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sexta-feira, 16 de julho de 2021

Emmy - Melhor Atriz Coadj. Comédia 2003: O Retorno de Doris

 


Durante três anos (2002, 2003 e 2004), essa categoria viu quatro mulheres nunca serem esnobadas. São elas a vencedora dos dois anos anteriores Doris Roberts por ''Everybody Loves Raymond'', a sempre perfeita Megan Mullally por ''Will and Grace'', e as duas atrizes de ''Sex and the City'', Cynthia Nixon e Kim Cattrall. Se em 2002 a indicação de ''Curb Your Enthusiasm'' foi uma grande surpresa, em 2003 era esperado que a série expandisse em indicações. Um dos grandes destaques da temporada, Cheryl Hines, acabou abocanhando a última vaga. Ela viria a ser indicada novamente alguns anos depois.


Com a série já no seu fim, o medo de que Kristin Davis pudesse ser a Courteney Cox de ''Sex and the City'' e nunca ser indicada era grande. Além dela, muitos falavam que se Bitty Schram tivesse se submetido como coadjuvante, ao invés de protagonista, por ''Monk'', talvez ela tivesse entrado nesse ano. A vitória estava bem aberta, Kim Cattral tinha vencido o Globo de Ouro e foi indicada ao SAG (sem SJParker) e estava com um status de overdue, mas até a cerimônia existia uma sensação de que tanto Roberts no ano mais forte de ''Raymond'' e a trama de maternidade de Nixon em ''Sex'' podiam levar elas ao pódio. Aliás, até Hines tinha enormes apoiadores por ser considerada um dos destaques de ''Curb''. Teoricamente, só Mullally não teria muitas chances naquele ano. Em uma terceira vitória consecutiva, deu Doris Roberts, e acho que até ela ficou espantada.

Abaixo, meu ranking:


5º Lugar: Cheryl Hines - Curb Your Enthusiasm ("The Terrorist Attack" + "Krazee-Eyez Killa")

O que eu senti após ver as duas submissões de Hines é que ela deve funcionar muito melhor ao ver toda uma temporada do que somente um ou dois episódios da série. O humor de ''Curb'' é diferente, os diálogos são ''improvisados'' e tudo isso acaba causando uma certa estranheza para o espectador.

Óbvio que eu achei que tudo isso acaba a prejudicando, mas talvez seja porque o melhor do material fica com os atores ao seu redor, especialmente Larry David, e não tanto com ela. Você entende o motivo de sua presença ali, é bem legal, mas não dá para colocar mais acima numa seleção como essa.


4º Lugar: Cynthia Nixon - Sex and the City ("Anchors Away" + "Cover Girl")

Acho que Nixon acabou não submetendo tão bem quanto deveria. Todo o seu foco na quinta temporada é sobre como é difícil lidar com a novidade em ser mãe. E, de alguma forma, isso funciona e tá bem explicitado no primeiro episódio. Ela tem uma cena com a Carrie que consegue ser engraçada e tocante ao mesmo tempo, é um tipo de percepção sobre o que é ser mãe. Acaba mostrando o trabalho de Nixon como bem maduro, tem um viés emotivo, mas não é tão forte. 

Porém, sua segunda submissão não tem o mesmo peso, e mesmo ainda contendo bons momentos de Miranda, afinal Nixon é sempre boa, acaba prejudicando a atriz quando avaliamos o todo.


3º Lugar: Megan Mullally - Will & Grace ("The Honeymoon's Over" + "23")

Nada é mais prejudicial a um ator do que um roteiro que não o prestigie, e eu senti exatamente isso com uma das submissões de Mullally. Ela ainda é top 3 da seleção porque no seu primeiro episódio, ela precisa ficar na casa de Will e simplesmente arrasa. São as pequenas coisas que Karen faz, e que exaltam a inteligência de Megan no papel. Por exemplo, a cena dela tentando convencer Will a deixá-la ficar na casa ou quando ela resolver ouvir música, são essas cenas que fazem a gente entender porque amamos Karen.

Porém, sua segunda submissão, que envolve a morte de seu marido, é bem menos interessante. São poucos os momentos que o texto saindo de sua boa é realmente boa, e tudo parece meio cansado. É a mistura de dois lados de uma personagem muito completa, mas que perde um pouco a força quando não tem muito o que fazer.


