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sexta-feira, 16 de julho de 2021

Emmy - Melhor Atriz Comédia 2003: Finalmente, Grace!

 


Apesar de todos os esforços de prêmios como o Globo de Ouro e o TCA, Bonnie Hunt não conseguiu adentrar a line-up de 2003 daquele Emmy pela sua aclamada série ''Life with Bonnie''. Mas não foi algo diretamente contra ela, a categoria desse ano foi exatamente igual a de 2002, a única vez que todas as indicadas de um ano foram exatamente as mesmas do anterior nos anos 2000. Logo, retornaram a vencedora prévia Jennifer Aniston pela nona de ''Friends'', Jane Kaczmareck pela quarta de ''Malcolm in the Middle'', Debra Messing pela quinta de ''Will & Grace'', Sarah Jessica Parker também em uma quinta temporada (''Sex and the City''), e Patricia Heaton pela sétima de ''Everybody Loves Raymond''.

A favorita na noite era Patricia Heaton, com duas estatuetas pela personagem, em um ano que o buzz de ''Raymond'' estava estratosférico, algumas pessoas também acreditavam que Jane Kaczmareck podia vencer. Porém, a cena final do episódio de submissão de Messing deve ter feito os votos pensarem diferente e premiá-la, até então a única do quarteto sem vitória. Messing revelou anos depois que ela já tinha desistido de ganhar. Com essa vitória, ''Will & Grace'' se igualou a ''All in the Family'' e ''The Golden Girls'' como únicas séries que todos os atores do elenco venceram o Emmy.

Abaixo, meu ranking:


5º Lugar: Sarah Jessica Parker - Sex and the City ("Anchors Away")

Parker é um poço de carisma como Carrie, e mesmo que eu entenda que nesse episódio ela escolha por pequenas partes engraçadas ou fofas, ao invés de um arco em si, não é das suas melhores submissões. É mais um ode a cidade de Nova York, com Carrie passando por algumas situações bem legais, mas sem nunca ter uma grande cena, ou até mesmo algo marcante. O momento final com o marinheiro é uma cena doce e bem feita, mas não consigo colocá-la muito acima da competição.


4º Lugar: Jennifer Aniston - Friends ("The One Where Monica Sings")

Aparentemente estava na moda de 2003 submeter episódios cômicos com os últimos minutos dramáticos. Igual a Messing, mas com menos profundidade, Aniston passa a maior parte de seu episódio, digamos, ''ofuscada''. Ela tem um momento legal fingindo estar gripada, mas passa rápido. O grande destaque é mesmo a discussão final com Ross que leva ao rompimento da decisão de morar juntos.

Aniston nunca chega a ir 100% no drama, mas existe uma série muito boa na forma como ela constrói o momento com Schwimmer. É quase como se víssemos um pouco do que seria Rachel Green em uma série dramática. E nos lembra que Aniston não é atriz de um truque só.


3º Lugar: Jane Kaczmarek - Malcolm in the Middle ("Baby")

Fiquei um pouco na dúvida sobre o que achar dessa submissão de Kaczmarek, meio que no meio termo e por isso ela ficou nessa posição. Nem sempre um episódio de nascimento é algo bom (Sofia Vergara em ''Modern Family'' me vem a mente), mas não é como se esse episódio tivesse sido ruim. É dividido em duas partes, na primeira o destaque é totalmente para Cloris Leachman, maravilhosa como a pior avó do mundo.

Na segunda, quando realmente vai acontecer o nascimento, é a hora de Kaczmarek brilhar. As vezes eu sinto que a situação toda do episódio resumo em ter apenas cenas dela gritando, mas dado que ela se aperfeiçoou na forma de trabalhar a expressão facial com maestria e você realmente acaba torcendo para que tudo dê certo, e muito graças a Kaczmarek, existem elogios a serem feitos aqui. Óbvio, que ela também se beneficia de submissões não tão boas de Aniston e Parker.


2º Lugar: Patricia Heaton - Everybody Loves Raymond ("Baggage")

Nada como um bom e velho episódio de sitcom da forma mais clássica possível. Todos os 20 e poucos minutos do episódios são sobre uma bagagem que nem Raymond ou Debra levaram pro quarto, deixando ela na escada. Logo no começo a Heaton lida isso de forma normal, mas quando ela explode, revelando que não aguenta mais aquela mala enorme parada na escada, você já começa a rir e não para mais.

Sua cena com Marie é fofa, mas nada te prepara pra o embate final com Raymond. Não só a língua ferina de Heaton está ''on fire'', mas tem uma cena final (foto) com a mala envolvendo comédia física que é genial e me fez gargalhar como nenhuma outra submissão desse ano.


