domingo, 28 de janeiro de 2018

Grammy 2018: Apostas, torcidas e opiniões.


O Grammy desse ano causou um considerável furor ao esnobar o cantor Ed Sheeran das categorias principais, muitos afirmaram que essa foi uma tentativa da premiação de mais uma vez colocar um artista branco/pop versus um artista negro/r&b ou rap e ver, novamente, o branco vencendo. Com isso, a principal categoria da noite tem 3 artistas negros, 1 latino e 1 mulher (branca). Será que teremos uma vitória histórica de um álbum de rap? Apenas 2 cd's do gênero em toda a história da premiação ganharam a categoria máxima. Aliás, falando em questões políticas, as demais principais categorias também devem carregar essa bandeira, veja a seguir nas minhas apostas:


ÁLBUM DO ANO

A categoria estava predestinada para uma briga entre Ed Sheeran e Kendrick Lamar, mas com a esnobada do britânico e a inclusão do último, excelente, cd de Jay-Z, fica difícil saber se os votantes do gênero vão se dividir entre Lamar e o marido de Beyoncé, visto que ele é o mais indicado da noite, ou se Kendrick vai ter força para ganhar mesmo assim. A indicação de Childish Gambino é sua vitória, e, embora algumas pessoas acreditem que Lorde, que tem o melhor cd dos indicados, possa vir a vencer por ter todos os votos pop, é bom lembrar que ela não recebeu nenhuma outra indicação, e que esses votos pop podem muito bem ir para o último indicado da categoria: Bruno Mars. O cantor tem um cd bem aquém de uma discografia não muito memorável, mas a crítica gostou, a indústria claramente gosta dele e ele é um artista ''hippie e cool'' o suficiente para a Academia premiar e sair como ''moderna'', o fato de que ele não é um homem branco só ajuda a sua situação. O que eu espero mesmo é que Lamar consiga sair dessa divisão de votos com Jay-Z vitorioso, porque mesmo amando Lorde, uma vitória dela contra 4 ''pessoas de cor'', como é chamado nos EUA, geraria um backlash que uma mulher de 20 anos de idade não merece.
QUEM GANHA: Bruno Mars - 24k Magic. 
QUEM TÁ QUASE LÁ: Kendrick Lamar - DAMN.


GRAVAÇÃO DO ANO

É meio bizarro acreditar que Justin Bieber vai vencer um dos dois prêmios mais importantes do Grammy por causa de uma canção em espanhol, mas é isso que acredito que acontecerá. Despacito é o maior hit de 2017, o que a categoria normalmente premia (a não ser que você seja uma música de R&B/Rap, ai eles escolhem uma qualquer de rock rs), e num ano de Donald Trump presidente, a vitória de uma canção em espanhol é, basicamente, uma escolha política, Luis Fonsi e Daddy Yankee agradecem. Redbone e The Story of O.J. são duas incríveis, mas nada conhecidas, canções que por uma vitória da vida estão indicadas, e 24k Magic é basicamente uma versão menos interessante e memorável de ''Uptown Funk'', que venceu a categoria uns anos atrás. Se alguém pode bater a dupla de Despacito, e eu achava que seria ''Shape of You'', é HUMBLE, é loucura achar que uma canção de rap teria chance, mas a junção da aclamação e sucesso de Lamar poderia gerar um grande upset e seria lindo demais.
QUEM GANHA: Luis Fonsi (feat. Daddy Yankee & Justin Bieber) - Despacito
QUEM TÁ QUASE LÁ: Kendrick Lamar - HUMBLE


 CANÇÃO DO ANO

Nem eu estou crendo que estou apostando em Despacito para uma categoria que premia a letra da canção, mas esse ano as escolhas do Grammy foram terríveis piadas. Issues é uma canção pop genérica feita umas 10 vezes por ano que não tem a menor chance de vencer, 4:44 é a melhor escolha da categoria (e por incrível que pareça é com menos compositores mesmo sendo uma canção de rap), mas não tem qualquer impacto ou buzz para vencer a mesma. As duas músicas com chances de derrotar a primeira música em espanhol a vencer o prêmio em sei lá quantas décadas são, no máximo, ''boazinhas''. That's What I Like conseguiu a proeza de precisar de oito compositores para fazer uma música sobre ostentação americana e 1-800-273-8255 é uma canção basicamente clichê e verborrágica que tem uma ''mensagem social'' por trás que também não é nenhuma novidade, ela, aliás, possui o verso mais insuportável de todas as indicadas, a frase ''who can relate'' é tão apelativa que chega a ser vergonhoso. A canção de Bruno Mars pode vencer caso ele venha a perder álbum do ano e eles queiram dar um prêmio ''grande'' de consolação para ele, e a música do Logic seria uma alternativa por ter sido um hit, não tão grande, que tem essa questão social por trás. Eu realmente não saberia escolher entre essas 3 favoritas, então que vença mesmo Despacito, mesmo sendo criminoso ter Bieber como ganhador de uma categoria de composição.

QUEM GANHA: Luis Fonsi (feat. Daddy Yankee & Justin Bieber) - Despacito
QUEM TÁ QUASE LÁ: Bruno Mars - That's What I Like

REVELAÇÃO

A melhor das categorias principais, o Grammy soube selecionar muito bem os melhores destaques do ano que passou. Lil Uzi Vert é um excelente novo rapper, mas é um claro último lugar na categoria. Julia Michaels tem uma indicação em uma categoria ''grande'' e o Grammy adora essa vibe cantora/compositora, mas assim como Tori Kelly uns anos atrás, ela é apenas filler que ficou marcada como ''one hit wonder''. Khalid é uma ótima revelação do R&B e com apenas 19 anos mereceu muito a indicação, seu debut é bem bom, mas acho que ele não tem força para vencer aqui. A briga deve ficar mesmo entre Alessia Cara e SZA, a primeira é a que teve mais destaque com diversos hits em 2017 e se a categoria quiser seguir uma linha ''Meghan Trainor'' ela seria uma escolha decente, já a segunda é dona de um dos álbuns mais incríveis de 2018 e conseguiu indicações em quase todas as categorias de gênero com músicas diferentes e todas próprias (coisa que Khalid e Alessia não foram capazes). Mesmo sabendo que Cara é mais a cara (rs) do Grammy nesse momento, vou apostar em SZA por acreditar que ela precisa vencer algo e aqui seria o local perfeito para sua consagração.
QUEM GANHA: SZA
QUEM TÁ QUASE LÁ: Alessia Cara

-PREVISÕES NAS CATEGORIAS DE GÊNERO-

-POP

- Best Pop Solo Performance: Ed Sheeran, Shape of You. Talvez GaGa ameace, mas duvido. Eu queria mesmo era Kesha vencendo.
- Best Pop Duo/Group Performance: Luis Fonsi (feat. Daddy Yankee & Justin Bieber) - Despacito. Sim, são 3 Grammys pro menino Bieber na noite.
- Best Pop Vocal Album: Ed Sheeran, divide. GaGa seria também um spoiler, mas de novo, não acredito.
- Best Traditional Pop Vocal Album: Michael Bublé - Nobody But Me.

