sábado, 1 de maio de 2021

Melhor Atriz 1962 - O Milagre de Anne Bancroft


Eu tinha colocado na minha mente que anos falados em exaustão não seriam minha prioridade nessa corrida. E não existe ano mais falado que esse, certo? Afinal, até em minissérie do Ryan Murphy ele foi comentado. Porém, graças a um amigo que chegou nesse fatídico ano, e também porque é bom falar do que é popular, acabei por realizar a análise do ano.

1962 foi o ano que Tarkovsky lançou seu primeiro filme, o Brasil venceu sua única ''Palma de Ouro'' com O Pagador de Promessas, e a maior lenda de Hollywood morreu: Marilyn Monroe. Naquela época, os precursores se dividam, basicamente, entre o New York Film Critics Circle, o National Board of Review e, claro, o Globo de Ouro. Devido a uma greve da mídia impressa, New York não anunciou vencedores naquele ciclo. Com ''Doce Pássaro da Juventude'' lançado em Março de '62 e o Oscar daquele ano só acontecendo em abril, a corrida de Melhor Atriz começou bem cedo, antes mesmo da cerimônia que premiaria os filmes do ano anterior acontecer.

Geraldine Page, indicada naquele cerimônia por ''Summer and Smoke'', era uma atriz chegando aos 40 anos, mas com apenas dois filmes no currículo, ambos lhe renderam indicações ao Oscar. No mês de Junho, há o lançamento de ''The Music Man'', onde Shirley Jones tem um papel substancial, que explode na bilheteria e se torna um dos três maiores lançamentos do ano. No começo do segundo semestre temos o lançamento de ''The Miracle Worker'', o veículo catapultou Anne Bancroft e Patty Duke as graças da crítica, que as laurearam como as grandes atuações do ano até então.


Como sempre, a grande maioria dos filmes do Oscar eram guardados para o fim do ano. Ai no trimestre final, saíram os filmes de Katharine Hepburn (''Long Day's Journey Into Night'', vencedor de Melhor Atriz em Cannes), Shelley Winters (''The Chapman Report''), Melina Mercouri (''Phaedra'', seu filme posterior ao hit ''Never on Sunday''), Bette Davis/Joan Crawford (''What Ever Happened to Baby Jane?''), Rosalind Russell (''Gypsy'') e Lee Remick (''Days of Wine and Roses''). O National Board of Review foi com Anne Bancroft, que também ganhou todos os outros (poucos) prêmios distribuidos no ano.

Naquela época, o Globo de Ouro indicava, até, dez pessoas em uma categoria. E mesmo assim, Joan Crawford foi esnobada. As vencedoras? Geraldine Page (em Drama, que venceu também por ''Summer and Smoke'') e Rosalind Russell (em Comédia/Musical). No dia das nomeações, essas eram as esperadas a entrar na lista:

- Geraldine Page, se o Globo não costumava acertar a vencedora, a premiada era ao menos indicada;
- Rosalind Russell, ''Gypsy'' acabou se tornando um dos hits do começo de '63 e, na época, o fato dela não cantar nada não veio a público; 
- Anne Bancroft, a mais aclamada performance do ano em um filme mais próximo do que a Academia gostava; 
- Bette Davis e/ou Joan Crawford, pelo sucesso do filme e a narrativa de ''comeback'' de ambas;
- Lee Remick, em uma atuação muito elogiada, assim como seu par, Jack Lemmon;
- Shirley Jones, também em um dos grandes hits do ano e, claro, vencedora recente da Academia.

Page, Bancroft, Davis e Remick entraram, junto de Katharine Hepburn, que foi a única indicação de seu filme. ''Gypsy'' e ''The Music Man'' acabaram fracassando nas categorias principais. E porque não Joan Crawford? Dado que quatro das cinco indicadas eram mulher em estão de não-sobriedade, eu presumo que a performance da mesma foi ofuscada pela expansividade de Davis em cena.

Anne Bancroft recebe o Oscar das mãos de Joan Crawford após uma performance de ''Mãe Coragem''

A gente sabe que Bette Davis muito tentou emplacar a narrativa de ''retorno a forma'', o sucesso do filme e tudo mais para se tornar a primeira mulher com três Oscars. Porém, Miracle, mesmo sem ser um grande hit de bilheteria, emplacou nas categorias nobres como Direção e Roteiro, coisa que nenhum dos outros filmes das indicadas chegou nem perto, ouso até dizer que foi o #6 daquela seleção de Melhor Filme. Bancroft também tinha em seu favor uma personagem absurdamente carismática, uma performance fisicamente muito difícil e, acima de tudo, o etarismo da Academia. 

