sábado, 26 de junho de 2021

Emmy - Melhor Atriz Coadj. Comédia 2000: Karen & Jack



O aspecto mais interessante da corrida de 2000 é que as três coadjuvantes mais populares de comédias dos anos 2000 foram indicadas juntas pela primeira vez. Lisa Kudrow retornou para sua quinta indicação por ''Friends'', Kim Cattrall foi indicada pela segunda temporada de ''Sex and the City'', e a segunda de ''Will & Grace'' foi tão elogiada que propagou Megan Mullally para a premiação. Phoebe, Samantha e Karen dividiram a categoria em 2000 e 2001.

Para fechar a categoria Doris Roberts voltou para sua segunda indicação. A última vaga acabou ficando com Jennifer Aniston, também por ''Friends'', em uma rasteira tanto em Lucy Liu (indicada anteriormente) quanto em Cynthia Nixon, que muitos acharam que iria entrar por ''Sex and the City''. Como vocês podem ver, a vencedora (Kristen Johnston) foi esnobada, mas no Emmy dos anos 2000 isso se tornaria fato recorrente.

As favoritas da noite eram Mullally e Roberts, duas ''scene-stealers'' em série em auges criativos com personagens marcantes para o grande público e crítica. Até pelo amor que a Academia mostrou a ''Will & Grace'' naquele ano, em uma temporada badaladíssima pelo beijo gay entre Will e Jack, a comédia acabou vencendo Série e Ator Coadjuvante. Logo, a vitória nessa categoria não era tanta surpresa assim.

Abaixo, meu ranking:


5º Lugar: Kim Cattrall - Sex and the City ("The Awful Truth" + "The Freak Show")

Foi muito bom constatar a sagacidade e agilidade com que Cattrall se apropriou de Samantha, mas essas duas submissões não ajudam em nenhum aspecto para demonstrar isso. O grito de súplica ao revelar não aguentar mais o pau pequeno do namorado ou o surto quando percebe que precisa de muitas plásticas são legais, mas nada digno de nota. Com certeza, não digno do que a atriz apresentou no todo pela temporada.


4º Lugar: Lisa Kudrow - Friends ("The One That Could Have Been")

Esse episódio duplo da série é sobre os personagens imaginando como seriam suas vidas se eles tivessem tomado outras decisões. A escolha de Phoebe era se tornar uma mulher de Wall Street, peculiar, né?

Lisa Kudrow fazendo uma Phoebe do mercado de finanças é legal, visto que na sexta temporada ela já conhece a personagem indo e voltando, mas tirando a cena do ataque do coração, não tem muito mais para Kudrow fazer no papel. Não se enganem, é um bom episódio para ela, só não é algo marcante.


3º Lugar: Doris Roberts - Everybody Loves Raymond ("Sex Talk" + "Robert's Divorce")

Escolhas sábias essas de Roberts, em uma delas Marie precisa falar sobre sexo, na segunda confrontar a mulher de seu outro filho. No primeiro episódio, Doris não tem muito o que fazer, mas existe algo bem novo na forma como ela se espanta com falar sobre sua vida íntima, é como se ela chegasse a se ofender, e isso é bem sincero.

No segundo episódio, é impossível não torcer para que ela arrase com a cara da esposa de Robert, e Doris não decepciona. Sua lingua ferina entra em ação, e num rompante, a atriz faz a gente ficar muito feliz dela falar que ''é hora de tirar o lixo de casa''. Submissões inteligente, que mostram versatilidade e demonstram bem que é Marie Barone.


2º Lugar: Jennifer Aniston - Friends ("The One with Rachel's Sister" + "The One Where Chandler Can't Cry")

Fico muito feliz que o Emmy reconheceu Aniston na metade da série, acredito que ela já tinha maturado a personagem muito bem. Rachel Green já era um ícone quando Aniston foi indicada, e esses episódios demonstram muito bem isso. Óbvio que sendo a sexta temporada, nenhuma outra submissão seria possível que não a que Jill Green (Reese Witherspoon) aparece.

Uma das melhores coisas de Rachel é sua neurose, sua capacidade de surtar, porque ela faz isso de uma forma que o espectador a entende e quer confortar. Aqui, na iminência de um relacionamento entre Ross e Jill, Aniston surta daquele jeito que conhecemos, mas sempre trazendo muita graça junto disso. A forma como Aniston consegue imprimir carisma a personagem e, na cena final, perceber o baque do que tá ouvindo, mostra bem que ela merece esse #2 aqui.


1º Lugar: Megan Mullally - Will & Grace ("To Serve and Disinfect" + "Polk Defeats Truman")

Existe uma preferência bem pessoal sobre o que Mullally faz com Karen em jogo, só o trabalho de voz tão marcante da atriz já vale uns 2 Emmys. O fato é que não dá para reclamar dessas duas submissões, são duas escolhas excepcionais que destacam tudo que amamos em Karen. 

A do vídeo pornô por si só já é excelente, mas Karen ''on a budget'' é expressar tudo que a personagem mais odeia, e a Megan pega cada detalhe da composição da atriz para nos fazer rir. A forma como ela lida com extremo desdém e nojo da loja que Grace a convida para fazer compras é incrível. Um dos melhores combos que já vi na categoria, vitória mais que merecida.

Emmy - Melhor Atriz Comédia 2000: Todo Mundo Ama as Mães

 


O fim do reinado de Helen Hunt criava um vácuo fortíssimo no Emmy de 2000, não só pela vitória certa de uma nova pessoa após quatro anos seguidos de Hunt, mas porque isso incluiria uma cara nova nas indicadas em si. O que ninguém esperava, talvez só alguns, é que a tão criticada terceira de ''Ally McBeall'' receberia apenas 3 indicações, caindo de categorias centrais como Atriz e Série, que tinha vencido no ano anterior.