- DANCE/ELETRÔNICA
- Best Dance Recording: LCD Soundsystem - Tonite, mas Gorillaz pode vencer.
- Best Eletronic/Dance Album: 3-D The Catalogue – Kraftwerk. Porém, Mura Masa é um upset válido.
- ROCK/ALTERNATIVE
- Best Rock Performance: Leonard Cohen - You Want it Darker, mas o outro indicado póstumo, Chris Cornell, também pode vencer.
- Best Metal Performance: Mastodon, Sultan's Curse.
- Best Rock Song: É uma guerra de lendas entre Foo Fighters e Metallica, mas vou de Atlas, Rise!
- Best Rock Album: Hardwired... to Self-Destruct porque vai ser muito ícone Metallica vencendo a categoria com um cd de heavy metal.
- Best Alternative Album: A melhor categoria do Grammy, sem surpresas, deve ficar mesmo com LCD Soundsystem - American Dream, mas gritaria muito com uma vitória surpresa do Arcade Fire.

- R&B
- Best R&B Performance: Bruno Mars - That's What I Like, mas a melhor da categoria é The Weekend da SZA.
- Best Traditional R&B Performance: Childish Gambino - Redbone, duh.
- Best R&B Song: Mesmo com Bruno Mars estando com ''That's'' na categoria máxima de compositor e podendo muito vencer aqui, vou de Redbone porque o ''branch'' adora ser menos popular aqui, a canção tá em Gravação do Ano e é ANOS LUZ melhor que o hit de Bruno.
- Best R&B Album: Ledisi vai perder sua 12ª indicação e entrar no hall das maiores perdedoras do Grammy, triste e embora eu adoraria uma vitória surpresa dela aqui, com certeza dará Bruno Mars.
- Best Urban Contemporany Album: Tudo aponta para uma vitória de Childish Gambino aqui, mas uma vitória de Ctrl não seria tão surpresa e eu daria pulos de alegria.

- RAP
- Best Rap Performance: Kendrick Lamar - Humble e se o Jay-Z vencer, vai ter muita reclamação SIM.
- Best Rap Song: Story of O.J. é uma canção incrivelmente f*da, mas acho que não tem quem tire de HUMBLE aqui também.
- Best Rap/Sung Performance: Quem o Grammy gosta mais: Kendrick e Rihanna ou Jay-Z e Beyoncé? Pois é, eu também vou de Family Feud.
- Best Rap Album: Kendrick Lamar - DAMN. Jay-Z é o mais indicado na história da categoria, mas só venceu 1 vez e em 1999, não quero ele quebrando esse jejum não.

- COUNTRY
- Best Country Performance: Chris Stapleton - Either Way, mas Miranda Lamber pode vencer.
- Best Country Song: A canção de Miranda é muito melhor, mas acho que Better Man vence, dando mais um Grammy para Taylor Swift.
- Best Country Duo/Group Performance: Little Big Town - Better Man.
- Best Country Album: Chris Stapleton - From a Room: Vol. 1 e merece porque é um dos poucos artistas masculinos do gênero a ser realmente interessante.

- OUTROS
- Best Music Video: Kendrick Lamar - HUMBLE. Porém, o clipe de Story of O.J. é um arraso.
- Best Song Written for Visual Media: City of Stars - La La Land, tem muita gente acreditando em Swift, mas se tiver upset será de Lin-Manuel Miranda.
- Best Musical Theater Album: Nem Bette Midler vai parar Dear Evan Hansen.



segunda-feira, 22 de janeiro de 2018

As melhores produções da telinha em 2017


De primeiro eu pensei em fazer um top só com séries americanas, mas a televisão está em uma era tão boa e tão abrangente que eu decidi incluir tudo que foi bom na tv em 2017 e nisso tivemos um reality show dando um grande twist em sua finale e até uma novela das nove caindo, depois de ano, nas graças do público. Tivemos minisséries incríveis, séries que entregaram grandes estreias, novas temporadas ainda melhores que as outras e a também um dos melhores finais que eu já vi. Sem muitas delongas, essas são as produções feitas para a televisão que eu vi e realmente ficaram guardadas no meu coração.


10. A Força do Querer (Rede Globo) - Sim, é novela das nove no top da tv porque novela é uma delicia quando bem feita e, depois de eras, Glória Perez e o horário das nove finalmente entregaram algo que, acima de tudo, excitava o espectador em esperar o dia todo para acompanhar a jornada de Bibi. Depois de algumas novelas mequetrefes no currículo, Glória Perez escreveu sua melhor trama em toda a carreira, fazendo de Juliana Paes uma atriz com A maiúsculo e trazendo tramas como vício e transexualidade para a sala da família brasileira. Apostando em uma protagonista dúbia ao invés de uma mocinha clássica, Bibi acabou caindo no gosto popular por ser um ser humano por completo, capaz de acertar, errar e, sobretudo, se reerguer. O elenco quase todo brilhou pela capacidade de Perez em fazer um feijão com arroz delicioso, de Carol Duarte como o trans Ivan, Paolla Oliveira como a determinada Jeiza, a psicopata meio perdida de Débora Falabella ou a viciada em jogatina de Lilia Cabral. E sim, foi uma novela de uma mulher totalmente dominada por atrizes em seus auges, um presente incrível de Glória para a teledramaturgia brasileira. Brava!


9. Mindhunter (Season 1) (Netflix) - A temporada de estreia desse thriller americano teve uma das mais interessantes crescentes do ano, a forma como a cada episódio o jogo psicológico totalmente encrustado na mente dos assassinos entrevistados pelos policiais, liderados pelo excelente Jonathan Groff, ia afetando aqueles personagens culminando numa última cena incrível dessa temporada foi o que me cativou desde o piloto. David Fincher é, talvez, o grande nome do gênero nas últimas décadas e assim como em seus filmes do mesmo, a série prefere focar no porque aquilo aconteceu do que necessariamente como aconteceu, isso é ainda mais perturbador do que você pode esperar, gerando cenas incrivelmente tensas como a conversa com o assassino Ed Kemper nos primeiros episódios da série.