1º Lugar: Debra Messing - Will & Grace ("The Kid Stays Out of the Picture")

Grace e Will decidiram que vão ter um filho, mas Grace começa a se encontrar com um cara as escondidas, quando o dia da inseminação se aproxima, Grace decide que quer um tempo para ver como as coisas vão seguir com esse potencial namorado. A forma como o episódio desenrola isso é surreal porque você não imagina que o tom vai mudar do nada, mas ele muda.

E com isso, a cena da briga entre Will e Grace se torna algo próximo de um drama dos anos 2000 que mostra a força desses dois atores em algo completamente diferente do que você está acostumado. Logo no começo do episódio tem um momento muito engraçado do beijo entre Grace e o cara, ai a Messing também um beijão maravilhoso na Karen e tudo isso mostra essa faceta cômica da atriz. Quando lidamos com ela jogando as verdades na cara do Will, e recebemos outras de volta, é como se fosse outra atriz. Eu vi essa cena anos atrás e nunca esqueci, revendo agora entendi o porque. Sensacional.

quarta-feira, 7 de julho de 2021

Emmy - Melhor Atriz Coadj. Comédia 2001: A Rainha Doris

 


Em uma das poucas vezes que o Emmy foi mais Emmy possível, a categoria de 2001 é, exatamente, igual a de 2000. Lisa Kudrow e Jennifer Aniston retornaram por ''Friends'', Doris Roberts por ''Everybody Loves Raymond'', Kim Cattrall por ''Sex and the City'' e a vencedora Megan Mullally por ''Will & Grace''. Dá para se dizer que nessa etapa da série, as esnobadas de Cynthia Nixon por ''Sex and the City'' começaram a ser sentidas. E dada a storyline do casamento, talvez essa fosse a melhor chance para indicar Courteney Cox por ''Friends''.

A vitória da noite era prevista para ser um repeteco de Mullally, que vinha sido considerada ainda mais a maior razão para se assistir ''Will & Grace'', mas pode-se dizer que uma sensação de ''overdue'' era criada para Doris Roberts, que estava indicada pela quinta temporada da série. Não deu outra, a cerimônia ocorreu no dia do seu aniversário (após ser adiada tantas vezes após o 11/09) e a matriarca dos Barone se sagrou vencedora.

Abaixo, meu ranking:


5º Lugar: Lisa Kudrow - Friends ("The One with Phoebe's Cookies" + "The One with Joey's New Brain")

Kudrow escolheu episódios bons, mas nenhum excelente. No primeiro episódio ela passa quase batida até o momento final gritando com a avó falecida, mas isso dura segundos. Já o segundo episódio tem uma dinâmica bem legal com Aniston sobre quem vai sair com o cara gato que esqueceu o telefone na cafeteria. O lado ''quirky'' de Phoebe é sempre essencial para a comédia de Kudrow, e aqui funciona bem.

Porém, são os segundos que ela ''canta'' a música que Ross tá tocando na gaita de fole que são os melhores das duas submissões. É suficiente para estar mais acima no ranking? Não, mas isso fala mais das submissões alheias do que dela em si.


4º Lugar: Kim Cattrall - Sex and the City ("Where's There's Smoke..." + "Running with Scissors")

Quanto mais eu vejo ''Sex and the City'', mais eu percebo que Cattrall tinha dois grandes problemas: 1 - ela funciona muito mais vista pelo todo que ela entrega do que em episódio separados; e 2 - ela era bem ruim em submeter episódios.

Na primeira submissão, ela aparece muito pouco, embora sua cena final, nua no meio do corpo de bombeiros seja muito boa. Na segunda submissão, ela já entrega mais, com uma trama sobre ter medo do resultado de HIV. A paranoia da personagem se torna uma comédia muito palatável e a consulta pré-exame assim como ela caindo dura com medo do resultado são pequenos exemplos da inteligência cômica de Samantha Jones.

3º Lugar: Jennifer Aniston - Friends ("The One with Rachel's Assistant" + "The One Where They All Turn Thirty")

A melhor coisa das submissões de Aniston é que elas funcionam como um ''ciclo''. No primeiro episódio vemos Rachel conhecendo Tag, essa mania louca dela acaba caindo como uma luva pelo carisma gratuito que Aniston emana e nós compramos. E isso acaba sendo essencial para quando ela surta e percebe, no segundo episódio, que no momento que ela está, o Tag não combina.

Toda a graça de Rachel é muito calcada em Aniston ser uma grande estrela, é um tipo de conexão com o público muito difícil de conseguir, mas que ela faz parecer muito fácil. Nesses episódios, isso fica muito evidente, e é um crédito que precisamos dar a ela.


