na jaca cada vez mais até chegar na performance inacreditável de Robert Pattinson. Fiquei extremamente agitado no cinema, sempre achava que a merda iria piorar, e quase sempre era isso que ocorria. E o que falar de  Pattinson, que nunca me desceu, mas aqui está tão sincronizado ao personagem que simplesmente se torna o filme per si, algo na vibe do que Jake Gyllenhaal fez em ''O Abutre'' e Sally Hawkins fez em ''Simplesmente Feliz''. 


4. Jackie (idem, Pablo Larrain): Um filme que quebra os moldes comuns de uma biografia convencional, o longa se trata de um grande estudo de personagem, e talvez seja a melhor saída para contar uma história tão forte no imaginário popular. A utilização, máxima, da ''mise en scène'' no filme gera um virtuosismo estético que dialoga bastante com o tema e o mundo aqui retratado, de forma inteligente, cativante e muito perspicaz não acho que requer tanto do espectador para que ocorra uma completa imersão no tom da obra. E para que o pulo no filme seja completo, a performance de Natalie Portman é inteligentíssima, delineada e finalizada de forma irretocável.

''I know it sounds a bit bizarre,
but in Camelot, Camelot...that's how conditions are''.


3. Manchester a Beira Mar (Manchester by the Sea, Kenneth Lonergan): Após muitos anos, a volta de Lonnergan na indústria americana foi realmente por cima, em um dos grandes dramas da década, vemos a deterioração de uma pessoa após um fato trágico quase como uma expiação de dentro pra fora, se é que existe algo lá, embora na cena que represente a foto acima a personagem de Michelle Williams, na definição de ladra de cena, afirme que ''você não pode simplesmente morrer'', é através da performance de Casey Affleck que percebemos que você pode sim. É duro, é seco, é real.


2. La La Land (idem, Damien Chazelle): O longa é uma grande ode a representação do gênero musical mundial ao cinema. Musicais em seu auge sempre foram uma forma de escapismo total do grande público e quase sempre envolviam história de amor com belos finais felizes. Para emular isso o filme conta com uma direção inspirada e completamente genuína de alguém que não só entende de dirigir, mas que visivelmente é apaixonado pelo gênero em tela, e completando tudo temos uma dupla central que emana química e dá tudo de si para com seus personagens. Se Gosling tem um, que seria chatíssimo nas mãos de alguém menos carismático, e Emma Stone que tem a personagem vibrante, que cativa e dialoga diretamente com o público, dando possibilidades reais para a jovem atriz brilhar do drama (a cena em frente a sua casa) a comédia (''I Ran''), de dançar em uma singela emulação de Ginger Rogers até ter um grande solo digno do auge de Judy Garland. Filmaço. Inesquecível.


1. Moonlight (idem, Barry Jenkins): Sem delongas, uma Obra-Prima sem antecedentes. 

A última conversa entre Chiron e Kevin, a última que demora muito pra Chiron abrir a boca e soltar algo que me deixou paralisado. O olhar devastado de Trevan Rhodes, que atuação senhorxs! A supressão daquilo tudo, do seu ser, a blindagem necessária para crescer e nisso usar de exemplo a única forma de amor que ele conheceu, a única figura que realmente lhe foi presente. O filme te quebra, Jenkins é um gênio e Moonlight é infinito, basicamente indescritível. Só isso a falar. Vejam.











terça-feira, 6 de janeiro de 2015

Top 10 de Filmes de 2014



          Adoro fazer listas e com cinema não é diferente, mas esse ano decidir divulgar minha lista de filmes que mais me marcaram no ano, acredito que todos são bons em sua maneira e deixaram algo na experiência que tive ao vê-los. Decidi deixar como critério que só entrariam filmes lançados nos cinemas brasileiros de 1 de Janeiro até dia 31 de Dezembro, por isso a lista contém filmes lançados nos Estados Unidos tanto em 2013 quanto em 2014.
     