8. RuPaul's Drag Race (Season 9) (Logo/VH1) - No apogeu de seu sucesso com a ressurreição da arte drag, a última temporada de RuPaul teve um de seus melhores elencos, repleto de drag queens com estilo diferentes e que tiveram seus talentos explorados das mais diversas maneiras. Porém, como um dos grandes atrativos do programa era o momento de eliminação em que duas Drags faziam um ''lipsync'' para ver quem sobreviveria foi se transformando em um marasmo de performances sem vida, a produção do programa resolveu criar O twist de todas as temporadas de RuPaul. A final não seria só uma conversinha qualquer com três finais gravados como anteriormente era feita, mas sim foi transformada em uma verdadeira batalha de dublagem que decidiu, por fim, a próxima super estrela drag. Eu acho que foi justo? Não #SheaCouléetruewinner. Mas foi incrivelmente inventivo? Sem dúvidas. Ah, e nada de máscaras, viu mores? Valentina aprendeu da pior forma essa regra rs.


7. Stranger Things (Season 2) (Netflix) - A primeira temporada de Stranger Things foi um absoluto fenômeno, em um fim de semana parece que o mundo todo tinha assistido e se apaixonado pelas crianças mais incríveis da televisão e o mundo do ''upside down'' já nascia como um clássico da tv americana. E ai, como fazer uma temporada tão incrível quanto e conseguir justificar esse hype todo? Por incrível que pareça, Stranger Things conseguiu. Antes de tudo, a primeira temporada era muito mais uma forma de homenagear a época/gênero ali retratado do que necessariamente um poço de originalidade, mas de qualquer forma, era realmente muito boa. Nessa nova jornada vemos a série criando raízes próprias e uma mitologia ainda mais definida no que se trata desse mal maior que assola a pequena cidade de Hawkins. A série decidiu ir além de Millie Bobby Brown e conseguiu fazer mais personagens brilharem com tramas muito bem delineadas, caso de David Harbour como o detetive Jim Hooper sendo o grande destaque da temporada, mas Noah Schnapp não ficou muito atrás como o perturbado Will. Os criadores prometem que a série não durará mais que 4 ou 5 temporadas, mas até lá acho que eles tem muito a contar ainda sobre esse incrível pequeno grande mundo.


6. Big Little Lies (Season 1) (HBO) - A minissérie que agora virou, desnecessariamente, uma série sobre várias mulheres de classe A em uma pequena cidade suburbana dos EUA foi a grande sensação da HBO no ano, público e crítica se viu totalmente envolvido com essas rainhas e a resposta é bem simples: a temporada foi realmente uma delícia. O projeto foi vendido como uma forma de thriller, mas chega no quarto episódio e você não sabe nem quem morreu ou quem matou, isso é uma forma do roteiro deixar claro que isso é secundário, que o foco aqui é nessas personagens, quem elas são, o que querem serem, quem elas escondem o que realmente são ou passam e esse ''estudo de personagem'' é viciante. Reese Witherspoon, meu destaque do elenco, subverte totalmente o papel de perua burra com uma Madeline que brilha desde a primeira cena, Nicole Kidman tem um desenvolvimento muito bem feito de uma mulher que precisa aguentar muita coisa na vida para salvar seu casamento, e é responsável pela cena com a melhor atuação da tv em 2017, e Shailene Woodley surpreende positivamente como uma mãe bem jovem que precisa lidar com algo de seu passado que a perturba até hoje. O elenco ainda tem uma histericamente maravilhosa Laura Dern, um interessante Alexander Skaarsgard e várias pequenas pontas muito apetitosas. Um dos problemas da série era justamente a direção de Jean Marc-Vallée, mas como a maravilhosa Andrea Arnold irá dirigir a segunda temporada, fico até menos cético do que ainda precisamos saber sobre todos esses personagens. Bem, agora é esperar, não é mesmo?


5. The Crown (Season 2) (Netflix) - Uma série sobre os primeiros anos de reinado da Rainha Elizabeth II? Anos 50? Gente, quais as chances de isso ser realmente interessante? Acredito, eu também fui cético e acabei recebendo a melhor temporada de uma série do ano passado. Nesse ano, não foi diferente, e esses mais dez episódios sobre Elizabeth II foram tão ou mais maravilhosos que os primeiros. Agora nós já estamos acostumados com esses personagens, suas visões, anseios, e, principalmente, suas limitações. O elenco, liderado por uma brilhante Claire Foy, também está ainda mais perfeito com seus personagens reais do que antes, e mesmo que a presença de John Lightow como Churchill seja sentida, momentos como o famoso retrato da Princesa Margaret, a revelação nazista de um membro da família real e a visita de Jackie Kennedy são mais que suficientes para prender o espectador desde o começo da temporada. É esperado que a série dure seis temporadas e eu mal posso esperar pra acompanhar de pertinho essa família que é muito unida, mas também muito ouriçada.


4. Master of None (Season 2) (Netflix) - O humor de Aziz Ansari não é, necessariamente, para todos, mas se você assiste a primeira temporada, já ótima, de Master of None, com certeza deve ter ficado enlouquecido com a irretocável segunda temporada. A série já volta com um episódio homenageando Vittorio De Sica, dai em diante temos episódios que discutem religião, relacionamentos líquidos, sexualidade e, o melhor de todos, a interligação entre vários seres humanos na movimentada New York. É uma visão bem moderna de encarar os grandes dilemas da atualidade com muito bom humor e sagacidade, e Ansari junto de seu time de roteiristas faz isso com uma qualidade de dar inveja. Um dos meus episódios favoritos da temporada, o de Ação de Graças, é um dos melhores roteiros sobre o lidar com sexualidade na família que eu já vi, realmente incrível.


3. Feud: Bette vs. Joan (Season 1) (FX) - Se eu te contasse que Ryan Murphy ia fazer uma série sobre a rivalidade de Bette Davis com Joan Crawford, com certeza você pensaria que seria uma série sobre rivalidade feminina recheada de ''fatos engraçados'' da época, certo? Certo. Porém, além dessa análise bem superficial de ''Feud'', a série mostra não só a rivalidade, mas como e porque ela é criada, e ela vai muito além, ela examina como o sistema tratava as mulheres antigamente e constata que muita coisa ainda nem mudou. As duas protagonistas estão em estado de graça, Jessica Lange é uma excelente Joan Crawford e tem momentos de corta o coração, mas Susan Sarandon É Bette Davis em cena e consegue chamar a atenção para si, como Davis com certeza o faria, em todas as cenas que aparece. O elenco de apoio está um arraso e a direção da série é outro destaque, o episódio fatídico do Oscar perdido por Bette Davis é magistralmente dirigido pelo próprio Murphy e possuí um plano sequência de deixar qualquer um babando pelos bastidores da premiação mais badalada do mundo.