2º Lugar: Megan Mullally - Will & Grace ("Husbands and Trophy Wives" + "Crazy in Love")

Eu sou muito convencido que a Karen é uma personagem ''larger than life'' graças ao estupendo trabalho de entrega da Mullally. É muito surreal a forma como ela constrói essa mulher, e esse exagero é o que traz a série pra seu melhor e me faz ser tão apaixonado pela personagem. Se no primeiro episódio ela está só boa ao sentir ciúmes de Grace, no segundo que ela se junta ao Jack (os melhores momentos da série!) para Grace decorar o apartamento, apenas para eles ''descobrirem'' que Mrs. Adler é uma psicopata é genial.

Ela não só é uma coadjuvante clássica, mas nesse episódio ela utiliza uma comédia física e reações altamente irretocáveis. As cenas finais, quando ela está com medo de Grace, me fizeram gritar de tanto rir. Ela só não está em #1 no ranking porque a de cima me fez chorar.

1º Lugar: Doris Roberts - Everybody Loves Raymond (Episodes: "The Sneeze" + "Ray's Journal")

Assim como Aniston, Roberts tem duas submissões que se completam. Na primeira, ela cuida com todo carinho de um ''suposto'' Raymond doente. Já na segunda, Doris é descoberta por ter lido o diário de Raymond quando ele era adolescente.

São dois momentos que demonstram, acima de tudo, o quão amável é Marie Barone. A personagem, normalmente, é meio sarcástica, mas o lado carinhoso de Doris ultrapassa os limites e é muito difícil desgostar do que ela faz, especialmente porque sempre tem alguma comicidade junto desse amor. E no episódio do diário, ela tem uma cena falando da relação mãe e filho que me tirou lágrimas, isso é versatilidade, amores. Não tinha nem como não colocá-la tão alta no ranking.

sábado, 26 de junho de 2021

Emmy - Melhor Atriz Coadj. Comédia 2000: Karen & Jack



O aspecto mais interessante da corrida de 2000 é que as três coadjuvantes mais populares de comédias dos anos 2000 foram indicadas juntas pela primeira vez. Lisa Kudrow retornou para sua quinta indicação por ''Friends'', Kim Cattrall foi indicada pela segunda temporada de ''Sex and the City'', e a segunda de ''Will & Grace'' foi tão elogiada que propagou Megan Mullally para a premiação. Phoebe, Samantha e Karen dividiram a categoria em 2000 e 2001.

Para fechar a categoria Doris Roberts voltou para sua segunda indicação. A última vaga acabou ficando com Jennifer Aniston, também por ''Friends'', em uma rasteira tanto em Lucy Liu (indicada anteriormente) quanto em Cynthia Nixon, que muitos acharam que iria entrar por ''Sex and the City''. Como vocês podem ver, a vencedora (Kristen Johnston) foi esnobada, mas no Emmy dos anos 2000 isso se tornaria fato recorrente.

As favoritas da noite eram Mullally e Roberts, duas ''scene-stealers'' em série em auges criativos com personagens marcantes para o grande público e crítica. Até pelo amor que a Academia mostrou a ''Will & Grace'' naquele ano, em uma temporada badaladíssima pelo beijo gay entre Will e Jack, a comédia acabou vencendo Série e Ator Coadjuvante. Logo, a vitória nessa categoria não era tanta surpresa assim.

Abaixo, meu ranking:


5º Lugar: Kim Cattrall - Sex and the City ("The Awful Truth" + "The Freak Show")

Foi muito bom constatar a sagacidade e agilidade com que Cattrall se apropriou de Samantha, mas essas duas submissões não ajudam em nenhum aspecto para demonstrar isso. O grito de súplica ao revelar não aguentar mais o pau pequeno do namorado ou o surto quando percebe que precisa de muitas plásticas são legais, mas nada digno de nota. Com certeza, não digno do que a atriz apresentou no todo pela temporada.


4º Lugar: Lisa Kudrow - Friends ("The One That Could Have Been")

Esse episódio duplo da série é sobre os personagens imaginando como seriam suas vidas se eles tivessem tomado outras decisões. A escolha de Phoebe era se tornar uma mulher de Wall Street, peculiar, né?

Lisa Kudrow fazendo uma Phoebe do mercado de finanças é legal, visto que na sexta temporada ela já conhece a personagem indo e voltando, mas tirando a cena do ataque do coração, não tem muito mais para Kudrow fazer no papel. Não se enganem, é um bom episódio para ela, só não é algo marcante.