Se hoje a gente está no quarto ano seguido com atrizes acima dos 40/50 vencendo a categoria, naquela época era muito raro alguém acima dos 30 e pouco ganhar. Na verdade, só Marie Dressler (uma lenda do cinema mudo) e Shirley Booth (em uma performance arrasa quarteirão) tinham conseguido o feito. Davis tinha 55, Bancroft tinha 31. Não deu outra, mesmo sem fazer campanha e sem um grande sucesso de bilheteria, Anne se sagrou vencedora e viria a receber mais quatro indicações em sua carreira. Para Davis, foi seu último grande momento. Sobre a ''suposta'' sujeirada de Crawford para impedir a vitória de Bette? Isso eu deixo para vocês assistirem ''Feud'' e tirarem suas próprias conclusões se aconteceu ou não. 

Abaixo, meu ranking das indicadas:


5º Lugar: Lee Remick, Days of Wine and Roses (''Vício Maldito'')

Embora ameace ser uma quase coadjuvante em seu longa, não dá para tirar de Lee Remick a força que ela consegue imprimir em sua atuação, sem nunca ceder a ficar nas sombras de Jack Lemmon. Interpretar uma pessoa alcoolizada não é tarefa fácil, pode sair algo caricatural muito facilmente (Vejam ‘’A Tara Maldita’’ para perceberem), e criar verdade em diálogos tão potentes como o que Lee faz na reta final de seu filme é ainda mais complicado. 

Sua personagem tem fases e nuances, e a atriz está sempre entregando isso com maestria. Tanto que em sua última cena, o espectador tende a torcer muito por ela, dado os vínculos criados até então. Seu último lugar é mais pelo nível da concorrência do que qualquer outra coisa.


4º Lugar: Geraldine Page, Sweet Bird of Youth (''Doce Pássaro da Juventude'') 

Apenas um ano antes, em ‘’Summer and Smoke’’, Geraldine Page fazia uma mulher bastante retraída e introvertida. Aqui, Alexandra Del Lago é totalmente o oposto, é grande, altiva e tem uma língua ferrenha. Ambas personagens são da mente de Tennessee Williams, e as duas são defendidas com fervor por Page. Em ‘’Pássaro’’, Geraldine entrega algo que foge da persona que ela entregou ao longo dos anos na telona (e na telinha). Cada momento de Page em cena é chamativo, ela não precisa levantar o tom, cada palavra é utilizada de forma muito efetivo. E toda vez que ela está em cena com Paul Newman, é um prazer tremendo assistir.

E as suas últimas cenas, em especial a que ela coloca Chance em ‘’seu devido lugar’’, mostram a compreensão dessa loba, não ainda abatida, que habita dentro de Alexandra,, tudo isso expressado através da genialidade de Page. Um 4º lugar de muito respeito.

P.S.: Muita gente não sabe, mas Page também concorreu ao Tony Award por esse papel, e perdeu também para Bancroft fazendo The Miracle Worker.


3º Lugar: Anne Bancroft, The Miracle Worker (''O Milagre de Anne Sullivan'')

O que Bancroft ganha muito nessa seleção é que, sem dúvidas, a sua personagem é que mais se conecta ao público. Ela consegue combinar sua rigidez enquanto uma professora severa com um sentimento verdadeiro de querer uma mudança para a vida dessa menina, que está em uma situação tão difícil, e o sentimento transparece em ambas as situações. É muito real a forma como Bancroft consegue confrontar aquela situação tão complicada, a medida que questiona seus próprios medos e limitações. 

Os olhares para a jovem Hellen Keller são sempre pertinentes, e quando Sullivan consegue progredir em seu ensino, a gente vibra com ela. É uma atuação que precisa de muito mais carisma e ‘’star quality’’ do que, normalmente, citam. Fora, claro, a fisicalidade precisa para realizar diversas cenas ali. Tudo isso, Anne Bancroft tem para dar e vender. Se sua vitória é tão falada por ter derrotado o auge de duas gigantes do cinema, não existe qualquer demérito em sua atuação se avaliada de forma isolada. Pelo contrário, teria sido irretocável em dezenas de outras ocasiões.


2º Lugar: Bette Davis, What Ever Happened to Baby Jane? (''O Que Terá Acontecido A Baby Jane?'')

Tendo visto que coloquei Davis em ‘’A Malvada’’ também em #2 na seleção de 1950, vocês devem achar que odeio Bette Davis. Ledo engano, assim como naquele ano, esse #2 aqui é, basicamente, um 1º lugar. Não é possível assistir ‘’Baby Jane’’ sem ficar embasbacado pela complexidade que Davis entrega a personagem. É uma atuação que reside totalmente no ''over the top'', no extremo, é 100% caricata e, ainda assim, totalmente crível. 

É como se víssemos o psicológico de  Jane transferido para o corpo de Davis. E ainda assim, são nos momentos ‘’menores’’, como as vezes que Jane está sozinha e relembra seus momentos de glória, que Bette entrega as partes mais inspirados de sua performance. Você não aceita as ações de Jane para com Blanche, mas você entende o que a levou até ali. É uma feição, um olhar machucado e solitário. E não existe local mais triste para se viver do que nessas emoções. 

Bette Davis é uma lenda, e ‘’Baby Jane’’ é a prova disso.