2. The Handmaid's Tale (Season 1) (Hulu) - A melhor estreia de 2017, ''The Handmaid's Tale'' é uma série aterrorizante sobre uma ditadura teocrática dominando os Estados Unidos e tomando do e o poder toda e qualquer minoria. Nisso, o foco da série são nas ''Aias'', as únicas mulheres ainda capazes de darem luz no país que são obrigadas a uma escravização sexual perturbadora. Essa também é a palavra para descrever todo o ambiente que está inserida Offred, uma mulher que teve tudo tomada e agora precisa tomar coragem para tentar reverter o seu quadro, e por que não, o de todxs ali. Offred é defendida ferozmente pela melhor atuação da televisão em 2017, uma Elisabeth Moss que deixa qualquer pessoa de queixo aberto em qualquer episódio da série, mas o elenco todo está ótimo em cena, com destaque para Alexis Bledel que arrasa sem falar um ''a'' sequer e uma Yvonne Strahovski subestimada como uma mulher traída duplamente pelo seu marido. ''The Handmaid's Tale'' é a série que precisamos hoje, e além de qualquer discurso, é uma série incrivelmente bem feita em todos os aspectos imagináveis. É, realmente, uma puta estreia e espero que o futuro da série consiga manter a qualidade. Under His Eye. May the Lord Open.


1. The Leftovers (Season 3) (HBO) - Eu queria já começar falando que ''Leftovers'' deve ser a melhor série dessa década, e quem discordar, favor assistir de novo. Simples assim, a obra-prima de Damon Lindelof e Tom Perrota conseguiu em pouco menos de 30 episódios contar uma das histórias mais originalmente incríveis e bem feitas que a televisão já viu. Partindo do pressuposto de fé, a série conduziu lindamente cada de um de seus personagens em caminhos impensáveis de forma brilhante. Foram três temporadas onde Kevin, Nora, Laurie, Matt e demais se viam em diversas provações nessa coisa tão difícil que chamamos de vida. ''Leftovers'' conseguia ser inventiva até quando podia ser lugar comum, jamais esquecerei da conversa de Patti e Kevin no poço em como ela usava um programa de teve para fazer uma analogia sobre seu medo de mudança ao invés de um monólogo verborrágico como várias outras séries o fariam. A última temporada conseguiu a proeza de fazer episódios de total excelência e entregou um final que deixou até os mais fervorosos fãs com o coração na mão e as lágrimas nos olhos. É surreal, é sublime, é o que de melhor a tv pode oferece. E aliás, falando nisso, queria deixar meu obrigado a Carrie Coon, obrigado por existir Nora, você é de outro mundo.



















segunda-feira, 8 de janeiro de 2018

Os (melhores) álbuns de 2017


Não se deixe enganar pela foto acima, não vai ter Arcade Fire na lista de melhores do ano. E não, nem achei o cd ruim como a maioria, ''Everything Now'' é mais uma reinvenção da melhor banda da atualidade que, aparentemente, não foi bem aceita pelos fãs, mas que eu realmente gostei não só da sonoridade, mas da abordagem do consumismo elevado no mundo contemporâneo. Outras voltas após longos hiatos também sofreram com aceitação de crítica e público, entre eles está o novo trabalho de Miley Cyrus, ''Younger Now'', um álbum com uma alma pop, mas uma modelagem do country contemporâneo que no final acaba sendo um bom trabalho por parte de uma das artistas mais interessantes do gênero atualmente, destaco a faixa ''Bad Mood'', uma verdadeira preciosidade. Laura Marling continua com suas histórias contadas em folk com o belíssimo ''Semper Femina'' e o novo cd de Father John Misty, ''Pure Comedy'', conquistou a todos com as letras mais incríveis do ano sobre tantos e diversos temas. Houveram alguns cd's realmente intragáveis no ano como o novo da Katy Perry, ''Witness'', e alguns bem abaixo da média como o último trabalho de Ed Sheeran, ''divide'', mas isso a gente esquece. Nesse post venho publicar meus cd's favoritos do ano, nem sempre os melhores, mas que de alguma forma me fisgaram. E, claramente, o meu gosto pelo vocal feminino continua, como verão na lista abaixo:


10. Margo Price - All American Made: Mais impressionante do que entregar um novo álbum tão rápido após um dos melhores debuts do ano passado, é o fato que Margo Price fez um segundo cd tão ou mais incrível que seu antecessor. Minha queda pela música mais enraizada é sempre maior quando os vocais femininos entram em jogo (Maren Morris, Miranda Lambert, Gretchen Wilson) e com Price não é diferente, o álbum também trata do dia-a-dia de uma mulher no meio country, assim como na sociedade e tem como um dos destaque ''Pay Gap'', o trabalho dentro do álbum com a crítica mais aberta, mas igualmente poderosa sobre a diferença econômica entre homens e mulheres na atualidade.


9. Kelly Clarkson - Meaning of Life: Eu sempre gostei muito da Kelly e mesmo não sendo muito fã de seus últimos cd's de inéditas, o de natal é muito legal, fui de peito aberto para esse novo trabalho e a surpresa foi assim... total! Clarkson sempre gostou de flertar com outros gêneros além do pop (vide suas parceiras country e sua essência pop-rock), mas eu jamais iria imaginar que um álbum dela teria tanta influência soul/r&b como ''Meaning of Life'', um trabalho que reúne os vocais incríveis da cantora com letras profundas e com real sentido da vida adulta. Uma das faixas mais lindas, ''I Don't Think About You'' é a essência do trabalho, desde os acordes da canção até a forma como Kelly canta seus versos. É lindo, é singelo e muito poderoso.