3º Lugar: Doris Roberts - Everybody Loves Raymond ("Sex Talk" + "Robert's Divorce")

Escolhas sábias essas de Roberts, em uma delas Marie precisa falar sobre sexo, na segunda confrontar a mulher de seu outro filho. No primeiro episódio, Doris não tem muito o que fazer, mas existe algo bem novo na forma como ela se espanta com falar sobre sua vida íntima, é como se ela chegasse a se ofender, e isso é bem sincero.

No segundo episódio, é impossível não torcer para que ela arrase com a cara da esposa de Robert, e Doris não decepciona. Sua lingua ferina entra em ação, e num rompante, a atriz faz a gente ficar muito feliz dela falar que ''é hora de tirar o lixo de casa''. Submissões inteligente, que mostram versatilidade e demonstram bem que é Marie Barone.


2º Lugar: Jennifer Aniston - Friends ("The One with Rachel's Sister" + "The One Where Chandler Can't Cry")

Fico muito feliz que o Emmy reconheceu Aniston na metade da série, acredito que ela já tinha maturado a personagem muito bem. Rachel Green já era um ícone quando Aniston foi indicada, e esses episódios demonstram muito bem isso. Óbvio que sendo a sexta temporada, nenhuma outra submissão seria possível que não a que Jill Green (Reese Witherspoon) aparece.

Uma das melhores coisas de Rachel é sua neurose, sua capacidade de surtar, porque ela faz isso de uma forma que o espectador a entende e quer confortar. Aqui, na iminência de um relacionamento entre Ross e Jill, Aniston surta daquele jeito que conhecemos, mas sempre trazendo muita graça junto disso. A forma como Aniston consegue imprimir carisma a personagem e, na cena final, perceber o baque do que tá ouvindo, mostra bem que ela merece esse #2 aqui.


1º Lugar: Megan Mullally - Will & Grace ("To Serve and Disinfect" + "Polk Defeats Truman")

Existe uma preferência bem pessoal sobre o que Mullally faz com Karen em jogo, só o trabalho de voz tão marcante da atriz já vale uns 2 Emmys. O fato é que não dá para reclamar dessas duas submissões, são duas escolhas excepcionais que destacam tudo que amamos em Karen. 

A do vídeo pornô por si só já é excelente, mas Karen ''on a budget'' é expressar tudo que a personagem mais odeia, e a Megan pega cada detalhe da composição da atriz para nos fazer rir. A forma como ela lida com extremo desdém e nojo da loja que Grace a convida para fazer compras é incrível. Um dos melhores combos que já vi na categoria, vitória mais que merecida.

quarta-feira, 28 de abril de 2021

Emmy - Melhor Atriz Comédia 2002


A corrida do Emmy de Melhor Atriz em Comédia de 2002 foi um evento. O maior motivo disso está na mudança que o elenco de ''Friends'' resolveu fazer na premiação. Eles todos se submetiam como coadjuvantes, mas a partir dessa (8ª) temporada, todos resolveram ir como protagonistas. Se isso foi um negócio ruim para Lisa Kudrow, que nunca foi realmente protagonista da série, acabou sendo ótimo para Matt LeBlanc e Matthew Perry, que receberam indicações pela primeira vez. 

Melhor ainda foi para Jennifer Aniston, que era, claramente, o ''rosto'' do show, ela não só entrou na categoria, como tinha toda uma trama para vencer. ''Ally McBeal'' em seu último ano não estava muito bem das pernas, então nem foi difícil para a grande estrela da televisão americana derrubar Calista Flockhart dentre as indicadas. As outras quatro concorrentes já tinham sido indicadas no ano anterior.

Com toda a trama da gravidez, o auge de ''Friends'' na audiência (e para a crítica), a explosão no cinema (e na vida pessoal), era impossível alguém bater Aniston naquele ano. Quando ela confirmou a submissão perfeita que tinha em mãos, a situação só se confirmou.

Tendo dito isso, vejamos o ranking pessoal daquela corrida:


5º Lugar: Jane Kaczmarek - Malcolm in the Middle ("Poker")

''Malcolm in the Middle'' é uma das séries que pretendo ver completa algum dia, é muito singular em relação a tudo que foi feito na época. Tendo dito isso, muitos acreditam que Jane Kaczmarek deveria ter se submetido em coadjuvante, não só por ela não ser protagonista em si da série, mas porque ela realmente teria mais chances lá. 

Essa submissão, ''Poker'', mostra bem que Jane não era, exatamente, o centro da série. Ausente por quase todo episódio, Jane só vai ter realmente um momento engraçado nos minutos finais do mesmo, algo que dura em torno de 20 segundos. E, embora divertida, é Bryan Cranston como seu marido Hal quem manda no episódio, e que deveria ter saído vitorioso por ele.