1º Lugar: Katharine Hepburn, Long Day Journey’s Into Night (''Longa Jornada Noite Adentro'')

Seria impossível não ter Hepburn no topo da lista, o que ela faz com Mary Tyrone durante todo o longa de Lumet é, para mim, de um brilhantismo intocável. De cara, você percebe o estado quase catatônico que Mary vive. E mesmo assim, a cada novo retorno da câmera a seu rosto, ela consegue ser uma presença imponente. Durante as muitas horas de duração, você embarca numa montanha russa de emoções junto da atriz, que disseca todos os problemas que essa mulher enfrentou e, ainda, enfrenta em sua vida tão conturbada. 

O rosto de Hepburn é uma moldura, uma entrada para as questões de Mary, é o semblante do efeito das drogas na personagem. É quase em estado de transe da atriz, que vai levando o espectador a algo hipnótico ali. Hepburn fica em cena por muito tempo, quando ela sai (por um bom tempo), você sente a sua falta. Só que, obviamente, há um ‘’grand finale’’. Daqueles que poucas atrizes tiveram, e você não tem dúvida alguma do poder cênico de Katharine para com aquela personagem durante toda essa jornada. Brava!

Porém, existem duas atuações daquele ano que mereciam entrar, são elas:


Harriet Andersson, Såsom i en spegel (''Através de um Espelho'')

Só para não falar que estou muito fora da caixinha, ''Espelho'' venceu Filme Internacional e foi indicado em Roteiro. Óbvio que naquela época era muito difícil uma indicação por língua não-inglesa, mas Loren tinha acabado de vencer.

Dizer que Andersson é uma excelente atriz é chover no molhado, todas da trupe de Bergman eram. Porém, em ''Espelho'', ela emula uma fragilidade mental como poucas vezes eu vi no cinema. Existe uma situação de medo, desespero e claustrofobia criado a partir da ambientação e roteiro do Bergman, mas nada disso se sustentaria se não fosse as feições de Harriet em cena. É muito marcante como ela entrega essas sensações de forma quase crua, é grande sem precisar ser. É um excelente registro de atuação não tão recorrente na época, mas que muitos tentam até hoje se igualar.


Melina Mercouri, Phaedra (''Profanação'')

Uns dois anos antes, Melina fez história ao ser o primeiro ator indicado por um filme internacional em uma performance não de língua inglesa. Esse filme era ''Nunca aos Domingos'', de seu marido Jules Dassin. ''Phaedra'' é o primeiro filme após esse grande hit, uma adaptação moderna da tragédia grega de ''Hipólito''. Na época, ela chegou a ter indicações ao Globo de Ouro e ao BAFTA, mas o filme não foi bem aceito como um todo e acabou ficando por aí. Considero injusto, visto que sua atuação é um deleite.

Existe uma mudança drástica no tom de tragédia para puro melodrama, mas Melina é magnética em cena, fica muito claro que a câmera de Dassin a ama, e ela tira muito proveito disso. Ela emana presença em cena, com um poder derivado de sua personagem. Mas não demora para Mercouri se permitir cair e sofrer. E ela faz isso de forma grande, sem receio, é muito gostoso de ver. Sua Fedra nunca diminui a postura, mesmo sofrendo, a altivez da personagem é traduzida por Melina. E isso vai até o fim, em uma atuação marcante o suficiente para poder ter chegado ao Oscar.

quarta-feira, 28 de abril de 2021

Emmy - Melhor Atriz Comédia 2002


A corrida do Emmy de Melhor Atriz em Comédia de 2002 foi um evento. O maior motivo disso está na mudança que o elenco de ''Friends'' resolveu fazer na premiação. Eles todos se submetiam como coadjuvantes, mas a partir dessa (8ª) temporada, todos resolveram ir como protagonistas. Se isso foi um negócio ruim para Lisa Kudrow, que nunca foi realmente protagonista da série, acabou sendo ótimo para Matt LeBlanc e Matthew Perry, que receberam indicações pela primeira vez. 

Melhor ainda foi para Jennifer Aniston, que era, claramente, o ''rosto'' do show, ela não só entrou na categoria, como tinha toda uma trama para vencer. ''Ally McBeal'' em seu último ano não estava muito bem das pernas, então nem foi difícil para a grande estrela da televisão americana derrubar Calista Flockhart dentre as indicadas. As outras quatro concorrentes já tinham sido indicadas no ano anterior.

Com toda a trama da gravidez, o auge de ''Friends'' na audiência (e para a crítica), a explosão no cinema (e na vida pessoal), era impossível alguém bater Aniston naquele ano. Quando ela confirmou a submissão perfeita que tinha em mãos, a situação só se confirmou.

Tendo dito isso, vejamos o ranking pessoal daquela corrida:


5º Lugar: Jane Kaczmarek - Malcolm in the Middle ("Poker")

''Malcolm in the Middle'' é uma das séries que pretendo ver completa algum dia, é muito singular em relação a tudo que foi feito na época. Tendo dito isso, muitos acreditam que Jane Kaczmarek deveria ter se submetido em coadjuvante, não só por ela não ser protagonista em si da série, mas porque ela realmente teria mais chances lá. 