8. The Killers - Wonderful Wonderful: Durante mais de cinco anos desde ''Battle Born'', o não tão bom e também não tão ruim último cd da banda, Brandon Flowers lançou projetos solos e até se saiu bem neles, mas não demora mais que alguns segundos da faixa título para você ter certeza que a singularidade de The Killers é insubstituível. ''Wonderful Wonderful'' serve como um reflexo do próprio vocalista sobre sua vida, ele vai da auto avaliação pessoal na excelente ''The Man'', passa pelo sofrimento da esposa na melancólica ''Some Kind of Love'' e culmina no bloqueio artístico que ronda a qualquer um da classe em ''Have All the Songs Been Written?'' e, provavelmente, esse conceito é o que torna o trabalho tão conciso, bom e viciante. Eu duvido que você ouça ''Run for Cover'' e não agradeça por esse maravilhoso comeback, mas eu duvido mesmo.


7. Björk - Utopia: A rainha da música alternativa retorna com ''Utopia'', que ele seja estranho, diferente e algo difícil de se ouvir é o mínimo que esperamos da islandesa mais incrível desse planeta, mas como eu costumo falar e ler sempre, poucas pessoas escrevem sobre amor como Björk e nesse cd ela faz muito jus a isso, e aqui ela fala não só sobre amor, mas também sobre falta dele, separação e o lado bom de tudo isso, é um trabalho notável, bastante intrigante e que merece uma ouvida só pela ousadia das sinfonias encontradas no álbum. Em uma das músicas, ''Body Memory'', a cantora fala da forma mais alegre que ela encontrou em seu próprio estilo de mostra que ainda tem muita coisa pra viver em uma canção de basicamente dez minutos. É desafiador, é estranho, é inquietante e recompensador, é 100% Björk!


6. St. Vincent - MASSEDUCTION: Confesso que não conheço todos os trabalhos da cantora anteriores ao álbum de 2014 que a levou a um status mais ''mainstream'', mas somente aquele produto foi suficiente para me cativar pela aspecto quase original na abordagem de gêneros já comumente batidos, nessa volta depois de um bom tempo a jovem Anne Clark mergulha totalmente numa pegada eletrônica que identifica muito o cenário atual nos Estados Unidos, mas com aquele toque ''glam'' que só mesmo ela poderia colocar nos dias de hoje. Em primeiro momento parece que Karen O do Yeah Yeah Yeahs decidiu fazer EDM e esquecer um pouco o rock, mas chegar em ''Pills'' para a imagem de St. Vincent estar 100% impregnada na sua mente. O álbum tem seu auge em ''Young Lover'', uma canção que une o melhor do pop, electro e rock com vocais que chamam muito a atenção, é um arraso do começo ao fim, tal qual o cd todo.


 5. Kelela - Take Me Apart: O R&B mais enraizado vem sumindo dos olhos do grande público já tem alguns anos, ficamos sempre a mercê de uma Beyoncé ou uma Rihanna para termos esse som em grande proporção no meio musical, mas é ao ouvir trabalhos como o de Kelela que fica fácil perder que a qualidade do gênero ainda persiste e certas pedras preciosas como ''Take Me Apart'' surgem todos os anos e quase ninguém realmente ouve com a atenção merecida. Eu mesmo ao ouvir o primeiro single da cantora, ''LMK'', não prestei muita atenção e passei batido, mas com ''Blue Light'' a história foi diferente e rapidamente me vi fisgado por um vocal que lembra muito Ciara e Janet Jackson, mas com uma batida mais macia e assuntos mais íntimos. O cd, aliás, após ouvir com atenção e ler um pouco da entrevista da cantora, conta a história de uma mulher, nesse caso negra, que passa por várias etapas de um relacionamento e os problemas gerados após o mesmo. É original? Não, mas quando bem feito, e aqui é muito, é sempre bem vindo. ''Better'' em especial é uma senhora música.


4. Kesha - Rainbow: Admito, nunca fui fã de Kesha, achava ela uma cantora qualquer, sem personalidade, produzida por terceiros e quase inócua no palco, mas após ouvir seu novo trabalho e levar uns bons tapas na cara, tenho que admitir: que álbum incrível é esse, hein? Por muito pouco o ''Rainbow'' não é meu cd pop favorito do ano, é um álbum que traz uma sonoridade totalmente diferente do esperado, mas letras capazes de fazerem com que você lembre bem qual artista se estar ouvindo. É muito difícil decidir qual a melhor faixa do álbum, ele é um acerto a cada canção e coeso em toda a forma como a cantora retrata os últimos anos da sua vida. Ela dialoga com a própria persona, fala com seus demônis, se reafirma enquanto mulher e decide que a vida merece ser muito bem vivida. É uma experiência enriquecedora ouvir o trabalho de mente aberta, a melhor surpresa do ano, sem dúvidas.


3. SZA - Ctrl: Essa cantora de nome difícil pegou todos desprevenidos no ano de 2017, afirmo sem muita dúvida que seu trabalho é o melhor debut do ano e SZA consegue em ''Ctrl'' sintetizar o gênero ''R&B Contemporâneo'' como poucos artistas os fizeram nos últimos anos. Ela utiliza de vocais e lugares líricos comuns para adentrar em uma batida tão atual que ofende a certos cantores presos as melodias da década passada. O trabalho também envolve muito da vida da artista e a sonoridade é consideravelmente linear, um feito e tanto já que o cd jamais se torna monótono e a cada nova faixa, o encantamento só cresce. Embora, ''The Weekend'' seja a melhor faixa do cd, não tenho como não deixar meu destaque para ''Love Galore'' aqui, o R&B não fica muito melhor que isso.


2. Kendrick Lamar: DAMN.: O único homem a entrar na minha lista, Kendrick Lamar é hoje, talvez, o grande artista da atualidade em se tratando de público e crítica, e sei que comparações não são sempre boas, mas é como se ele fosse o Kanye West da década atual. Convenhamos que Lamar soube gerir muito bem seus trabalhos, se no debut ele falava sobre sua vida desde a infância e em ''To Pimp a Butterfly'' ele foca na questão racial como um todo, no ''DAMN.'' ele mistura ambos em um trabalho ainda mais próximo de uma sonoridade popular, mas sem perder um pingo sequer da sua marca, é algo tão inacreditável que só ouvindo os 3 álbuns em sequência para conseguir processar tudo isso. ''Humble'', seu maior hit na carreira, é também uma das melhores músicas do ano, e um exemplo da qualidade irretocável que Lamar conseguiu chegar atualmente, foda.