2º Lugar: Doris Roberts - Everybody Loves Raymond ("Marie's Vision" + "Robert's Wedding")

Depois de tantas temporadas, você pensa que não pode se surpreender mais em como um ator em uma sitcom constrói uma cena, mas tem algo na Marie da Roberts que sempre tem um ''algo a mais''. Seja pelo roteiro sempre muito inteligente quanto foca na personagem, ou na forma como Doris tenta dar camadas aos sentimentos de Marie, é sempre delicioso vê-la em cena.

No primeiro episódio é quase como se o lado mais engraçado fosse como as pessoas reagem a personagem, mas não só ela está livre, leve e solta com seu novo óculos, como em um momento mais dramático você acaba comprando tudo que a personagem está sentindo. E isso meio que reverbera na sua grande cena da igreja no segundo episódio, é uma Marie sarcástica e egocêntrica, mas não tão ciente de que ela é tudo isso. E a Doris faz esse jeito em alguns momentos serem a coisa mais incrível do mundo. E por alguns minutos, acaba sendo.


1º Lugar: Kim Cattrall - Sex and the City ("Cover Girl" + "Critical Condition")

Cattrall nunca foi tão certeira quando nesse ano, ao menos até então. Samantha está excelente em ambos os episódios, e pela primeira, sinto que um episódio da série é mais sobre ela do que qualquer outra daquelas mulheres. Em ''Cover Girl'', Carrie pega ela no ato de um boquete e Samantha começa a se sentir julgada por ter uma vida sexual tão liberta. Isso permite que ela entregue um momento incrível falando sobre a arte boquete, lide com um pequeno confronto com Carrie e, ao mesmo tempo, saiba mostrar um lado mais humano da personagem ao se abrir sobre as inseguranças de ser uma mulher livre. 

E depois, ela tem um episódio sobre um vibrador onde Cattrall se encontra em ''full Samantha mode'', com destaque dela tendo que lidar com o filho de Miranda, mas não sem antes ter uma cena com palestra sobre massageadores de corpo, que são na verdade vibradores.

quinta-feira, 8 de julho de 2021

Emmy - Melhor Atriz Coadj. Comédia 2002: As Duas Doris


O grande diferencial dessa corrida em comparação a 2001 é que o elenco de ''Friends'', como um todo, decidiu se submeter como protagonista, ao invés de coadjuvante. Logo, com a saída de Aniston e Kudrow da categoria, as duas vagas acabaram por se completar com uma indicada prévia e uma que precisava ser indicada. Wendie Malick (''Just Shoot Me!'') voltou a categoria depois de dois anos esnobada, e a sempre elogiada Cynthia Nixon (''Sex and the City'') finalmente aconteceu na categoria, muito pelas tramas dramáticas que Miranda recebeu na quarta temporada da série.

As outras indicadas foram as mesmas: a recém vitoriosa Doris Roberts por ''Everybody Loves Raymond'', Megan Mullally por ''Will & Grace'' e a eterna madrinha de casamento Kim Cattrall por ''Sex and the City''. Nessa etapa da categoria, a presença de Kristin Davis, também por ''Sex'', começa a ser questionada, visto que todas as suas colegas de elenco entraram na premiação, mas ainda não foi dessa vez. A vitória não era surpresa para ninguém, com um dos episódios mais elogiados da temporada como submissão, a segunda vitória de Doris Roberts foi certa desde meses antes da cerimônia. Aliás, não fosse Jennifer Aniston triunfando por ''Friends'', era capaz de ''Raymond'' ter levado as quatro categorias de atuação.

Abaixo, meu ranking:


5º Lugar: Wendie Malick - Just Shoot Me! ("Nina Van Grandma" + "The Boys in the Band")

Em 1999 eu deixei Malick em último pelas submissões fracas que ela escolheu, esse ano ela fica em último mais pela concorrência do que qualquer outra coisa. Porém, preciso admitir, não achei ''Just Shoot Me!'' lá muito engraçada. É uma série que o humor é bem datado e que muito dificilmente um outro ator faria diferente. Cogitei colocá-la acima de Cattrall, especialmente pelo episódio dela lidando com a neta, mas mesmo com um tempo de tela bom, as piadas não estão lá.