Essa submissão, ''Poker'', mostra bem que Jane não era, exatamente, o centro da série. Ausente por quase todo episódio, Jane só vai ter realmente um momento engraçado nos minutos finais do mesmo, algo que dura em torno de 20 segundos. E, embora divertida, é Bryan Cranston como seu marido Hal quem manda no episódio, e que deveria ter saído vitorioso por ele.


4º Lugar: Patricia Heaton - Everybody Loves Raymond (''A Vote for Debra'')

Nesse episódio de ''Everybody Loves Raymond'', Debra decide se candidatar a um cargo escolar. Parece o episódio perfeito para submeter para a personagem, correto? Sim. Porém, não é. 

Patricia Heaton meio que interpreta o arquétipo do ''straight man'' em ''Raymond'', o tipo de papel em que o ator é mais sério em meio a arquétipos/tipos mais diferentes. Tudo bem que esse tipo rendeu Emmys a pessoas como Julie Bowen, mas deixou outras, como Courtney Cox sem sequer uma indicação. 

Aqui, embora esforçada, e tendo um momento muito bom que ela aparenta tentar falar o máximo de palavras possíveis por segundo, a atriz não consegue se destacar mais que seu marido cênico, o excelente Ray Romano. Quase como um ''Pateta'' humano, Ray brilha com suas expressões farsescas e piadas de canto de boca. Era para ser um show de Heaton, e ela até tenta, mas aqui acabou ficou de assistente.


3º Lugar: Sarah Jessica Parker - Sex and the City ("The Real Me")

Não consigo nem imaginar os votantes do Emmy comparando ''Sex and the City'' com as sitcoms da época. Seja a escolha narrativa, estéticas e, especialmente, de atuação, tudo salta aos olhos por ser tão diferente. E em ''The Real Me'' a coisa não muda de figura. Tudo bem que alguns comentários de roteiro não envelheceram bem, mas é um episódio muito bem dirigido (vencedor do Emmy na categoria!) e sobre auto conhecimento, especialmente de Carrie. 

É uma jornada bem delineada e montada com todo o cuidado para que possamos entender o que Bradshaw está passando. Ela precisa aceitar ou não estar numa posição a qual ela só está acostumada a  admirar, isso gera um misto de medo e dúvida que qualquer ser humano acabaria por ter se colocado em seu lugar. E é isso que torna a personagem tão verdadeira, e muito disso vem da graça e destreza que Sarah Jessica Parker tem em cena. É muito confortável como ela lida com tudo, como sua presença faz você questionar se Sarah, na verdade, não é mesmo a própria Carrie.

Se não é uma atuação para se gargalhar, é belíssima de se assistir. E sim, tem seus momentos engraçados.


2º Lugar: Debra Messing - Will & Grace ("Bed, Bath, and Beyond")

Um episódio que tinha tudo para deixar Grace quase insuportável, na verdade, se transforma em um misto de sorrisos e lágrimas como poucas séries conseguem oferecer de forma honesta. A forma como Debra Messing poderia ser apenas uma grande chorona em cena por quase todo o episódio, mas ela prefere tirar o melhor do ''over'' apresentado para a situação é, por si só, muito inteligente. 

Que ela tenha um o momento final tão sincero e humano, quase que uma quebra daquele mundo, ao ponto que isso dinamiza quem Grace é como personagem, é quase brilhante. E repito: isso só ocorre porque Messing entrega tudo com muita sabedoria. Um ano depois, em um momento ainda mais verdadeiro (e realmente dramático!) ela ganharia seu Emmy. E se tivesse vencido aqui, teria sido muito merecido.


1º Lugar: Jennifer Aniston - Friends ("The One Where Rachel Has a Baby")

A trama da gravidez de Aniston foi tão evento naquele ano, mas de forma muito merecida. É um dos ápices dos roteiristas de ''Friends'' e culmina em uma season finale dupla de excelente qualidade. Episódios com personagens dando a luz geralmente acabam resultando em Emmys, como é caso de vencedoras prévias como Candice Bergen e Helen Hunt, e nesse caso específico, não tinha como ser diferente. 

Com o beneficio de ter o dobro de tempo de tela em relação as suas concorrentes, Aniston mergulha em uma enorme montanha russa de emoções. É uma crescente de momentos delineados pelo temperamento de Rachel, expressos perfeitamente por Jennifer. Se no primeiro episódio os níveis de estresse, ansiedade e impaciência definem a personagem, no segundo temos o turbilhão para o parto acontecer. Gritar e fazer careca não significa boa atuação, mas Aniston entende o tom cômico de traduzir uma boa piada em trabalho de parto. 