Com isso, voltavam a categoria Jenna Elfman (''Dharma & Greg''), Sarah Jessica Parker (''Sex and the City'') e Patricia Heaton (''Everybody Loves Raymond''). Se demorou três temporadas para ''Raymond'' engatar no Emmy, só precisou de duas para ''Will & Grace'' virar um fenômeno, e com isso a indicação de Debra Messing.  A última vaga da categoria não era surpresa para ninguém, ''Malcolm in the Middle'' foi uma sensação da noite para o dia e a performance de Jane Kaczmarek era um dos centros de elogio da série, ela até venceu o TCA naquele ano, ela viria a ser indicada por todas as temporadas da série no Emmy, sem nunca ganhar. 

A inclusão de Heather Locklear, recém saída de ''Melrose Place'', em ''Spin City'' foi muito falada na época, mas a série nunca foi muito abraçada no Emmy para além de Michael J. Fox. Outra candidata com chances naquela corrida era uma não tão conhecida Felicity Huffman. A atriz estrelava ''Sports Night'', série de Aaron Sorkin, mas o projeto foi cancelado e, embora tenha conseguido entrar em outras categorias (inclusive em ''Guest'' com seu marido H. Macy), a loira só conseguiria a indicação no meio dos anos 2000, com outra série.

A vitória era esperada entre Kaczmarek ou Heaton, as duas com os papéis bem arquetípicos de ''mãe'' em performances amadas de séries bem badalas. No fim, a força de ''Raymond'', que viria a vencer 10 Emmys para seu elenco principal, deu a vitória a Heaton.

Abaixo, meu ranking (de uma ótima seleção):


5º Lugar: Jane Kaczmarek - Malcolm in the Middle ("Red Dress")

Kaczmarek já tem aquela cara de excêntrica mesmo sem fazer nada, nesse papel cai como uma luva. Não só para Lois em si, mas para a ambientação que a série quer causar. Nesse episódio, ela acredita que um dos filhos queimou o vestido que ela tanto ama e resolve aterrorizar as crianças para descobrir quem foi.

É uma submissão respeitável, um bom tempo de tela, tem momentos bem engraçados e uma percepção final bem fofinha. Infelizmente, a outra trama do episódio, com o Bryan Cranston, chama muita atenção e meio que ofusca, mas só um pouco, a Kaczmarek.


4º Lugar: Jenna Elfman - Dharma & Greg ("Lawyers, Beer, and Money")

É engraçado ver as tramas de sitcoms antigas, nesse episódio o Greg não aceita que a mulher lhe compre um presente ou pague uma conta de restaurante. Tudo isso envelheceria mal, mas o texto tenta contornar essa masculinidade frágil, e conta com a graça de Elfman para isso.

A Dharma de Elfman sempre fica no limiar do insano e do real, é um tipo de atuação que dialoga bem com o formato da série, mas que pode afastar que nem gosta dessa forma de comédia. Aqui ela até dança com uma cobra, então uma coisa que você não pode negar é o comprometimento da atriz com a personagem. Além disso, Elfman tem uma cena semi dramática que é bem boa, seja pela surpresa dela surgir no meio de tudo aquilo, como pelo fato da mesma executá-la bem.


3º Lugar: Sarah Jessica Parker - Sex and the City (''Ex and the City'')

Eu comecei o episódio acreditando que Parker seria, mais uma vez, prejudicada pelo formato de sua série. Não por ser uma comédia diferente, mas por Carrie viver arcos maiores do que atrizes da época, que faziam tudo em um episódio só de sitcom. Ledo enganado, na finale da segunda temporada, Carrie descobre que seu amor, Mr. Big, não só está com outra, mas também noivou.

Essa situação leva a dois momentos incríveis de Parker, não necessariamente engraçados, mas muito reais e fortes. A cena do restaurante é um surto de veia dramática com alguns detalhes de humor físico e uma pitada final que te faz soltar uma gargalhada. Tudo isso é finalizado com a cena que fecha a temporada, honesta e poderosa, quando percebemos o quanto Carrie evoluiu, assim como Sarah Jessica no papel. 


2º Debra Messing - Will & Grace (''Das Boob'')

Em algum momento da série, alguma crítica disse que Messing precisava parar de tentar ser Lucille Ball. Bom, nesse episódio em que Grace usa um sutiã com preenchimento (feito com água!), ela está Lucille até o talo.

Messing passa a primeira parte do episódio sem muita graça, mas uma vez que ela coloca o ''prop'', é comédia física da mais alta qualidade. Utilizar o corpo para extrair comicidade é ''clown 101'' e Messing faz isso com a destreza de quem conhece seu ofício. Se como um todo eu prefiro Heaton, a cena do champanha é a que mais me fez rir na seleção toda.


1º Lugar: Patricia Heaton - Everybody Loves Raymond (''Bad Moon Rising'')

Essa submissão de Heaton é o paraíso das tapes de comédia. Dentro da perspectiva de assistir esse episódio em 2021 ainda se mantém muito engraçada, isso sendo exibido duas décadas atrás, não dá nem para imaginar. É um episódio sobre ''aqueles dias'' das mulheres, só disso você já entende de onde vem a comédia.

Na verdade, ao invés de focar só no texto, as ''alterações de humor'' de Debra são o auge do episódio. Não só Heaton consegue falar com comicidade e rapidez todo seu texto, mas ela precisa mudar suas emoções, jeitos e expressões com muita rapidez. É sitcom em seu momento mais clássico, e não tem uma só cena (e Heaton está em 95% do episódio) que a atriz não aproveite. Além disso, a química dela com Ray Romano é tão perfeita que o meu desejo era premiar os dois, ele também mandou esse episódio, mas perdeu.


terça-feira, 22 de junho de 2021

Emmy - Melhor Atriz Coadj. Comédia 1999 - Aquele em que Lisa Kudrow Perdeu!