          10 filmes é pouco até para mim que ando vendo poucos filmes no ano, por isso gostaria de deixar uma menção honrosa para alguns que falharam em entrar na lista, são eles: Vidas ao Vento (The Wind Rises, Hayao Miyazaki), Inside Llewyn Davis - Balada de um Homem Comum (Inside Llewyn Davis, Coens Brothers), O Congresso Futurista (The Congress, Ari Folman), e o melhor filme pipoca do ano passado, X-Men: Dias de um Futuro Esquecido (X-Men: Days of Future Past, Bryan Singer).

           Sem mais delongas, aqui estão os dez selecionados como os melhores longas de 2014 para mim:


10º - A Imagem que Falta (L'image manquante, Rithy Panh)

        
               O filme de Rithy Panh é o único documentário que vi no ano e, provavelmente, é o que mais me tocou enquanto ser humano. O longa conta como um regime comunista dizimou milhões de pessoas no Camboja, uma experiência arduamente vivida pelo próprio diretor. O nó na garganta que um pequeno boneco de argila consegue deixar no espectador vendo o filme beira o inacreditável, nunca com tão pouco se conseguiu passar tanto sofrimento.

9º - O Abutre (Nightcrawler, Dan Gilroy)

       
           A responsabilidade de ambientar o filme é algo que pertence ao diretor do mesmo, mas em O Abutre isso fica a cargo da performance excepcional de Jake Gyllenhaal. O ator imerge no personagem criando que é preciso para que a atmosfera do filme aconteça, do ar soturno até o mais puro cinismo. O elenco coadjuvante conta com Rene Russo e Riz Ahmed em personagem completamente distintos, mas altamente necessários para dar vida aquela trama tão bizarra, mas crível do quanto a mídia pode ser horripilante quando quer.

8º - Relatos Selvagens (Relatos Salvajes, Damián Szifrón)


                     Irei admitir que esse filme argentino trata violência e vingança de uma forma bem ''chapa branca'' por assim dizer, mas isso não impede que cada situação abordada pelos contos individuais sejam sensacionais em sua própria maneira. Claro que nem todas estão no mesmo nível, mas nenhuma é menos que ótima e criam uma sequência de absurdos que são uma delícia de se assistir. Porém, o destaque é mesmo do último conto que é intitulado ''Até que a morte nos separe'', onde vemos Érica Rivas (que está brilhante, diga-se) ensandecida ao descobrir uma traição no dia do seu casamento, ''Vou colocar isso pros meus filhos verem no lugar de Dora, a Aventureira''.

7º - 12 Anos de Escravidão (12 Years a Slave, Steve McQueen)


                   Eu poderia morrer de elogios a direção, elenco, roteiro e toda a parte técnica absurda do filme de McQueen, mas palavras não são suficiente para o tamanho dessa obra. O filme é o testamento mais cru, verdadeiro, cruel e triste em forma de ficção desse que é o episódio mais nojento feito pelo homem. Cada cena é mais e mais forte, sempre querendo deixar claro não somente o que acontecia, mas também o quão consciente ambos os lados estavam daquela situação. A cena que envolve Patsy (Lupita Nyong'o, em uma atuação para a vida toda) e um sabonete já é épica por todos os motivos mais tristes do mundo.

6º - Nebraska (Nebraska, Alexander Payne)


                     Nebraska é o filme que mais me surpreendeu no cinema esse ano, já que mesmo tendo ouvido coisas boas do filme e até curtindo os trabalhos anteriores do diretor (Os Descendentes e Eleição são ótimos), nada me preparou para a melancolia tão inerente que esse filme deixa na gente. Tirando umas e outras cenas que a excelente June Squibb está soltando suas farpas, o resto do filme todo te deixa um pouco para baixo, seja pela fotografia em preto & branco ou pela simplicidade dos personagens e seus atores em cena, que inclui um Bruce Dern tão cativante que é difícil de quantificar a força de sua atuação. Mais uma vez Payne traz as estrelas de Hollywood para seu momento ''pé no chão'', mas dessa vez com algo diferente, que pouco sei explicar, mas que tocou ali bem no fundo, talvez seja algo tão simples que eu nem precise mesurar em palavras, e devo só sentir, como fiz por toda a projeção desse belo ''pequeno-grande'' filme.