Só que é a forma como finalizam o episódio que fecha tudo com chave de ouro. De maneira sútil e emocionante, a atriz nos conduz para seu amor para com o bebê que acaba de nascer e suas visões para o amor. É uma jornada bonita de ver, guiada pela performance generosa, divertida e única de Jennifer Aniston para com Rachel Green.

terça-feira, 27 de abril de 2021

Emmy - Melhor Atriz Comédia 1991


Provando que o Emmy não gosta de inovar, as cinco indicadas desse ano foram exatamente as MESMAS do ano anterior. Eu imagino que o episódio de Candice Bergen foi um evento na época, mas ela não é, exatamente, o maior destaque do mesmo. Então, dada a popularidade de ''Cheers'', uma vitória de Kirstie Alley não pode ter sido assim, uma surpresa tão grande.

Porém, pelo que pude ver desses episódios de ''Designing Women'', é uma pena que Dixie Carter nunca foi indicada pela série, ela está maravilhosa no papel. Aqui meu ranking das indicadas:


-- Blair Brown - The Days and Nights of Molly Dodd

Como citado anteriormente, até mesmo pela própria atriz, ''Molly Dodd'' entrou num limbo por causa dos direitos autorais das canções utilizadas na série e não existe hoje em lugar algum. É triste, pois foi uma das primeiras séries de canais a cabo (Lifetime) a ser indicada ao Emmy e sabemos que Blair enviou "Here's a Pregnant Pause" nesse ano.


4º Lugar: Delta Burke - Designing Women ("The Bachelor Auction")

O tanto que eu amei Delta ano passado, aqui gostei um pouco menos. Burke tem como trama um encontro (não-proposital) com um amigo que trabalha com ela, encontro esse que ela ''comprou'' naqueles eventos beneficentes que oferecem momentos com outras pessoas. 

O problema é que Dixie Carter e Meshach Taylor meio que ofuscam Delta no episódio, ela mais no começo, ele no final. Ali pelos momentos finais do episódio, Delta até tenta brilhar com um pouco de comédia física, mas não o suficiente para ser top 3 esse ano.


3º Lugar: Candice Bergen - Murphy Brown ("On Another Plane")

Em mais um episódio duplo (!), Murphy está em um avião prestes a cair. O primeiro episódio foca em momentos anteriores da vida dela, o segundo nela e o amigo Frank em um funeral deles, que ninguém pode vê-los.

Se nos primeiros vinte minutos, Bergen mal atua pois Murphy está mais nova e são outras atrizes no papel, nos minutos finais ela está ótima. Tem momentos para brilhar e volto a martelar a humanização de sua personagem como um dos pontos altos de ver esses episódios. Porém, ela sofre do mesmo mal de Delta Burke, sinto que Joe Regalbuto a ofusca com frequência e, por isso, ela fica com esse #3.


2º Lugar: Betty White - The Golden Girls (''Once, in St. Olaf'')

Em uma tape irretocável, White me conquistou demais como Rose nesse episódio de ''Golden Girls''. A personagem tem uma característica clássica de ser meio ''avoada'', quase que como uma pessoa inocente lidando com o meio, e aqui cai como uma luva.

Rose encontra seu pai biológico no hospital e tem muitos sentimentos perante tal situação. Então, esse aspecto ''ingênuo'' da personagem encaixa perfeitamente com a situação e White arrasa em todas as cenas. Ela, em especial, não perde nenhuma das (muitas) piadas e momentos cômicos jogados a ela, e ainda entrega um momento, genuinamente, fofo com o personagem de Don Ameche.


1º Lugar: Kirstie Alley - Cheers ("The Days of Wine and Neuroses")

Eu me peguei surpreendido com o caminho que esse episódio acabou tomando. Alley começa super tranquila, mega sóbria (literalmente) e finaliza ACABADA. É maravilhoso de assistir.

Em dúvida sobre o que fazer com sua vida agora que foi pedida em casamento, Rebecca, que parecia tão contente no começo do episódio, toma todas e tem os momentos mais hilários da categoria. Ao contracenar com Sam na metade final do episódio, a atriz utiliza menos humor físico e mais caras e bocas (com excelentes piadas!), mas funciona bem demais, eu não conseguia parar de rir e me deu muita vontade de acompanhar a série só por esse episódio. Mais um acerto do Emmy na categoria.

sexta-feira, 23 de abril de 2021

Emmy - Melhor Atriz Comédia 1990


Se a gente faz de drama, porque não fazer também de comédia, não é verdade? Essa é uma corrida que eu fiz uns meses atrás, mas acabei não escrevendo (não era a ideia), mas começar com as de drama me animou aqui também. Foi meu primeiro contato com várias dessas atrizes e séries e a experiência foi bem proveitosa.

Uma coisa interessante desse ano dentre as indicadas é que, pela primeira vez, apenas uma das ''Golden Girls'' (nesse caso, Betty White) foi indicada, isso iria ocorrer até o fim da série. Kirstie Alley, indicada dois anos antes, retorna a corrida. E a série ''Designing Women'' finalmente indica uma de duas protagonistas, Delta Burke. A outra nomeada é Blair Brown, uma das primeiras pessoas indicada por uma produção da televisão a cabo, lá em 1987.