1. Lorde - Melodrama: Sem surpresas, o meu álbum número 1 do ano é também o de muitos ao redor do planeta, e não tem como falar o quão certo essas pessoas estão. Antes de tudo queria deixar registrado que eu nunca fui muito com a cara da Lorde, não gosto de ''Royals'', não era fã do álbum e sempre achei ela muito ''estranha''. Tudo mudou com seu segundo cd, lembro da mesma reclamando dos fãs apressados por um novo álbum e ela dizendo que precisava de tempo para fazer algo que era verdadeiro para ela, ao ouvir o ''Melodrama'' fico feliz que ela tirou o tempo que quis para entregar esse trabalho, pois ele é um senhor álbum. O som que a neozelandesa já entrega em ''Pure Heroin'' está bem presente aqui, ela somente aprofunda ainda mais os elementos pop e eletrônicos em questão. Lorde escreve muito e escreve bem, aqui ela continua escrevendo para e sobre ela, mas ela reflete os problemas e dilemas de muitos, a ''relatabilidade'' com toda uma geração é absurdamente crível e viável e em nenhuma canção isso soa falso ou vazio, é, aliás, tão real e forte que chega a doer. Outro álbum cheio de pequenas jóias, a grande canção do ano também se encontra aqui, ''Supercut'' fala sobre o quanto as vezes nós queríamos apenas ter como lembrança a melhor parte de nossos relacionamentos, mas não dá, certo? E em um certo momento a jovem cantora chega a gritar por causa disso, é incrível, é indescritível. Sem mais, ''Melodrama'' é uma Obra-prima.

É isso, que venham mais músicas em 2018 <3




sexta-feira, 29 de dezembro de 2017

Uma noite no Teatro (2017)


Quem me conhece sabe que eu sempre tive um misto de ser relapso com falta de produções que realmente me chamassem atenção no âmbito do teatro, felizmente isso mudou significantemente no ano de 2017 e consegui ver um total de 17 produções dentre nacionais, internacionais, drama, comédia, musical, monólogos e assim vai. Foi uma experiência muito incrível que me abriu ainda mais os olhos para um tipo de arte que vem se tornando cada vez menos, infelizmente, difundida entre as pessoas. Se tem um objetivo que eu quero levar pra 2018 é justamente ver ainda mais produções teatrais dos mais variados tipos, pois, ao apagar das luzes de um teatro, um novo mundo surge perante os seus olhos e a sensação... ela é indescritível. Tendo isso em mente, esse é meu top 5 de experiências teatrais do ano:


5. Harry Potter and the Cursed Child (Peça, Original, 2016, Londres)

Qualquer pessoa que tenha lido o texto erroneamente lançado como ''livro'' da peça sabe que existem muitas decisões erradas na trama, que incluem um twist difícil de engolir e a utilização de viagem no tempo como mote principal da mesma, mas essas mesmas pessoas leram esse livro porque, de alguma forma, elas tem alguma conexão com o mundo de Harry Potter e poder ver isso no palco é algo que puxa toda a sua infância/adolescência da melhor forma. Poder ver num futuro não tão distante não só Harry, Rony e Hermione, mas seus filhos em mais uma aventura no mundo bruxo me fisgou tão rapidamente quanto eu odiei quando li o ''livro''. É uma experiência visual muito bem trabalhada cheia de ''easter eggs'' e onde você sente o preço, nada barato, pago para poder ver a produção. O que acaba sendo engraçado é que os grandes momentos da peça, assim como da saga, são os que sempre envolvem dois ou três personagens sem grandes piruetas por trás, apenas exercendo essa coisa linda de amor e amizade tão pregada pelo mundo mágico que foi o que nos cativou lá no primeiro livro, e nisso, o elenco é formado por pessoas maravilhosas onde cada ator encaixa como uma luva em seus personagens (amém Anthony Boyle) e faz tudo isso vir a tona da forma mais mágica possível.



4. Avelha (Peça, Original, 2017, Maceió)

O que dá na cabeça de um ator em se prestar a ficar sozinho em um palco durante um tempo enorme contando uma história sem ajuda de mais ninguém? Era sempre o que me vinha a mente quando alguém falava em um ''monólogo'', mas ao assistir a atriz Ivana Iza em cena nessa simples, mas intensa história sobre vida, memória e afeto, tive certeza que não só é algo muito corajoso, mas essencial para a experiência do artista, e também da plateia. Em pouco mais de sessenta minutos, o público é deixado convivendo com alguém que fala com samambaias e é fissurada em brigadeiros, ou na dúvida se come eles, e é tempo mais que suficiente para repensarmos um pouco do que achamos sobre a velhice, ou pior, o que esperamos da mesma para nós, e tudo aquilo que deixamos para trás até então.


3. Tom na Fazenda (Peça, Primeira montagem brasileira, 2017, Rio de Janeiro)

Tendo visto o filme dirigido por Xavier Dolan uns anos antes, eu achava que não seria capaz de me surpreender com essa adaptação da peça canadense de Michael Marc Bouchard, mas que engano eu cometi. A montagem, intimista e forte, tem como cenário apenas algumas lonas e baldes, mas é o suficiente para te tragar em uma história que envolve dor, raiva, romance e um terror no ponto certo para você terminar a sessão aplaudindo de pé com a maior felicidade do mundo. O texto é de um primor absurdo, mas o teatro é a casa do ator e os 3 atores que ficam mais em cena, existe uma quarta atriz, mas ela fica pouco tempo no palco mesmo sendo ótima, estão nada menos que viscerais em seus papéis, entregues de corpo, um corpo muito sujo, diga-se, e alma, e eles exalam a alma em cada novo momento apresentado no palco. Porém, não destacar o trabalho de Kelzy Ecard como a mãe do jovem morto seria um erro crucial visto que sua presença é daquelas coisas inenarráveis, sempre indo a fundo na dor e mágoa que circula a todos nesse momento tão triste que é a morte, e as memórias que levamos, de um ente querido.


2. Dreamgirls (Musical, Original, 2016, Londres)

Não existe gênero em arte que me chame mais atenção que o musical, pode ser na telona, na telinha ou no palco, a capacidade de conseguir desenvolver tramas, personagens, enfim, de contar uma história através de músicas, algo tão universal, é algo que eu sempre irei venerar e, quando possível, conferir. Imagina o quão imensurável foi o prazer de ver como primeiro musical no teatro uma produção luxuosa do nível dessa primeira montagem de Dreamgirls em Londres? Pois é, não tem como por em palavras, mas vou tentar o meu melhor. A direção do Casey Nicholaw (The Book of Mormon, Aladdin) é primorosa, mas de grande proporção, cada luz no lugar certo, cada cabelo e roupa cheia de paetê revivendo aquela era de décadas atrás, não tem o que se criticar em valores de produção aqui. O musical tem um ritmo incrível, ele nunca cessa em emoções e nada disso seria possível sem a presença aterradora de Amber Riley. Quem conhece essa mulher de Glee, jamais seria capaz de esperar o que ela entrega como Effie White em nível de atuação, comicidade e canto... como ela canta! A sua rendição de ''And I Am Telling You'' fecha o primeiro ato do musical e, literalmente, trás o teatro abaixo, é assustador, poderoso e, totalmente, emocionante, assim como a produção em si.