 


Com o fim de ''Cybill'' e ''Seinfeld'', Christine Baranski e Julia Louis-Dreyfus eram inelegíveis para voltar a competição. As vencedoras prévias, Kristen Johnston e Lisa Kudrow, por ''3rd Rock from the Sun'' e ''Friends'', não tiveram problema em retornar. Jane Leeves, indicada em '98 por ''Frasier'', não conseguiu voltar, mas o sucesso altíssimo das temporadas de ''Just Shoot Me!'' e ''Everybody Loves Raymond'' propagaram Wendie Malick e Doris Roberts ao prêmio. Malick voltaria a concorrer anos depois, Roberts só pararia de concorrer com o fim de sua série.

A última vaga foi uma surpresa, mas o sucesso de Ling Woo com o público de ''Ally McBeal'' acabou levando Lucy Liu ao Emmy, uma indicação que poucas pessoas sabem que a atriz possui. Inclusive, Liu acabou entrando no lugar de uma bem amada Jane Krakowski, também de ''McBeal''. Na noite da premiação as favoritas eram Roberts e Kudrow. Doris por ser veterana da indústria em um papel que chamava muita atenção, e Lisa em um uma temporada (a 5ª) de ''Friends'' que diziam ter sido a melhor até então. Sua grande submissão, ''The One Where Everybody Finds Out'', foi o único episódio indicado a direção e roteiro naquele ano. 

No fim, a vitória de Johnston foi um upset surpreendente, especialmente porque ''3rd Rock'' parecia não estar mais nas graças da premiação.

Abaixo, meu ranking:


5º Lugar: Wendie Malick - Just Shoot Me! ("Two Girls for Every Boy" + "Slow Donnie")

Eu quero acreditar que Wendie Malick, vencedora moral dessa categoria em 2011 por ''Hot in Cleveland'', não submeteu esses dois episódios onde ela não faz NADA em cena. Mas dado que alguns indicados costumam fazer isso, também não me surpreendo.

Os 2 episódios são excelentes submissões para David Spade (que foi indicado, submeteu ambos e perdeu), mas tirando uma coisinha aqui e acolá, não fazem em nada para mostrar os talentos de Malick.


4º Lugar: Kristen Johnston - 3rd Rock from the Sun ("Two-Faced Dick" + "Dick the Mouth Solomon")

Johnston, sem dúvidas, deve ser a candidata mais ''over'' dentre todas as indicadas. Óbvio que existe uma explicação para isso, que é o fato de sua personagem ser uma alienígena vivendo num corpo de humanos. Em um episódio ela troca de corpo com o personagem de John Lithgow, no outro ela acreditar estar namorando um cara da máfia.

O primeiro episódio é um show de comédia física, você consegue entender ela absorvendo todos os maneirismos exagerados de Dick (Lithgow) para sua personagem, e utiliza  não só o mimetismo para o corpo, mas um excelente trabalho de voz em enunciação das sílabas como o personagem costuma fazer. O segundo, no entanto, envelheceu um pouco e os gritos da personagem não funcionam sempre, embora gargalhei quando ela tirou um lenço do meio dos seios em uma cena extremamente constrangedora. Ela fica mais abaixo pela seleção ser excelente do que qualquer outro motivo.


3º Lugar: Doris Roberts - Everybody Loves Raymond ("The Toaster" + "Frank's Tribute")

Até 2006, todos os coadjuvantes podiam submeter dois episódios para consideração. Para a sorte de Roberts, suas duas submissões são maravilhosas. Em uma ela precisa lidar com uma torradeira que seu filho comprou especial para os pais, e no segundo o marido vai receber um tributo de ''Homem do Ano''.

Roberts viria a vencer essa categoria quatro vezes, e poderia ter começado nesse ano. Sendo uma senhora de idade, a mobilidade de Doris a impede de focar sua comédia em algo físico. Para compensar isso, essa mulher (que tem as melhores ''one-liners'' dentre as senhoras de sitcoms) era a rainha da expressão facial. E ainda, no seu segundo episódio, ela tem belíssimas cenas de drama sobre a importância do amor em seu casamento, um prato cheio para a atriz mostrar versatilidade.


2º Lugar: Lucy Liu - Ally McBeal ("Angels and Blimps" + "Sex, Lies, and Politics")

Liu tem um combo parecido com o de Roberts, mas em uma linguagem ainda mais apurada. Em um episódio ela precisa representar uma criança com leucemia (Haley Joel Osment) e no outro ganhar de um deputado estadual que acabou com uma loja de livros/álbuns por considerar o conteúdo indigno da família tradicional americana.

Em ''Angels'', Liu faz com que a personagem mantenha sua pose durante todo o episódio, sempre com a língua afiada, ela parece ser apenas ''bitch'', sem qualquer humanidade. Em um argumento contra o advogado da Igreja, ela engole ele sem querer, mas quando a criança em questão morre, Liu precisa se desmontar daquilo tudo e cria uma cena muito linda e verdadeira. Já em ''Politics'', ela está no tribunal e dá um discurso em chinês, que não quer dizer NADA COM NADA, apenas para enrolar o júri. E cada nova frase é melhor que a anterior. É um humor mais ''ice queen'', mas funciona em todos os níveis.


1º Lugar: Lisa Kudrow - Friends ("The One Hundredth" + "The One Where Everybody Finds Out")

As duas submissões de Kudrow são o mais perto de perfeição que essa categoria poderia ter. Entre dar a luz aos trigêmeos e descobrir que Chandler e Monica estão namorando, não existe um momento de Lisa que não seja comédia mais pura e inteligente possível. Toda a carga dramática da cena final de ''Hundreth'' já é um contraponto lindo em relação as ações da atriz nas cenas anteriores. E eu poderia falar de como Kudrow domina o jogo de farsa de ''Finds Out'' como poucas vezes na televisão alguém já fez, mas eu quero deixar apenas:


winner!

segunda-feira, 21 de junho de 2021

Emmy - Melhor Atriz Comédia 1999: Mad About HER!