A vitória da lendária Candice Bergen, a segunda de cinco no total, não é nada fora da caixinha. Meu ranking dos episódios enviados:


-- Blair Brown - The Days and Nights of Molly Dodd

Infelizmente, por causa de direitos autorais das canções utilizadas na série, ''Molly Dodd'' não está disponível em lugar algum. Para piorar, não sabemos o episódio enviado por Blair Brown nesse ano. Então, fica aqui só a foto da atriz para não deixar passar totalmente em branco.


4º Lugar: Betty White - The Golden Girls (''Rose Fights Back'')

Esse episódio é muito bom, fala sobre trabalho para pessoas na terceira idade e também para mulheres. Para algo feito em 1990, é altamente progressista. O tempo cômico de Betty White é perfeito, mas isso não é novidade para ninguém.

O que me faz colocar ela aqui e não mais acima é que sinto que faltou algo, é um bom momento para a personagem e White o faz com profissionalismo, mas sem algo realmente impressionante em nenhuma parte do episódio fica difícil ir além.


3º Lugar: Kirstie Alley - Cheers ("The Improbable Dream, Part 1")

Se Alley é hoje ''persona non-grata'' no meio artístico dado suas visões políticas republicanas, a sua inserção em ''Cheers'' foi um evento. Nesse episódio, Rebecca começa a ter sonhos sexuais com Sam (Ted Danson).

Isso permite que Alley trabalhe uma comédia física excelente em diversas cenas, ela realmente se entrega as ações e torna cada uma delas mais engraçada que a outra. Para completar, os outros momentos de Rebecca são recheados de piadas que funcionam o tempo todo. É um prazer assistir, de verdade.


2º Lugar: Delta Burke - Designing Women ("They Shoot Fat Women, Don't They?")

Sempre tive uma curiosidade considerável em assistir algo de ''Women'', depois de finalizar esse episódio o sentimento só aumentou. Tocando em um assunto que assombra mulheres por décadas, Suzanne (Delta) precisa lidar com seu corpo e a percepção dos demais ao redor dela. A personagem retorna para uma reunião da época de escola, quando era magra, e precisa ouvir os comentários mais maldosos e nojentos possíveis.

Me sinto quase traindo a categoria, mas como é sobre a PERFORMANCE, acho que está valendo. O momento mais bonito de Delta é muito emocionante, com zero intenção de ser engraçado, entregue com muita verdade e dor. Atuação muito bonita mesmo da atriz, que ressoa comigo até hoje, uma grata surpresa.


1º Lugar: Candice Bergen - Murphy Brown ("Brown Like Me")

Acho que após ver apenas um episódio de ''Murphy'', consegui entender o furacão Bergen no Emmy. Nesse episódio, a Murphy precisa lidar com os dois pais (que são separados) vivendo com ela por alguns dias porque ela irá receber o prêmio. A situação é um pesadelo, mas Brown (e por consequência, Bergen) arrasa em cada cena.

É como se Bergen utilizasse os melhores pontos da concorrência: tem comédia física, excelentes ''one-liners'' e muita verdade em cena. É um ser humano vivendo e respirando em sua total realidade na tela, isso encanta e torna tudo muito mais genuíno. É suficiente para justificar tantas vitórias? Não sei, mas essa em particular, com toda certeza é.

quinta-feira, 22 de abril de 2021

Emmy - Melhor Atriz Drama 2000



Sem grandes pretensões, diferente do meu projeto de Melhor Atriz no Oscar, quero apenas ver todos os episódios submetidos pelas atrizes indicadas num determinado ano e fazer meu ranking pessoal.

Nas indicações caíram Gillian Anderson (''The X-Files'') e Christine Lahti (''Chicago Hope'') para a chegada de duas atrizes em novas séries: a já vencedora Sela Ward em ''Once and Again'' e Amy Brenneman em ''Judging Amy'', esse também o ano que Mariska Hargitay estreou como Olivia Benson em ''SVU'', mas demorariam 5 anos para ela ser reconhecida pelo Emmy. 

A vitória de Ward foi uma surpresa para todos, visto que era esperado que Edie Falco repetisse o feito do ano anterior e prevalecesse novamente. Vem ver meu ranking:


5º Lugar: Lorraine Bracco - The Sopranos ("Big Girls Don't Cry")

Eu gosto do que Bracco faz em Sopranos, é bem mais sútil do que a maioria do elenco, mas se já era difícil considerar ela protagonista na temporada anterior, nessa é pedir para se fazer de louco. E o pior, algumas coadjuvantes submetidas em protagonista (como Elisabeth Moss em ''Mad Men'') ainda conseguem episódios centrados em si, não é o caso de Bracco aqui.

O episódio é quase que a primeira aparição da Drª Melfi na temporada, ela relata para seu terapeuta os sentimentos e sonhos que vem tendo com Tony, tem outras cenas boas no final do episódio com Gandolfini, mas nada que dignifique um lugar acima desse.


4º Lugar: Amy Brenneman - Judging Amy (''The Wee Hours")

Conheço o trabalho de Brenneman por causa de ''The Leftovers'', onde ela entregou momentos incríveis. Séries como ''Judging Amy'' gritam anos 90, achei até um prazer assistir o episódio e existe uma boa presença de Brenneman, mas nada que realmente seja acima da média.