5º - Ela (Her, Spike Jonze)


                     Não existe tema que mais amo no cinema que relações pessoais, e o filme de Jonze é uma bela leitura do assunto nos tempos modernos. E não se engane com o futuro que está sendo retratado no filme, ele está dialogando diretamente com toda a tecnologia atual que nos permite amar, viver, nos encontrar e encontrar a tantos outros de forma tão distante como nunca antes no mundo foi capaz. É criando um sentimento tão puro e simples que o diretor nos conecta a um homem (Joaquin Phoenix em mais uma atuação excelente) e seu amor por um robô, e por mais estranho que isso possa soar falando agora, na tela é criado uma aura que impede que você pense que aquele amor não possa existir, como tantos outros que existem pelo mundo afora.

4º - Era uma vez em Nova York (The Immigrant, James Gray)


                     Esse filme é uma coisa linda demais, é basicamente uma pintura de tamanha que é a excelência de James Gray por trás da câmera. Onde o roteiro jamais surpreende, mas nem por isso é básico, vemos que o diretor sabe exatamente como contar a história usando as cenas certas para explicitar o necessário, esse resultado também se deve aos dois atores da foto que estão excelentes (Cotillard, aliás, hipnotiza fácil com o olhar), e toda a parte técnica que nunca é menos que excepcional. A fotografia é um deleite a parte, e a cena final é um take para nunca esquecer.

3º O Lobo de Wall Street (The Wolf of Wall Street, Martin Scorsese)


                     É de se duvidar que esse filme tenha, basicamente, três horas de duração, já que Scorsese mantém o nível de loucura e insanidade lá em cima durante todo o tempo do longa. 'Lobo' é o filme mais cômico do diretor em décadas, e é de se abismar que com seus 70 e poucos anos, Scorsese ainda consiga ter um vigor e visão para os temas que ele aborda em cena. O elenco está todo afiado, mas um dos maiores trunfos do filme é a atuação totalmente entregue de Leonardo DiCaprio a um personagem que vive no limite de tudo que faz. Afinal, alguém consegue esquecer a hilária cena de Jordan tentando entrar no seu carro depois de tomar algo um pouco pesado? Épico.

2º O Grande Hotel Budapeste (The Grand Budapest Hotel, Wes Anderson)


                        O último filme de Wes Anderson é apenas mais uma prova da destreza que esse homem tem em impregnar qualquer tipo de história sob seu olhar único, e consideravelmente pitoresco. É quase impossível não identificar uma obra de Anderson, seja pela montagem, pelo roteiro, pelos personagens ou pelas cores, tudo grita o nome do diretor e isso é fantástico. Em ''Budapeste'' o diretor cria um quase thriller que gera um ânimo no espectador em boa parte do filme, ele conta com a ajuda de um elenco extremamente pontual e um protagonista iluminado, fazia anos que Ralph Fiennes não entregava algo no nível do trabalho dele aqui. Como uma pedra rara e única, esse filme talvez não salte aos olhos de todos, mas quem conseguir enxergar suas qualidades, com certeza ficará encantado para sempre.

1º - Garota Exemplar (Gone Girl, David Fincher)


                      Me inclua no time que acha que Fincher não só é um dos melhores diretores atuais, mas como também nunca fez um filme inteiramente ruim. A diferença entre Garota Exemplar e qualquer um de seus outros filmes está na forma como ele demonstra estar em seu auge, num completo domínio não só do oficio que tem, mas do que ele busca falar para o espectador. Se o livro que o filme se baseia é muito mais sobre os enlaces do casamento, o filme trata de transformar isso num thriller eletrizante que, basicamente, não tem erros. Aliás, o filme tem um acerto, e que acerto: Rosamund Pike, a atriz que era quase desconhecida e vivia de papéis secundários criou a personagem mais icônica do ano numa atuação de deixar a boca aberta, sua Amy Dunne é perfeita em tudo que tange construção e nuances, e em momento algum Pike está menos que (me perdoe o trocadilho) exemplar em cena, um verdadeiro ''tour-de-force'', como diram os franceses. Ah, e ''A'' cena do ano está nesse filme, envolve sangue, muito sangue. 


                        Espero que tenham gostado da lista e vejam os que ainda não viram, e até 2016 com o melhor que esse ano tem a oferecer na telona.