 


Os anos 90 nessa categoria se divide entre o momento ''Murphy Brown'' e o momento ''Mad About You''. Das 10 corridas da década, apenas 2 não foram vencidas por Candice Bergen ou Helen Hunt, que foram as vitórias de Kirstie Alley e Roseanne Bar, engraçado o fato de ambas serem republicanas ferrenhas. Porém, colocado isso de lado, as indicadas daquele ano não foram surpreendentes.

Helen Hunt (''Mad About You''), Jenna Elfman (''Dharma & Greg'') e Calista Flockhart (''Ally McBeal'') retornaram como previsto. ''Ellen'' foi cancelada, impedindo a volta de DeGeneres. Tanto Kirstie Alley (por ''Veronica's Closet'', não ''Cheers'') quanto Patricia Richardson por ''Home Improvement'' foram esnobadas. A sensação que foi ''Sex and the City'' faz impossível Sarah Jessica Parker ser esnobada, ela se torna a primeira indicada da HBO na categoria e apenas a segunda de um canal a cabo. A última vaga acabou ficando para Patricia Heaton, na terceira temporada de ''Everybody Loves Raymond'', que teve uma certa explosão com o Emmy nesse ano e continuaria até o fim da série.

Com certeza a esnobada mais comentada daquela corrida foi Laura San Giacomo, protagonista de ''Just Shoot Me!''. A série indicou dois atores coadjuvantes, roteiro e ela tinha sido indicada no começo do ano ao Globo de Ouro, mas não deu. Christina Applegate em ''Jesse'' também foi muito comentada, especialmente por ser a primeira série pós ''Married with... Children'' da atriz, uma série que o Emmy nunca abraçou.

Na noite do Emmy, existiam pessoas que acreditavam na vitória de Flockhart mais pela derrota vexatória do ano anterior do que por qualquer outro motivo. Mas a grande maioria sabia que a ''series finale'' de uma hora de ''Mad About You'' iria selar a quarta vitória seguida de Hunt como Jamie Buchman. No fim, as coisas saíram como o esperado.

Abaixo, meu ranking:


5º Lugar: Patricia Heaton - Everybody Loves Raymond ("Be Nice")

Heaton dialoga muito com Elfman, que está mais acima no ranking. Ambas fazem o papel de ''esposa'' de uma sitcom clássica em uma trama bem definida. Aqui, Debra e Ray decidem serem mais ''gentis'' uns com os outros, visto que o casal lida diariamente com farpas trocadas.

Heaton entende bem sua personagem, mesmo que ela não seja o indivíduo mais especial do mundo, ela é ótima com expressões faciais e, genuinamente, é uma atriz engraçada. Porém, como aconteceu em outra submissão anos após, sinto que Ray Raymond, nessa vibe ''Pateta'' de seu personagem, acaba ofuscando todas as cenas com ela. Por isso, e só por isso, ela é meu último lugar aqui.


4º Lugar: Sarah Jessica Parker - Sex and the City (''The Drought'')

Vai ser sempre difícil para Parker superar concorrentes quando ela não está no mesmo estilo de série das competidoras, nem sempre ''Sex'' tira milhares de piadas da cartola, e a maioria não acaba na boca de Carrie. Nesse episódio, que fala da falta de sexo, Mrs. Bradshaw precisa lidar com o fato de que ela e Mr. Big não transam tem alguns dias.

Sarah é uma atriz muito talhada para a Carrie, enquanto as demais estão entendendo seus personagens, ela já o possuí de corpo e alma. Em algumas cenas ela quase tenta invocar uma comédia física aqui ou acolá, como a cena da luta de boxe na casa de Big, mas nada que salte tanto os olhos. Parker ficou conhecida por ser bem ruim em submeter episódios, veremos se é a verdade.


3º Lugar: Jenna Elfman - Dharma & Greg ("Are You Ready for Some Football?")

Uma sitcom clássica em um episódio a cara dos anos 90. Nele, Dharma começa a se apaixonar por futebol e escala rapidamente para uma completa OBSESSÃO. Um marido que estava adorando a situação, rapidamente se vê tendo que aguentar algo que ele não esperava.

A forma como Elfman lida com a comédia não quebra barreiras, mas ela está 100% comprometida com aquela personagem e, especialmente, com aquela situação. Os roteiristas não economizam nas piadas e nas situações mais bizarras, como essa cena dos chapéus que é maravilhosa. Em algum momento perto do fim a piada perde um pouco a graça, mas até lá você já riu o suficiente da situação toda.


2º Lugar: Calista Flockhart - Ally McBeal ("Sideshow")

''Ally McBeal'' é um show... diferente. As estranhezas que as escolhas estéticas provocam, mesmo em 2021, são alguns aspectos que podem afastar um espectador da série. Porém, essa singularidade também é o traço mais chamativo da produção. Flockhart entende que os gêneros de sua série não estão 100% alinhados de um só lado, ela faz comédia, mas também faz drama. E nesse episódio, tem muito drama.

Ally beijou Billy, que é casado com uma colega de escritório, e precisa enfrentar seus sentimentos sobre tudo isso. Para isso, ela vai no consultório de sua terapeuta (uma fabulosa Tracey Ullman) e disseca a si mesma da forma mais engraçada e dolorosa possível. Calista começa o episódio nas piadas e, ao fim, está metralhando tantas palavras por segundo que parece que é uma série de Aaron Sorkin. Sua cena final, um confronto sobre amor e relacionamento com Billy é um belíssimo exemplo de como Flockhart é, acima de tudo, Ally de corpo e alma.


1º Lugar: Helen Hunt - Mad About You ("The Final Frontier")

É impossível não sentir um certo impacto já no começo do episódio quando os créditos te informam que Helen Hunt é uma das responsáveis pelo roteiro, assim como é quem dirige essa ''series finale'' dupla de Mad About You. Dito isso, Hunt interpreta a personagem em diversos anos diferentes já que as cenas se passam em 1999, 2005, 2011, e até 2021.