O episódio faz uma boa análise entre Amy julgando casais em problemas de custódia vs. a própria Amy tendo que lidar com isso em sua vida pessoal. Não existem grandes momentos ou nuances, mas é um trabalho decente com segundos finais bem bonitos.


3º Lugar: Julianna Margulies - ER ("Great Expectations")

A última temporada de Margulies como a icônica enfermeira Carol Hathaway entrega um ótimo episódio para a personagem, mesmo que eu tenha ficado com a impressão que não foi algo muito difícil para Julianna em termos de atuação.

É o episódio que sua personagem precisa dar a luz, ela tem complicações no parto e envolve muita emoção. Porém, eu tive uma primeira impressão que Margulies passou o episódio todo só gritando e chorando, mas acredito que os minutos finais dinamizem a performance dela e mostrem como a jornada para ter suas filhas foi complicada, mas muito bem feita como um todo.


2º Lugar: Edie Falco - The Sopranos ("Full Leather Jacket")

Sempre excelente em cena, é sentido que a presença de Carmela na segunda temporada não teve o mesmo peso da anterior. Muito periférica, a personagem teve poucos momentos para realmente aproveitar o momento, mas quando o teve, Falco faz como ninguém.

É muito boa a forma como Carmela intimida alguém, aqui ela precisa de uma carta para a filha entrar na faculdade. Se o contato primário mostra uma mãe tranquila falando com a vizinha, existe um veneno intrínseco a personagem em seu momento final com a irmã daquela vizinha. Não só é uma excelente performance, mas é uma daquelas que dá gosto de assistir.


1º Lugar: Sela Ward - Once and Again ("Pilot")

Não vou reclamar da escolha da Academia aqui, por mais que a série e a própria Sela não sejam nomes populares atualmente, assisti a seu episódio e tive uma surpresa muito agradável.

Confesso que séries com dramas familiares sempre irão me chamar atenção, mas o que eu mais gostei aqui é a forma naturalista, sem qualquer sinal de afetação, que a trama é conduzida. Primeiro que existe um momento ''documentário'' dos atores (como na foto acima) que aproxima demais tudo ao espectador. Segundo que sendo esse o piloto da série, é uma maneira muito legal de você conhecer e entender todo o dilema em questão.

E Sela, magnética em cena, nunca decepciona, trabalha com o mínimo, mas também tem sua cena de arroubo dramático, finalizando com um momento lindo com sua filha. Pacote completo. Vitória merecida.

sábado, 13 de março de 2021

Grammy Awards 2021: Apostas!


Álbum do Ano: Taylor Swift - Folklore. Porém, Dua e Jhené tem chances.

Gravação do Ano: Dua Lipa - Don't Start Now. Beyoncé tem 2 chances com ''Black Parade'' e ''Savage''

Canção do Ano: Dua Lipa - Don't Start Now. Taylor é a favorita, mas acho que Billie e H.E.R. ameaçam mais.

Artista Revelação: Megan Thee Stallion. Porém, Phoebe é ameaça forte.


POP:

Solo - Dua, mas Billie/Harry ameaçam;

Duo/Group: Taylor, mas BTS/Gaga podem vencer;

Álbum : Taylor, mas Harry/Dua podem vencer.

Álbum Tradicional: Renée, mas James Taylor de RU.


ROCK:

Performance: Fiona, mas Phoebe ameaça;

Canção: Fiona;

Álbum: The Strokes;

Álbum Alternativo: Fiona, mas de olho em Brittany.

DANCE:

Gravação: Kaytranada feat. Kali Uchis

Álbum: Kaytranada


R&B:

Performance: Beyoncé, mas Aiko ameaça;

Canção: Beyoncé, mas ChloexHalle podem vencer;

Performance Tradicional: Ledisi vs Chloe/Halle;

Álbum: John Legend;

Álbum Progressista: Jhené Aiko, mas ChloexHalle ameaçam.


RAP:

Performance: Megan e Beyoncé - Savage;

Melodic Performance: Rockstar, mas Paak ameaça;

Canção: Megan e Beyoncé com Savage, mas Bigger Picture é uma opção;

Álbum: Nas.


COUNTRY:

Performance: Miranda Lambert - Bluebird, com ''Black Like Me'' como RU;

Canção: Maren Morris - The Bones, mas Miranda de RU;

Duo/Group: Old Dominion, mas de olho em Dan+Shay;

Álbum: Miranda Lambert - Wildcard.


Álbum de Teatro Musical: Jagged Little Pill;

Canção para Audiovisual: No Time to Die da Billie;

Clipe: Beyoncé;

Filme Musical: Beyoncé, mas Beastie Boys ameaçam.