1. Angels in America (Peça, Remontagem, 2017, Londres)

Se eu tinha qualquer dúvida que sorte é algo existente, depois de ter marcado a viagem para Londres e terem anunciado que uma remontagem da peça que mais amo em toda a vida estaria em cartaz exatamente na mesma época, eu não tenho mais nenhum resquício de que em momentos da vida a sorte é uma cartada real. E além de sorte, eu senti muita gratidão. Gratidão por poder presenciar por quase 8 horas em um dia o texto que é a própria definição de obra-prima teatral liderada por atores com A maiúsculo e uma direção tão brilhante que ofendia tamanha a genialidade. ''Angels in America'' é um dos textos definitivos do teatro americano moderno, provavelmente o mais importante das últimas 3 ou 4 décadas e pelo assunto (gays, anos 80, AIDS, Reagan) e tempo de duração (são duas partes de quase 4 horas cada) é difícil de ser reproduzida nos dias de hoje, tanto que é a primeira remontagem em mais de 20 anos após a estreia da produção original. A direção da incrível Marianne Eliott entrega cada momento pulsante da peça do lendário Tony Kushner como um soco no nosso estômago e nesse longo, mas no fim das contas curto, tempo que passamos com Prior, Louis, Harper e os demais personagens, vemos um momento tão crucial da vida da comunidade LGBTQ+ e como isso afeta a mesma até hoje, é incrivelmente poderoso e cada luz neon empregada no palco tem uma força muito singular para ajudar a contar aquela história. E falando nisso, o que dizer de um elenco que tem Nathan Lane e ele não é o melhor em cena? Não se enganem, Lane está não menos que excelente, mas é Denise Gough e Andrew Garfield que roubam o show, dilaceram seu coração e te deixam sem palavras ao fim de seus momentos na peça. Garfield, em especial, foi a grande atuação teatral que vi no ano, redefinindo totalmente o Prior que conhecemos e habitando o personagem do inicio ao fim. Aliás, não é a grande atuação que vi no ano, é uma das grandes atuações da vida. E isso se equivale a produção da peça como um todo, que marcou meu último dia em Londres, peguei meu trem com o coração apertado, pensativo e sabendo que tinha vivido não só uma noite, mas um dia todo, totalmente inesquecível nesse ambiente tão único que é o teatro.






sábado, 25 de fevereiro de 2017

Oscar 2017: Palpites, desejos e um pouco mais sobre a maior festa do cinema mundial





O Academy Awards, comumente conhecido como Oscar, ocorre amanhã e para, não, variar, aqui estão minhas apostas em quem deve vencer, quem deveria e um comentário ou outro sobre todas as categorias da premiação. A maior dúvida sobre amanhã é quantos Oscars vão ser entregues ao baladíssimo musical ''La La Land'', que empatou com ''Titanic'' e ''A Malvada'' em indicações (14) e tem muitas chances de bater o recorde que outros três filmes dividem em número de vitórias(''Ben Hur'', ''Titanic'' e ''O Senhor dos Anéis: O Retorno do Rei'', todos com 11 estatuetas), menos de 6 estatuetas é impossível, mas além disso, é cada um por si.

- MELHOR FILME:

A Chegada (Arrival)
A Qualquer Custo (Hell or High Water)
Até o Último Homem (Hacksaw Ridge)
Estrelas Além do Tempo (Hidden Figures)
La La Land
Lion 
Manchester a Beira-Mar (Manchester by the Sea)
Moonlight
Um Limite entre Nós (Fences)




QUEM VENCE: ''La La Land'' vencendo é uma grande barbada da noite, o filme tem muitos dos elementos que Hollywood mais gosta: musical, situado em Los Angeles e que faz referência a um cinema antigo. O filme vem com vitória em basicamente todos os sindicatos (incluindo de produtores e diretores, os que importam), Globo de Ouro e BAFTA, se alguém pode fazer uma ameaça é o filme sobre mulheres negras matemáticas, ''Hidden Figures'', que ganhou o sindicato de atores e está fazendo rios de dinheiro, mas duvido que seja uma ameaça ao excelente trabalho de Chazelle.

QUEM DEVERIA VENCER: Tendo visto oito dos noves indicados, não vi Fences, uma vitória de ''La La Land'', ''Manchester by the Sea'' ou ''Moonlight'' seriam as mais acertadas da vida da Academia, pelo meu amor pessoal ao gênero acabo torcendo mesmo pela consagração do musical mais famoso dos últimos tempos da última semana.

QUEM DEVERIA ESTAR AI: Por mais que eu tenha, realmente, gostado muito da seleção desse ano, filmes como ''Hacksaw Ridge'', ''Hidden Figures'' e ''Lion'' poderiam ter dado lugar a filmes bem superiores como ''Jackie'', ''20th Century Women'', o estrangeiro ''Elle'' e também ao documentário ''O.J.: Made in America''.

- MELHOR DIRETOR:

Denis Villeneuve, A Chegada (Arrival)
Mel Gibson, Até O Último Homem (Hacksaw Ridge) 
Damien Chazelle, La La Land
Barry Jenkins, Moonlight
Kenneth Lonergan, Manchester a Beira-Mar (Manchester by the Sea)




QUEM VENCE: Mais barbada que o próprio filme, a vitória do jovem Chazelle, ele se tornará o mais novo vencedor da categoria (32 anos), é uma certeza absoluta. Ganhador de, basicamente, todos os grandes prêmios de direção da temporada, Chazelle simplesmente não tem concorrência.

QUEM DEVERIA VENCER: Assim como em filme, os trabalhos de Chazelle, Jenkins e Lonergan são igualmente grandiosos nos seus longas, cada um atingindo um certo ápice nos gêneros e formas abordadas, mas ver Chazelle batendo um recorde tão novo é algo que vai ser lindo.

QUEM DEVERIA ESTAR AI: Gosto da forma como Gibson filma a guerra em seu filme, mas seu olhar quase ufanista e piegamente católico prejudica as demais partes de seu filme e, embora eu ame, também tiraria o canadense Villeneuve para colocar no lugar Pablo Larrain (Jackie) e Paul Verhoeven (Elle).