O outro episódio ela tem pouco a oferecer e tudo acaba sendo bem batido e tirando, no máximo, uma risadinha de canto. Malick, dentro do papel, parece muito confortável e a cara de que seria um arraso com um texto melhor. Aqui, com o que ela tem, é apenas boa dentre mulheres realmente fantásticas.


4º Lugar: Kim Cattrall - Sex and the City ("Belles of the Balls" + "I Heart NY")

Cattrall submeteu dois bons momentos de Samantha em uma temporada que a personagem foi vastamente explorada. Entre relacionamento lésbico e, finalmente, se entregar ao amor, a personagem fez de um tudo na quarta temporada da série. Nesse primeiro episódio o destaque maior é que Samantha percebe que, infelizmente, o mundo não a trata com o respeito que homens tem. Aliás, uma das cenas mais bonitas da atriz/personagem está nessa submissão, que é quando ela está entrando no elevador para não chorar, a câmera filma o reflexo da atriz e ainda assim sentimos tudo que ela está vivendo ali.

A segunda submissão é mais focada na comédia, mas falta tempo de tela (um problema recorrente com Cattrall nessas corridas), mas admito que vê-la usar uma peruca e sair como espiã é algo engraçado de ver, mesmo que dure pouco e signifique tê-la abaixo no ranking.


3º Lugar: Doris Roberts - Everybody Loves Raymond ("Lucky Suit" + "Marie's Sculpture")

Eu entendo a comoção de ver Marie toda sem avulsa ao significado real de sua escultura, especialmente porque esse lado ingênuo da personagem é muito cativante, mas é em ''Lucky Suit'' que Doris realmente brilha para mim. O episódio quase todo é focado nela, em como ela tenta sabotar um filho por motivos que não compreendemos.

Essas ações geram situações muito engraçadas, que também focam nesse aspecto ''avoado'' como se Marie não tivesse noção do que está fazendo ou acontecendo. Porém, quando realmente é revelado a intenção por trás de tudo que ela está sentindo, é muito difícil não se compadecer a Marie e, por consequência, também a Roberts, que entende esse papel bem arquétipo e sempre tenta torná-lo vivo e muito humano. E, claro, muito engraçado.


2º Lugar: Cynthia Nixon - Sex and the City ("My Motherboard, My Self" + "Change of a Dress")

Com certeza deve dar um curto no votante que precisa assistir Doris Roberts e Cynthia Nixon no mesmo ano. A sua personagem, Miranda, tem um episódio todo focado na perda da mãe e nesses pouco mais de vinte minutos percebemos que Nixon é, no fim das contas, a grande atriz do elenco. É um choque tão grande compreender a perda em uma série que nem sempre lidou com isso que é impossível não se sentir mesmerizado pela força de Cynthia em cena.

E se sua trama no outro episódio é mais boba, é delicioso rir das forçadas que Nixon faz quando precisa lidar com a reação dos outros ao vê-la falar do sexo de seu bebê. É uma junção de comédia e drama muito bem feita, que vale ouro.


1º Lugar: Megan Mullally - Will & Grace ("Grace in the Hole" + "A.I.: Artificial Insemination")

Olha, o que eu tenho para dizer é que deve ser muito triste a vida de quem não tem Karen Walker em algum momento de sua existência, que personagem/atuação sensacional. Não tem uma cena sequer dessas submissões que não tenha Mullaly absorvendo TUDO que pode da personagem. Cada novo trejeito, expressão fácil, tudo a serviço de um texto que entende e apoia a personagem, isso resulta em gritos involuntários tamanha é a qualidade da performance.