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2021

Melhor Atriz 1990 - Uma glória feita de terror

 


Quando olhamos hoje para o que a performance de Kathy Bates em ''Louca Obsessão'' representa para o cinema, fica difícil de imaginar que sua vitória foi uma considerável surpresa? Pois é, mas dois pontos chaves explicam porque naquela fatídica noite, nenhuma das favoritas se chamava Kathy Bates. Vem comigo!

1º) Kathy Bates é o que a a indústria chama de ''character actress''. E o que é isso? Em resumo, é um tipo de perfil na indústria para pessoas que não se encaixam nos padrões que estão os ''protagonistas'' e, normalmente, são relegados a papéis de coadjuvante. Perceba como todas as ganhadoras de Melhor Atriz normalmente são mulheres bem jovens (brancas e magras!) ou que um dia já foram assim. Kathy Bates é uma mulher gorda, sabe quantas dessas venceram o Oscar em geral? Apenas 4, sendo Kathy a única a vencer na categoria principal. E poucos diriam que ela é uma atriz dentro do que Hollywood categoriza como beleza. Só por isso, ela já estaria atrás numa corrida para o grande prêmio da noite.

P.s.: As demais foram Hattie McDaniel, Mo’Nique e Octavia Spencer em papéis coadjuvantes.

2º) Preconceito com ''gênero''. A Academia sempre se mostrou muito suscetível a indicar e premiar certos tipos de filmes. Além dos dramas que são tão categoricamente considerados standards do que é filme de qualidade, eles sempre curtiram musicais e obras de faroeste, mesmo que em menor escala. Porém, qualquer coisa que fuja desse escopo já ganha uma enorme barreira no Oscar. Filmes de terror/horror/suspense são, talvez, os mais prejudicados junto dos filmes de comédia. Tanto é que, muitos não sabem, mas Bates foi também a primeira atriz a vencer a categoria principal em um filme do gênero. Tá ouvindo, Mia Farrow? Sente o cheiro, Ellen Burstyn!

As favoritas da noite eram prévias vencedoras: Anjelica Huston por ''Os Imorais'' e Joanne Woodward por ''Cenas de uma Família''. Porém, acredito que Woodward nunca teve muita chance, ela era a única indicação de seu filme e era uma vencedora prévia da categoria, e como vimos por décadas, vencer um segundo Oscar (especialmente como protagonista) normalmente só ocorre quando se está em filmes indicados nas grandes categorias. Já Huston deve ter brigado por aquela estatueta até o último momento, visto que naquela época ela era uma das maiores. Ela era vencedora prévia em coadjuvante, estrelando grandes produções (''Convenção das Bruxas'' também é de 90', por exemplo) e seu filme entrou até em Melhor Diretor.

Então, porque ela perdeu? Do ponto de vista de Huston, seu filme era esperado até em Melhor Filme e que ganhasse algo, mas ficou de fora da grande categoria e saiu sem nada. Logo, pode ser que o ''não amor'' ao filme, e até mesmo o Oscar prévio de Huston, tenham contribuído para sua derrota. Enquanto que Bates, mesmo sendo a única indicação de ''Louca Obsessão'', tinha uma enorme bilheteria para ajudá-la, o fator que sua performance foi realmente muito aclamada (não por acaso ela é considerada top 10 de vilãs do cinema americano pelo Instituto de Filmes Americanos), venceu o Globo de Ouro daquele ano e estava presente, como coadjuvante, em alguns filmes da corrida, o que mostra que ela não era uma total desconhecida. E é interessante que existe um paralelo entre Woodward/Huston vs Bates: as duas primeiras são realeza em Hollywood, Woodward era casada com o ator Paul Newman e Huston era filha do diretor John Huston, enquanto que Bates veio de baixo e era muito mais uma ''outsider''. Visto que a performance de Bates hoje em dia é considerada canônica não só no gênero, mas no cinema em si, podemos dizer que essa vitória fora da caixinha foi um belíssimo acerto do Oscar.

Dentre as demais indicadas da categoria estavam duas ''fillers'': Julia Roberts por ''Uma Linda Mulher'' e Meryl Streep por ''Lembranças de Hollywood''. Roberts tinha o maior hit do ano, mas sua performance era daquelas que vencem Globo de Ouro em Comédia/Musical, mas para por aí, ao menos a nível de premiações. E Streep nem esperada por muitos era, mas como ela já provou por diversas vezes, nunca aposte contra essa mulher quando se trata de Oscar. 

Em se tratando de esnobadas, basicamente só tivemos uma, que também é a minha escolha como ‘’indicada que não aconteceu’’ do ano, mas falarei mais ao fim do post. Dentre as demais, possíveis, esnobadas estavam filmes não tão elogiados, mas com protagonistas até amadas. Foi esse o caso dos dois filmes que Bates se destacou como coadjuvante, ''Mulher Até o Fim'' com Jessica Lange e ''Loucos de Paixão'' com Susan Sarandon. Debra Winger foi considerada pelo grandioso filme de Bernardo Bertolucci (''O Céu que nos Protege''), mas assim como os demais, acabou que o projeto nunca decolou voo. 

Depois de toda essa conversa, estão prontos para o meu ranking? Vamos lá!