E se Hunt não é a melhor em fazer comédia, nessa seleção é a melhor atriz, de longe. Ela não nos ganha pelo riso, mas pela sinceridade como ela entende Jamie. E nisso, as lágrimas tem o mesmo poder de uma gargalhada. Com um roteiro irretocável, é muito difícil não torcer, ficar emocionado e querer tudo de mais lindo para Paul e Jamie. Linda. Lindos.

sexta-feira, 18 de junho de 2021

Emmy - Melhor Atriz Coadjuvante em Drama 2007: Ligeiramente Vencedora



Duas das indicadas de 2006 estavam inelegíveis, Jean Smart por ''24'' (indicada em guest esse ano) e a vencedora Blythe Danner, que teve sua série (''Huff'') cancelada. As mulheres de ''Grey's Anatomy'', Chandra Wilson e Sandra Oh, retornaram. Candice Bergen era elegível por ''Boston Legal'', mas (para a felicidade de muitos) foi esnobada.

Katherine Heigl foi indicada junto das colegas de ''Grey's'', mas para muitos (incluindo o autor do post) ela merecia muito ter entrado já (e até mais!) no ano anterior, vide a belíssima trama que houve entre Izzie e Denny (Jeffrey Dean Morgan). A parte final de ''The Sopranos'' trouxe de volta a corrida Aida Turturro e Lorraine Bracco, a última em sua primeira indicação coadjuvante após ter concorrido como protagonista pelas três primeiras temporadas da série. A última vaga ficou com Rachel Griffiths por ''Brothers & Sisters''.

Entre as esnobadas do ano é de se destacar CCH Pounder, indicada dois anos antes, mas sempre prejudicada pela falta de total apreço da academia por ''The Shield''. Outra atuação muito falada foi da vencedora de três Emmys Patricia Wettig por ''Brothers & Sisters''. Houve um bom buzz de Kate Walsh por ''Grey's Anatomy'', especialmente pelo ''triângulo amoroso'' que ela forma na terceira temporada da série, mas até então quatro atrizes de uma mesma série indicada nunca tinha ocorrido, e a força de ''Grey's'' não era tanta.

A favorita, disparada, da noite era Sandra Oh, a atriz estava em sua terceira indicação seguida, a série tinha muito hype e sua personagem era a mais popular da trama. Além disso, existia uma sensação de que ela era, também, a melhor atriz do elenco. Havia quem falasse que Griffiths poderia vencer, inclusive como resquício de um amor não sacramentado por ''Six Feet Under'' ou que Bracco poderia se beneficiar de um ''sweep'' de Sopranos nas categorias de atuação que, no fim das contas, nunca ocorreu. 

A vitória surpreendente de Heigl, nem ela mesmo acreditou, acabou sendo creditada mais ao sucesso de ''Ligeiramente Grávidos'', filme que estourou no verão americano e indicada que Heigl poderia não ser a melhor atriz da série, mas a maior estrela. Isso junto de ter uma personagem bastante amada e um episódio bem decente devem ter segurado uma das vitória mais inesperadas que essa categoria já viu.

Abaixo, meu ranking:


6º Lugar: Chandra Wilson - Grey's Anatomy ("Oh, the Guilt")

Drª Miranda Bailey é uma personagem com muita presença, energia e determinação, além de ser muito carismática. Infelizmente, esse episódio não mostra muito isso. Ou muito de Wilson como um todo, ela até tem um momento bonito com a paciente, mas... não.


5º Lugar: Lorraine Bracco - The Sopranos (''The Blue Comet'')

É engraçado que Bracco se submeteu como coadjuvante pelas últimas temporadas de ''Sopranos'', acho que ela entendeu após algumas esnobadas que esse era mesmo o lugar da Dra. Jennifer Melfi. Interessante que na segunda metade final da série, a presença de Melfi se tornou bem maior que nas últimas, a cada nova ''epifania'' de Tony, Melfi estava lá.

Esse episódio é uma percepção interna da própria personagem. É é um dos poucos que não vemos Melfi, exclusivamente, em um escritório de psiquiatria e ela vai aos poucos entendo que tudo que ela tentou fazer nos últimos anos foi em vão, era algo mais sobre estar lidando com um jogo que não tinha como sair vitoriosa. Óbvio que o empate, sentadinha, com Tony tem seus momentos de prazer e a gente até consiga sentir uma certa empatia dela por tudo que se passou, mas ainda assim não é suficiente para ficar mais acima nessa seleção. Além disso, preciso admitir que eu nunca fui totalmente fã de Bracco no papel, o que não é uma crítica, apenas algo bem subjetivo.


4º Lugar: Katherine Heigl - Grey's Anatomy (''Time After Time'')

Izzie recebe a notícia que sua filha, que ela deu para adoção quando tinha 16 anos, está no Seattle Grace Hospital, tem 11 anos e está com leucemia. Os pais procuram ela para que Izzie se torne doadora de medula. É um choque para ela entender tudo isso, e também para o espectador, é um bombardeio de informações que envolvem tudo que você precisa saber da atuação de Heigl.

Dado o tema, é esperado que Izzie seja bem central no episódio, mas ela acaba não tendo tanto tempo de tela. Nesse caso, acho uma bobagem, Heigl se aproveita de todas as cenas para demonstrar o quão aturdida e decepcionada Izzie está. Sem dúvida alguma ela recorre pra recursos mais comuns, como lágrimas correndo aos olhos, para expressar suas dores, mas não significa que as feridas de Izzie soem menos dolorosas por isso. E o pequeno depoimento da personagem sobre o inesperado ''encontro'' é muito sincero.