4º Lugar: Patricia Heaton - Everybody Loves Raymond (''A Vote for Debra'')

Nesse episódio de ''Everybody Loves Raymond'', Debra decide se candidatar a um cargo escolar. Parece o episódio perfeito para submeter para a personagem, correto? Sim. Porém, não é. 

Patricia Heaton meio que interpreta o arquétipo do ''straight man'' em ''Raymond'', o tipo de papel em que o ator é mais sério em meio a arquétipos/tipos mais diferentes. Tudo bem que esse tipo rendeu Emmys a pessoas como Julie Bowen, mas deixou outras, como Courtney Cox sem sequer uma indicação. 

Aqui, embora esforçada, e tendo um momento muito bom que ela aparenta tentar falar o máximo de palavras possíveis por segundo, a atriz não consegue se destacar mais que seu marido cênico, o excelente Ray Romano. Quase como um ''Pateta'' humano, Ray brilha com suas expressões farsescas e piadas de canto de boca. Era para ser um show de Heaton, e ela até tenta, mas aqui acabou ficou de assistente.


3º Lugar: Sarah Jessica Parker - Sex and the City ("The Real Me")

Não consigo nem imaginar os votantes do Emmy comparando ''Sex and the City'' com as sitcoms da época. Seja a escolha narrativa, estéticas e, especialmente, de atuação, tudo salta aos olhos por ser tão diferente. E em ''The Real Me'' a coisa não muda de figura. Tudo bem que alguns comentários de roteiro não envelheceram bem, mas é um episódio muito bem dirigido (vencedor do Emmy na categoria!) e sobre auto conhecimento, especialmente de Carrie. 

É uma jornada bem delineada e montada com todo o cuidado para que possamos entender o que Bradshaw está passando. Ela precisa aceitar ou não estar numa posição a qual ela só está acostumada a  admirar, isso gera um misto de medo e dúvida que qualquer ser humano acabaria por ter se colocado em seu lugar. E é isso que torna a personagem tão verdadeira, e muito disso vem da graça e destreza que Sarah Jessica Parker tem em cena. É muito confortável como ela lida com tudo, como sua presença faz você questionar se Sarah, na verdade, não é mesmo a própria Carrie.

Se não é uma atuação para se gargalhar, é belíssima de se assistir. E sim, tem seus momentos engraçados.


2º Lugar: Debra Messing - Will & Grace ("Bed, Bath, and Beyond")

Um episódio que tinha tudo para deixar Grace quase insuportável, na verdade, se transforma em um misto de sorrisos e lágrimas como poucas séries conseguem oferecer de forma honesta. A forma como Debra Messing poderia ser apenas uma grande chorona em cena por quase todo o episódio, mas ela prefere tirar o melhor do ''over'' apresentado para a situação é, por si só, muito inteligente. 

Que ela tenha um o momento final tão sincero e humano, quase que uma quebra daquele mundo, ao ponto que isso dinamiza quem Grace é como personagem, é quase brilhante. E repito: isso só ocorre porque Messing entrega tudo com muita sabedoria. Um ano depois, em um momento ainda mais verdadeiro (e realmente dramático!) ela ganharia seu Emmy. E se tivesse vencido aqui, teria sido muito merecido.


1º Lugar: Jennifer Aniston - Friends ("The One Where Rachel Has a Baby")

A trama da gravidez de Aniston foi tão evento naquele ano, mas de forma muito merecida. É um dos ápices dos roteiristas de ''Friends'' e culmina em uma season finale dupla de excelente qualidade. Episódios com personagens dando a luz geralmente acabam resultando em Emmys, como é caso de vencedoras prévias como Candice Bergen e Helen Hunt, e nesse caso específico, não tinha como ser diferente. 

Com o beneficio de ter o dobro de tempo de tela em relação as suas concorrentes, Aniston mergulha em uma enorme montanha russa de emoções. É uma crescente de momentos delineados pelo temperamento de Rachel, expressos perfeitamente por Jennifer. Se no primeiro episódio os níveis de estresse, ansiedade e impaciência definem a personagem, no segundo temos o turbilhão para o parto acontecer. Gritar e fazer careca não significa boa atuação, mas Aniston entende o tom cômico de traduzir uma boa piada em trabalho de parto. 

Só que é a forma como finalizam o episódio que fecha tudo com chave de ouro. De maneira sútil e emocionante, a atriz nos conduz para seu amor para com o bebê que acaba de nascer e suas visões para o amor. É uma jornada bonita de ver, guiada pela performance generosa, divertida e única de Jennifer Aniston para com Rachel Green.