Hoje eu vi no twitter a thread ''personagens que você não conseguiria ver outro ator fazendo'' e um deles, com certeza, é a Karen. E se o episódio dela trancada no quarto é incrível, porque Karen em privação de algo é a melhor Karen, a cena dela recebendo as flores no outro episódio é simples e genial ao mesmo tempo. 

quarta-feira, 7 de julho de 2021

Emmy - Melhor Atriz Coadj. Comédia 2001: A Rainha Doris

 


Em uma das poucas vezes que o Emmy foi mais Emmy possível, a categoria de 2001 é, exatamente, igual a de 2000. Lisa Kudrow e Jennifer Aniston retornaram por ''Friends'', Doris Roberts por ''Everybody Loves Raymond'', Kim Cattrall por ''Sex and the City'' e a vencedora Megan Mullally por ''Will & Grace''. Dá para se dizer que nessa etapa da série, as esnobadas de Cynthia Nixon por ''Sex and the City'' começaram a ser sentidas. E dada a storyline do casamento, talvez essa fosse a melhor chance para indicar Courteney Cox por ''Friends''.

A vitória da noite era prevista para ser um repeteco de Mullally, que vinha sido considerada ainda mais a maior razão para se assistir ''Will & Grace'', mas pode-se dizer que uma sensação de ''overdue'' era criada para Doris Roberts, que estava indicada pela quinta temporada da série. Não deu outra, a cerimônia ocorreu no dia do seu aniversário (após ser adiada tantas vezes após o 11/09) e a matriarca dos Barone se sagrou vencedora.

Abaixo, meu ranking:


5º Lugar: Lisa Kudrow - Friends ("The One with Phoebe's Cookies" + "The One with Joey's New Brain")

Kudrow escolheu episódios bons, mas nenhum excelente. No primeiro episódio ela passa quase batida até o momento final gritando com a avó falecida, mas isso dura segundos. Já o segundo episódio tem uma dinâmica bem legal com Aniston sobre quem vai sair com o cara gato que esqueceu o telefone na cafeteria. O lado ''quirky'' de Phoebe é sempre essencial para a comédia de Kudrow, e aqui funciona bem.

Porém, são os segundos que ela ''canta'' a música que Ross tá tocando na gaita de fole que são os melhores das duas submissões. É suficiente para estar mais acima no ranking? Não, mas isso fala mais das submissões alheias do que dela em si.


4º Lugar: Kim Cattrall - Sex and the City ("Where's There's Smoke..." + "Running with Scissors")

Quanto mais eu vejo ''Sex and the City'', mais eu percebo que Cattrall tinha dois grandes problemas: 1 - ela funciona muito mais vista pelo todo que ela entrega do que em episódio separados; e 2 - ela era bem ruim em submeter episódios.

Na primeira submissão, ela aparece muito pouco, embora sua cena final, nua no meio do corpo de bombeiros seja muito boa. Na segunda submissão, ela já entrega mais, com uma trama sobre ter medo do resultado de HIV. A paranoia da personagem se torna uma comédia muito palatável e a consulta pré-exame assim como ela caindo dura com medo do resultado são pequenos exemplos da inteligência cômica de Samantha Jones.

3º Lugar: Jennifer Aniston - Friends ("The One with Rachel's Assistant" + "The One Where They All Turn Thirty")

A melhor coisa das submissões de Aniston é que elas funcionam como um ''ciclo''. No primeiro episódio vemos Rachel conhecendo Tag, essa mania louca dela acaba caindo como uma luva pelo carisma gratuito que Aniston emana e nós compramos. E isso acaba sendo essencial para quando ela surta e percebe, no segundo episódio, que no momento que ela está, o Tag não combina.

Toda a graça de Rachel é muito calcada em Aniston ser uma grande estrela, é um tipo de conexão com o público muito difícil de conseguir, mas que ela faz parecer muito fácil. Nesses episódios, isso fica muito evidente, e é um crédito que precisamos dar a ela.


2º Lugar: Megan Mullally - Will & Grace ("Husbands and Trophy Wives" + "Crazy in Love")

Eu sou muito convencido que a Karen é uma personagem ''larger than life'' graças ao estupendo trabalho de entrega da Mullally. É muito surreal a forma como ela constrói essa mulher, e esse exagero é o que traz a série pra seu melhor e me faz ser tão apaixonado pela personagem. Se no primeiro episódio ela está só boa ao sentir ciúmes de Grace, no segundo que ela se junta ao Jack (os melhores momentos da série!) para Grace decorar o apartamento, apenas para eles ''descobrirem'' que Mrs. Adler é uma psicopata é genial.