3º Lugar: Rachel Griffiths - Brothers & Sisters (''Bad News'')

A força de Griffiths aqui é medida por uma cena, Sarah tem apenas uma cena para lidar com o fato de que seu marido a traiu... novamente, e com sua irmã. E, nossa, que atriz fabulosa é essa mulher. A trama meio que prepara você com momentos leves e divertidos de Sarah durante o episódio, para no final ela te dar uma aula.

E é atuação grande, sabe? Daquelas que o prato se quebra. E nesse novelão gostoso que é ''Brothers & Sisters'', nada funcionaria melhor. Tem tensão, tem levantar de voz, tem choro, tem gritaria. É um prato cheio pra qualquer ator, e Rachel não faz pouco caso disso. Em 5 minutos somos tragados pela frustração e tristeza de Sarah com o fato, o marido e sua própria vida. É pouco tempo, mas é pungente. É uma delícia de assistir e você entende, perfeitamente, quem é aquela mulher naquele exato momento.


2º Lugar: Aida Turturro - The Sopranos (''Soprano Home Movies'')

Janice sempre foi uma personagem, digamos, singular em meio a todas as mulheres da série. E com isso, existe um sentimento de amor e ódio que acabamos criando por ela. Porém, sendo irmã de Tony Soprano, poderíamos realmente culpá-la por ser uma das pessoas mais sem-​vergonhas da teledramaturgia mundial? Aqui, a Aida tem um privilégio que poucas coadjuvantes possuem, que é possuir um episódio com tempo de tela quase a nível protagonista. Janice vai comemorar o aniversário de Tony com Bobby e Carmela em uma casa isolada, a trama toda acaba girando em torno deles. 

O mais chamativo do episódio é como ele consegue sintetizar a identidade de Janice dentro daquele meio, seu lado bom e ruim, isso tudo com muita propriedade. É óbvio que essa análise só funciona por causa do totalmente controle que Aida tem sobre Janice, sempre trabalhando nuances de uma personagem muito complexa. Você consegue sentir raiva, pena e rir com e por causa de Janice, e tudo isso passa pela performance de Turturro. Sua presença na temporada como um todo não é tão forte (Bracco é bem mais utilizada), mas olhando somente esse episódio, fica irresistível não colocá-la tão acima das demais.


1º Lugar: Sandra Oh - Grey's Anatomy (''From a Whisper to a Scream'')

A partir do momento que Oh começa sua narração nesse excelente episódio de ''Grey's Anatomy'', você sabe que ela vai ser crucial para toda a narrativa, e nunca se decepciona sobre isso. A melhor parte da atuação de Oh é a economia com que ela constrói a Yang. Seus olhos, tão expressivos, acabam sendo responsáveis por transmitir tudo que precisamos saber sobre seus sentimentos, e aqui, eles são vitais para contar tudo.

Tendo que lidar com um segredo importantíssimo sobre uma das pessoas que mais ama, a participação de Yang é a definição de uma coadjuvante. Ela não aparece tanto a ponto de você considerá-la protagonista, mas se destaca em meio a um elenco formidável. Cada cena de Cristina é aproveitada ao máximo por Sandra, seja em momentos de dúvida, de raiva ou na calma (e triste) percepção de que precisa cortar o mal pela raiz. É uma performance que, mesmo em um elenco talentoso, acaba pairando pela qualidade expressa pela atriz. Brava.

quinta-feira, 17 de junho de 2021

Emmy - Melhor Atriz Drama 2007: Irmãos & Irmãs & A Noviça Voadora


Das cinco concorrentes do ano anterior, apenas duas estavam elegíveis e ambas voltaram. São elas: Mariska Hargitay (''Law & Order: SVU'') e Kyra Sedgwick (''The Closer''). Duas esnobadas inexplicáveis do ano anterior também voltaram a corrida. A três vezes vencedora Edie Falco (''The Sopranos'') e a vencedora de 2005, Patricia Arquette (''Medium''). Em um empate não visto antes na categoria, as atrizes de séries novas Sally Field (''Brothers & Sisters'') e Minnie Driver (''The Riches'') fechavam o line-up de 2007.

A nível de indicação, Mariska tinha acabado de vencer o Emmy, Kyra tinha levado o Globo de Ouro, e o buzz do final de ''Sopranos'', assim como de ''Brothers & Sisters'' colocavam as quatro atrizes como indicações esperadas. Dessa forma, é confortável dizer que Arquette e Driver foram as ''surpresas'' dentre as indicações. Dentre as esnobadas da noite, existe uma divisão na indústria entre Ellen Pompeo pelo grande hit que era ''Grey's Anatomy'', e Evangeline Lilly por um papel que nem todos consideravam protagonista em ''Lost'', ambas em suas terceiras temporadas. A crítica, no entanto, dizia que Connie Britton, pela primeira temporada de ''Friday Night Lights'', é que merecia a indicação. Pompeo e Lilly chegaram aos Globos, Britton ao TCA, nenhuma ao Emmy.

Para a vitória era, quase, um consenso que o prêmio iria para Kyra Sedgwick, não só pela sua vitória nos Globos, mas pelo hit que ''The Closer'' tinha se tornado, totalmente graças a ela. Outros achavam que se não fosse de Sedgwick, seria de Edie Falco a vitória, por um provável ''furacão'' de Sopranos na grande noite da televisão. Field era uma runner-up para alguns, mas nunca 1ª opção de ninguém. Na noite do Emmy, Sally Field emerge vitoriosa e faz um discurso sobre a guerra que o US vivia que causou até polêmica depois da premiação. Foi seu terceiro, e até hoje, último Emmy.

Abaixo, meu ranking:


6º Lugar: Patricia Arquette - Medium (''Be Kind, Rewind'')

Em benefício de Arquette, ela está presente em todas as cenas desse episódio. Contra Arquette, infelizmente, ela está em ''Medium''. Não dá para fugir da fórmula e do texto raso dos procedurais. Aliás, até dá, mas são poucos casos e esse não é um deles.