Ela não só é uma coadjuvante clássica, mas nesse episódio ela utiliza uma comédia física e reações altamente irretocáveis. As cenas finais, quando ela está com medo de Grace, me fizeram gritar de tanto rir. Ela só não está em #1 no ranking porque a de cima me fez chorar.

1º Lugar: Doris Roberts - Everybody Loves Raymond (Episodes: "The Sneeze" + "Ray's Journal")

Assim como Aniston, Roberts tem duas submissões que se completam. Na primeira, ela cuida com todo carinho de um ''suposto'' Raymond doente. Já na segunda, Doris é descoberta por ter lido o diário de Raymond quando ele era adolescente.

São dois momentos que demonstram, acima de tudo, o quão amável é Marie Barone. A personagem, normalmente, é meio sarcástica, mas o lado carinhoso de Doris ultrapassa os limites e é muito difícil desgostar do que ela faz, especialmente porque sempre tem alguma comicidade junto desse amor. E no episódio do diário, ela tem uma cena falando da relação mãe e filho que me tirou lágrimas, isso é versatilidade, amores. Não tinha nem como não colocá-la tão alta no ranking.

sábado, 26 de junho de 2021

Emmy - Melhor Atriz Coadj. Comédia 2000: Karen & Jack



O aspecto mais interessante da corrida de 2000 é que as três coadjuvantes mais populares de comédias dos anos 2000 foram indicadas juntas pela primeira vez. Lisa Kudrow retornou para sua quinta indicação por ''Friends'', Kim Cattrall foi indicada pela segunda temporada de ''Sex and the City'', e a segunda de ''Will & Grace'' foi tão elogiada que propagou Megan Mullally para a premiação. Phoebe, Samantha e Karen dividiram a categoria em 2000 e 2001.

Para fechar a categoria Doris Roberts voltou para sua segunda indicação. A última vaga acabou ficando com Jennifer Aniston, também por ''Friends'', em uma rasteira tanto em Lucy Liu (indicada anteriormente) quanto em Cynthia Nixon, que muitos acharam que iria entrar por ''Sex and the City''. Como vocês podem ver, a vencedora (Kristen Johnston) foi esnobada, mas no Emmy dos anos 2000 isso se tornaria fato recorrente.

As favoritas da noite eram Mullally e Roberts, duas ''scene-stealers'' em série em auges criativos com personagens marcantes para o grande público e crítica. Até pelo amor que a Academia mostrou a ''Will & Grace'' naquele ano, em uma temporada badaladíssima pelo beijo gay entre Will e Jack, a comédia acabou vencendo Série e Ator Coadjuvante. Logo, a vitória nessa categoria não era tanta surpresa assim.

Abaixo, meu ranking:


5º Lugar: Kim Cattrall - Sex and the City ("The Awful Truth" + "The Freak Show")

Foi muito bom constatar a sagacidade e agilidade com que Cattrall se apropriou de Samantha, mas essas duas submissões não ajudam em nenhum aspecto para demonstrar isso. O grito de súplica ao revelar não aguentar mais o pau pequeno do namorado ou o surto quando percebe que precisa de muitas plásticas são legais, mas nada digno de nota. Com certeza, não digno do que a atriz apresentou no todo pela temporada.


4º Lugar: Lisa Kudrow - Friends ("The One That Could Have Been")

Esse episódio duplo da série é sobre os personagens imaginando como seriam suas vidas se eles tivessem tomado outras decisões. A escolha de Phoebe era se tornar uma mulher de Wall Street, peculiar, né?

Lisa Kudrow fazendo uma Phoebe do mercado de finanças é legal, visto que na sexta temporada ela já conhece a personagem indo e voltando, mas tirando a cena do ataque do coração, não tem muito mais para Kudrow fazer no papel. Não se enganem, é um bom episódio para ela, só não é algo marcante.


3º Lugar: Doris Roberts - Everybody Loves Raymond ("Sex Talk" + "Robert's Divorce")

Escolhas sábias essas de Roberts, em uma delas Marie precisa falar sobre sexo, na segunda confrontar a mulher de seu outro filho. No primeiro episódio, Doris não tem muito o que fazer, mas existe algo bem novo na forma como ela se espanta com falar sobre sua vida íntima, é como se ela chegasse a se ofender, e isso é bem sincero.