Nesse episódio, Allison precisa reviver uma mesma situação em três momentos diferentes. Em um programa melhor, isso seria uma situação bem baity para um ator, mas em ''Medium'' é apenas um gimmick sem muito valor para a atriz. Durante a maior parte do tempo, Arquette precisa só pular de situação para situação, e nos poucos momentos que demandam um pouco mais de profundidade, é sabotada por um roteiro, no mínimo, inferior aos seus talentos.


5º Lugar: Kyra Sedgwick - The Closer (''Slippin''')

A Brenda Leigh Johnson de Sedgwick é muito humana. Poucas atrizes conseguem incorporar elementos de sua atuação para criar um ser tão próprio e vivo como Kyra faz aqui, mas ela não consegue escapar das armadilhas que sua série lhe impõe, quase no nível de Arquette.

Nesse episódio, ela precisa descobrir quem matou dois jovens negros e o seu foco é impressionante. Existe um aspecto de star quality, de carisma exacerbado que emana de Brenda que é tudo vindo de Sedgwick, é uma energia tão forte que até mesmo seu sotaque, que de cara causa estranheza, se torna intrínseco aquela mulher. O material, infelizmente, nunca a deixa levantar um voo alto, mas ainda é bom o suficiente para ficar acima de Patricia. E, ainda assim, ela tem uma cena de confronto final com um possível suspeito que é uma delícia de assistir.


4º Lugar: Edie Falco - The Sopranos (''The Second Coming'')

Que Edie Falco entregou, provavelmente, a maior atuação feminina da televisão americana é um fato. Sua Carmela Soprano foi mudando aos nossos olhos e em cada novo capítulo da série, é como se uma nova Carm surgisse. Esnobada de forma patética pela parte I da sexta temporada, sua indicação aqui é mais simbólica do que qualquer coisa.

Digo isso, pois Carmela perde quase todo o protagonista que tinha na parte anterior e fica meio periférica nessa fase final de ''The Sopranos''. Tony acaba tomando os holofotes, e Carmela não é protagonista absoluta nem em sua própria submissão. Nesse episódio, ela precisa lidar com um ato quase fatal com um dos membros de sua família. E a beleza de Falco estar em colocar suas emoções a todo vapor, mesmo que sejam poucos os momentos que Carmela realmente precise brilhar. Embora, o confronto com Tony, e a cena com o ente no ''hospital'' são exemplos do tamanho do poder que foi essa mulher durante toda a série.


3º Lugar: Mariska Hargitay - Law & Order: Special Victims Unit (''Florida'')

Nem eu acredito nisso, mas sim, Mariska Hargitay é top 3 em uma seleção pessoal para o Emmy. Nossa, que episódio bem pensado para ela enquanto atriz. Eu fui totalmente tragado para a vida dessa mulher. Olivia precisa aqui lidar com dilemas do passado e problemas do presente, e todos eles são pancadas.

A trama procedural da semana se funde a vida de Olivia, ela precisa lidar com o fato de que foi concebida através de um estupro e que seu irmão, por parte de pai, é acusado de fazer o mesmo. Ela não quer acreditar em nenhum dos casos, é doloroso e parece não ter saída. E com isso, Hargitay não perde uma oportunidade para demonstrar as feridas dessa mulher. É uma atuação dela como poucas vezes vi em um episódio de SVU, e mostra que é uma pena ela só ter feito esse papel em toda sua vida. O diálogo final com seu irmão, em um momento que ele mantém uma mulher refém, é tão verdadeiro e forte que fica difícil até explicar.


2º Lugar: Sally Field - Brothers & Sisters (''Mistakes Were Made", Part 2)

Mais uma mãe em ação, mas aqui com completo domínio da trama. Sally Field é uma atriz que, as vezes, divide opiniões, mas nessa versão americanizada de alguma trama do Manoel Carlos, ela arrasa. Inclusive, é a sua verdade cênica que faz com que essa série não seja só um simples melodrama, mas algo que levemos em consideração em outro patamar. E a parte mais legal do episódio é que vemos Nora em um momento atual e em um flashback, se você ignorar a peruca nada elegante de Field, é um tipo de extra que causa um certo impacto.

Você até sente o quentinho que Sally emana como matriarca da família Walker, é como se ela realmente fosse mãe de todos aqueles personagens. E, nesse caso em especial, ela precisa lidar com o filho mais novo e sua vontade de ir para o exército. Field acaba transparecendo preocupação com muito vigor, é aquele tipo de conexão com o ambiente que ela habita que precisa ser muito experiente para conseguir fazer. Uma cena de choro da personagem, mesmo não focando tanto no rosto de Field, é muito linda e, por incrível que pareça, não precisa subir o tom em momento algum. É uma atuação muito mais sincera do que muitos dão crédito.


1º Lugar: Minnie Driver - The Riches (''Pilot'')

A segunda melhor série dentre as indicadas, o piloto em si de The Riches é quase um curta metragem. Nele conhecemos os Malloy, uma família que faz parte de uma comunidade nômade, e que por causa de eventos trágicos, acaba assumindo a identidade de uma família rica.

Driver é a mãe, ela faz com Dahlia algo que não estamos acostumados até então. No começo do episódio, quando a personagem está saindo da cadeia, você já começa a perceber que é uma atuação introspectiva. A medida que ela vai se sentindo confortável, ela vai se abrindo e ganhando o público, de dentro e fora da tela. Mas a gente sabe que existe algum tipo de incômodo ali, um sofrimento particular sobre escolhas que foram feitas. Assim que Driver nos permite ver a questão, isso nos machuca tanto quanto a própria personagem, o que é surreal já que estamos com ela não tem muito mais que meia hora. 