No segundo episódio, é impossível não torcer para que ela arrase com a cara da esposa de Robert, e Doris não decepciona. Sua lingua ferina entra em ação, e num rompante, a atriz faz a gente ficar muito feliz dela falar que ''é hora de tirar o lixo de casa''. Submissões inteligente, que mostram versatilidade e demonstram bem que é Marie Barone.


2º Lugar: Jennifer Aniston - Friends ("The One with Rachel's Sister" + "The One Where Chandler Can't Cry")

Fico muito feliz que o Emmy reconheceu Aniston na metade da série, acredito que ela já tinha maturado a personagem muito bem. Rachel Green já era um ícone quando Aniston foi indicada, e esses episódios demonstram muito bem isso. Óbvio que sendo a sexta temporada, nenhuma outra submissão seria possível que não a que Jill Green (Reese Witherspoon) aparece.

Uma das melhores coisas de Rachel é sua neurose, sua capacidade de surtar, porque ela faz isso de uma forma que o espectador a entende e quer confortar. Aqui, na iminência de um relacionamento entre Ross e Jill, Aniston surta daquele jeito que conhecemos, mas sempre trazendo muita graça junto disso. A forma como Aniston consegue imprimir carisma a personagem e, na cena final, perceber o baque do que tá ouvindo, mostra bem que ela merece esse #2 aqui.


1º Lugar: Megan Mullally - Will & Grace ("To Serve and Disinfect" + "Polk Defeats Truman")

Existe uma preferência bem pessoal sobre o que Mullally faz com Karen em jogo, só o trabalho de voz tão marcante da atriz já vale uns 2 Emmys. O fato é que não dá para reclamar dessas duas submissões, são duas escolhas excepcionais que destacam tudo que amamos em Karen. 

A do vídeo pornô por si só já é excelente, mas Karen ''on a budget'' é expressar tudo que a personagem mais odeia, e a Megan pega cada detalhe da composição da atriz para nos fazer rir. A forma como ela lida com extremo desdém e nojo da loja que Grace a convida para fazer compras é incrível. Um dos melhores combos que já vi na categoria, vitória mais que merecida.

terça-feira, 22 de junho de 2021

Emmy - Melhor Atriz Coadj. Comédia 1999 - Aquele em que Lisa Kudrow Perdeu!

 


Com o fim de ''Cybill'' e ''Seinfeld'', Christine Baranski e Julia Louis-Dreyfus eram inelegíveis para voltar a competição. As vencedoras prévias, Kristen Johnston e Lisa Kudrow, por ''3rd Rock from the Sun'' e ''Friends'', não tiveram problema em retornar. Jane Leeves, indicada em '98 por ''Frasier'', não conseguiu voltar, mas o sucesso altíssimo das temporadas de ''Just Shoot Me!'' e ''Everybody Loves Raymond'' propagaram Wendie Malick e Doris Roberts ao prêmio. Malick voltaria a concorrer anos depois, Roberts só pararia de concorrer com o fim de sua série.

A última vaga foi uma surpresa, mas o sucesso de Ling Woo com o público de ''Ally McBeal'' acabou levando Lucy Liu ao Emmy, uma indicação que poucas pessoas sabem que a atriz possui. Inclusive, Liu acabou entrando no lugar de uma bem amada Jane Krakowski, também de ''McBeal''. Na noite da premiação as favoritas eram Roberts e Kudrow. Doris por ser veterana da indústria em um papel que chamava muita atenção, e Lisa em um uma temporada (a 5ª) de ''Friends'' que diziam ter sido a melhor até então. Sua grande submissão, ''The One Where Everybody Finds Out'', foi o único episódio indicado a direção e roteiro naquele ano. 

No fim, a vitória de Johnston foi um upset surpreendente, especialmente porque ''3rd Rock'' parecia não estar mais nas graças da premiação.