Entre discussão com o marido (um brilhante Eddie Izzard, que também deveria ter sido indicado), um tipo de união com uma carismática vizinha (''character actress'' Margo Martindale), e a percepção de que o ''sonho americano'' também pode pertencer a ela, a atuação de Minnie é tão rica e cheia de nuances quanto o próprio título da série. Uma pena que o projeto durou tão pouco e teve pouco buzz, só por Driver já merecia muito mais a lembrança.

domingo, 6 de junho de 2021

Emmy - Melhor Atriz Coadjuvante em Drama 2010: Um belo de um upset!

 


A categoria de Atriz Coadj. em Drama no ano de 2010 foi bem evento. O Emmy, de forma inesperada, deu um tapão em quase todas as indicadas anteriores. A terceira temporada de In Treatment foi, totalmente esnobada, e com ela se foi a vencedora de dois anos antes, Dianne Wiest. A ganhadora recente, Cherry Jones por 24, causou choque ao decidir não se submeter nesse ano. E o que mais surpreendeu a todos: as duas atrizes de Grey's Anatomy, que vinham sendo indicadas juntas nos últimos quatro anos (Sandra Oh e Chandra Wilson), caíram em meio a uma temporada badaladíssima. Aliás, muitos dizem que Chandra Wilson poderia ter vencido pelo fim da sexta temporada, que há um atirador no hospital.

Rose Byrne (Damages) acabou sendo a única sobrevivente. A lista se completou com as esperadas Christine Baranski e Archie Panjabi por The Good Wife, Elisabeth Moss e Christina Hendricks por Mad Men, e Sharon Gless por Burn Notice. A indicação de Panjabi por si só já foi uma surpresa, muita gente apostava em atrizes como Chloë Sevigny por Big Love ou até mesmo Calista Flockhart por Brothers and Sisters. Pessoalmente, a performance deliciosa de Michelle Forbes pela segunda temporada de True Blood faz dela a minha coadjuvante favorita daquele ciclo. Muito se falou em Melissa Leo e Khandi Alexander por Treme, mas era uma série muito sem buzz para dar em algo.

Para a vitória meio que virou um consenso que uma das veteranas (Baranski ou Gless) venceria, muito mais pelo nome do que pelo trabalho. E existia também uma sensação que Hendricks podia se sair vitoriosa, mesmo sendo uma novata. Na verdade, até Elisabeth Moss era citada como possível vencedora, apenas Panjabi e Byrne não estavam nas apostas de ninguém. Na noite do Emmy, quando Archie foi anunciada vencedora, um dos maiores upsets recentes da categoria aconteceu. E para quem assistiu toda a primeira temporada de The Good Wife, a vitória poderia até ser surpresa, mas totalmente justa.

Meu Ranking:


6º Lugar: Rose Byrne - Damages (''Your Secrets Are Safe'')

Eu adoro demais Byrne na série, inclusive fecho os olhos para a fraude horrível que é ela se submeter em coadjuvante e torcia para ela vencer pelas temporadas anteriores. Porém, não só ela submeteu pessimamente, visto que a Ellen não tem nada para fazer nessa première da terceira temporada, mas também sinto que pela temporada em si, não valia a vitória também não.


5º Lugar: Sharon Gless - Burn Notice (''Devil You Know'')

Eu só vi esse episódio de Burn Notice na vida e já sinto que vi demais. É uma série bem sem refinamento, recheada de clichês e, embora eu goste das (poucas) cenas de Gless sendo encurralada e se entregando pelo filho, eu sinto que fiquei mais hipnotizado pela forma como ela fuma o cigarro do que pela atuação em si. E não sinto que a culpa é dela, é mais do roteiro da série que a limita enquanto atriz.


4º Lugar: Christine Baranski - The Good Wife (''Bang'')

Rever o episódio de Baranski me fez perceber algumas qualidades em sua atuação que não apreciei tanto quando assistia a série de forma regular. É um lado conhecido da atriz, mas sinto que ela faz de forma muito esperta e cativante. E nesse episódio em si, que ela conhece o personagem do Gary Cole, ela demonstra um lado de Diane pouco explorado até então, o de ser um ser humano. 


3º Lugar: Elisabeth Moss - Mad Men (''Love Among the Ruins'')

Moss tem tão pouco a fazer na terceira temporada de ''Mad Men'' que se submeteu em coadjuvante (todos os outros anos ela foi de protagonista), e acho que ela é mais lembrada nessa temporada por fumar maconha do que qualquer outro momento. Mas, admito que esse episódio tem momentos bem singelos que demonstram uma Peggy ainda bem ingênua no mundo que está se enfiando. Entre a cena em frente ao espelho cantando ''Bye Bye Birdie'' até o pequeno confronto com Don, sinto que ela poderia até vencer aqui e eu não reclamaria... tanto.


2º Lugar: Archie Panjabi - The Good Wife (''Hi'')

É difícil encapsular a performance de Panjabi em um episódio, a forma como ela impregna a temporada como um todo é muito mais forte e de encher os olhos. Porém, até que esse episódio consegue traduzir um pouco da maneira infecciosa que Kalinda gruda na gente. É uma atuação quase reptiliana pela forma sorrateira como Panjabi dialoga com todos os personagens, sempre em um tom abaixo. Em ''Hi'' ela ainda tem um momento final incrível em um banco de réu, o sonho de todo ator, onde ela coloca um outro personagem no bolso e fica impossível não amar Kalinda e, por consequência, Panjabi.


1º Lugar: Christina Hendricks - Mad Men (''Guy Walks Into an Advertising Agency'')

Só que nessa corrida, não tem pra ninguém, é Hendricks da cabeça aos... pés. Joan foi um estouro na terceira temporada da série e a atuação de Hendricks sempre conseguia estar no nível desejado e até mais. Nesse episódio em específico, ela tem um ''range'' na atuação que é de dar invejosa. Ela é acolhedora, tem momentos cômicos singulares e uma cena com o Don que é belíssima de ver. É como se Hendricks tivesse conseguido dar o tom do episódio em si, mostrando a dinamicidade de seu personagem e a versatilidade de sua atuação.