Abaixo, meu ranking:


5º Lugar: Wendie Malick - Just Shoot Me! ("Two Girls for Every Boy" + "Slow Donnie")

Eu quero acreditar que Wendie Malick, vencedora moral dessa categoria em 2011 por ''Hot in Cleveland'', não submeteu esses dois episódios onde ela não faz NADA em cena. Mas dado que alguns indicados costumam fazer isso, também não me surpreendo.

Os 2 episódios são excelentes submissões para David Spade (que foi indicado, submeteu ambos e perdeu), mas tirando uma coisinha aqui e acolá, não fazem em nada para mostrar os talentos de Malick.


4º Lugar: Kristen Johnston - 3rd Rock from the Sun ("Two-Faced Dick" + "Dick the Mouth Solomon")

Johnston, sem dúvidas, deve ser a candidata mais ''over'' dentre todas as indicadas. Óbvio que existe uma explicação para isso, que é o fato de sua personagem ser uma alienígena vivendo num corpo de humanos. Em um episódio ela troca de corpo com o personagem de John Lithgow, no outro ela acreditar estar namorando um cara da máfia.

O primeiro episódio é um show de comédia física, você consegue entender ela absorvendo todos os maneirismos exagerados de Dick (Lithgow) para sua personagem, e utiliza  não só o mimetismo para o corpo, mas um excelente trabalho de voz em enunciação das sílabas como o personagem costuma fazer. O segundo, no entanto, envelheceu um pouco e os gritos da personagem não funcionam sempre, embora gargalhei quando ela tirou um lenço do meio dos seios em uma cena extremamente constrangedora. Ela fica mais abaixo pela seleção ser excelente do que qualquer outro motivo.


3º Lugar: Doris Roberts - Everybody Loves Raymond ("The Toaster" + "Frank's Tribute")

Até 2006, todos os coadjuvantes podiam submeter dois episódios para consideração. Para a sorte de Roberts, suas duas submissões são maravilhosas. Em uma ela precisa lidar com uma torradeira que seu filho comprou especial para os pais, e no segundo o marido vai receber um tributo de ''Homem do Ano''.

Roberts viria a vencer essa categoria quatro vezes, e poderia ter começado nesse ano. Sendo uma senhora de idade, a mobilidade de Doris a impede de focar sua comédia em algo físico. Para compensar isso, essa mulher (que tem as melhores ''one-liners'' dentre as senhoras de sitcoms) era a rainha da expressão facial. E ainda, no seu segundo episódio, ela tem belíssimas cenas de drama sobre a importância do amor em seu casamento, um prato cheio para a atriz mostrar versatilidade.


2º Lugar: Lucy Liu - Ally McBeal ("Angels and Blimps" + "Sex, Lies, and Politics")

Liu tem um combo parecido com o de Roberts, mas em uma linguagem ainda mais apurada. Em um episódio ela precisa representar uma criança com leucemia (Haley Joel Osment) e no outro ganhar de um deputado estadual que acabou com uma loja de livros/álbuns por considerar o conteúdo indigno da família tradicional americana.

Em ''Angels'', Liu faz com que a personagem mantenha sua pose durante todo o episódio, sempre com a língua afiada, ela parece ser apenas ''bitch'', sem qualquer humanidade. Em um argumento contra o advogado da Igreja, ela engole ele sem querer, mas quando a criança em questão morre, Liu precisa se desmontar daquilo tudo e cria uma cena muito linda e verdadeira. Já em ''Politics'', ela está no tribunal e dá um discurso em chinês, que não quer dizer NADA COM NADA, apenas para enrolar o júri. E cada nova frase é melhor que a anterior. É um humor mais ''ice queen'', mas funciona em todos os níveis.


1º Lugar: Lisa Kudrow - Friends ("The One Hundredth" + "The One Where Everybody Finds Out")

As duas submissões de Kudrow são o mais perto de perfeição que essa categoria poderia ter. Entre dar a luz aos trigêmeos e descobrir que Chandler e Monica estão namorando, não existe um momento de Lisa que não seja comédia mais pura e inteligente possível. Toda a carga dramática da cena final de ''Hundreth'' já é um contraponto lindo em relação as ações da atriz nas cenas anteriores. E eu poderia falar de como Kudrow domina o jogo de farsa de ''Finds Out'' como poucas vezes na televisão alguém já fez, mas eu quero deixar apenas:


winner!