- MELHOR ATOR

Casey Affleck, Manchester a Beira-Mar (Manchester by the Sea)
Andrew Garfield, Até o Último Homem (Hacksaw Ridge)
Ryan Gosling, La La Land
Viggo Mortensen, Capitão Fantástico
Denzel Washington, Um Limite entre Nós (Fences)




 QUEM VENCE: Na maior corrida da noite, a briga entre Casey Affleck contra Denzel Washington é épica. Affleck foi o queridinho absoluto da crítica, venceu o Globo de Ouro, BAFTA e tem um filme mais amado que o concorrente, mas Washington é um dos maiores atores vivos, o maior negro (lembram do #OscarSoWhite), uma atuação claramente mais aos moldes do prêmio e fez o maior lobby da temporada. Depois de muito analisar, acho que Denzel vai sair vitorioso e entrar no hall de apenas mais 5 atores (Walter Brennan, Ingrid Bergman, Jack Nicholson, Meryl Streep e Daniel Day-Lewis) com três estatuetas vencidas. 

QUEM DEVERIA VENCER: Não vi Washington, mas é muito difícil que algum outro protagonista masculino tenha concebido uma performance do nível de Affleck, que trabalha da forma mais sútil e econômica um personagem tão danificado por uma tragédia indescrítivel.

QUEM DEVERIA ESTAR AI: Eu sou apaixonado pelas 4 performances vistas, mas creio que a presença de Joel Edgerton (Loving) seria muito bem vinda, mas entre Gosling e Mortensen, fica difícil decidir qual deveria sair.

- MELHOR ATRIZ

Isabelle Huppert, Elle
Ruth Negga, Loving
Natalie Portman, Jackie
Emma Stone, La La Land
Meryl Streep, Florence Foster Jenkins



QUEM VENCE: Se tem uma coisa que o Oscar simplesmente ama é premiar atrizes jovens e populares, e nesse ano a vez chegou para a jovem Stone, que vem com todos os prêmios importantes na bagagem, a força de um filme que promete varrer tudo, uma personagem que é uma dádiva e uma atuação que surpreendeu até os mais descrentes dessa ruiva tão amada. Existe um burburinho que a francesa Huppert tem chances de vencer, mas seria demais acreditar nessa troca por parte da Academia.

QUEM DEVERIA VENCER: A seleção é composta por 4 excelentes performances e também por Meryl Streep, eu pessoalmente acho que Huppert, Portman e Stone são dignas de Oscar, mas a lenda viva Isabelle Huppert está um passo acima de qualquer outra atriz que eu vi do ano passado. O trabalho de Huppert em ''Elle'' é superlativo, fazendo o impossível em tela como a implacável Michelle Léblanc, uma atuação para toda vida, sem dúvidas.

QUEM DEVERIA ESTAR AI: Eu poderia citar inúmeras atrizes superiores a Streep, e vou: Annette Bening (Mulheres do Século 20), Sandra Huller (Toni Erdmann), Amy Adams (A Chegada), Taraji P. Henson (Estrelas Além do Tempo) e até Emily Blunt (A Garota do Trem) mereciam mais a vaga, mas nenhuma delas fez aquele discurso no Globo de Ouro né amigos.

- MELHOR ATOR COADJUVANTE

Mahershala Ali, Moonlight
Jeff Bridges, A Qualquer Custo (Hell or High Water)
Lucas Hedges, Manchester a Beira-Mar (Manchester by the Sea)
Dev Patel, Lion
Michael Shannon, Animais Noturnos




QUEM VENCE: Ali venceu o Critics Choice e o sindicato de Atores (SAG), o Globo de Ouro foi para o esnobado Aaron-Taylor Johnson (que viu seu colega, Shannon, sendo indicado em seu lugar) e o BAFTA (Oscar britânico) resolveu premiar Patel. Pelo amor ao filme, por uma forma até de recompensar seu elenco, pelo discurso magnífico no SAG e também por uma performance que fica no filme mesmo quando sua presença física não mais está lá, eu acredito que Ali vencerá amanhã. Embora muitos apostam que Patel é o segundo lugar, em corridas assim é que surgem vitórias do nada (oi Marcia Gay Harden, oi Coburn) e um veterano como Michael Shannon pode ser a grande vitória surpresa da noite.

QUEM DEVERIA VENCER: Ali merece muito vencer amanhã, não só ele tem umas duas cenas incríveis em Moonlight, mas sua performance/personagem ditam muito qual caminho o filme e Chiron, protagonista do mesmo, vai seguir adiante, é aquele caso de presença sentida por toda a trajetória e isso é muito difícil de se fazer. Lucas Hedges e Michael Shannon também estão excelentes em cena.

QUEM DEVERIA ESTAR AI: Gosto muito de todos, mas Patel é sabotado pelo próprio roteiro e Bridges já fez esse papel antes, então trocaria ambos por Trevante Rhodes e Ashton Sanders de Moonlight ou Ben Foster pelo mesmo filme que Bridges está indicado.

- MELHOR ATRIZ COADJUVANTE

Viola Davis, Um Limite Entre Nós (Fences)
Naomie Harris, Moonlight
Nicole Kidman, Lion
Octavia Spencer, Estrelas Além do Tempo (Hidden Figures)
Michelle Williams, Manchester a Beira-mar (Manchester by the Sea) 




QUEM VENCE: Na vitória mais certa da noite, Viola Davis (a atriz negra mais indicada do Oscar) vencerá o seu tão cobiçado careca dourado depois de coletar a maior parte dos prêmios da crítica, Critics Choice, Globo de Ouro, SAG e BAFTA.

QUEM DEVERIA VENCER: Não vi Viola, mas das 4 demais indicadas a melhor mesmo é Michelle Williams, que em 5 minutos de cena destrói tudo que você chama de coração, mas acredito e confio que Queen Viola está maravilhosa e deve merecer esse Oscar.

QUEM DEVERIA ESTAR AI: Até gosto de Kidman, já Spencer não faz nada em seu filme, mas ambas não deveriam estar indicadas. Para ocupar a vaga de ambas indicaria Hayley Squires (Eu, Daniel Blake) e Greta Gerwig (Mulheres do Século XX), as melhores coadjuvantes que vi da temporada de prêmios.

- DEMAIS CATEGORIAS:

- Melhor Roteiro Original: É Manchester vs La La Land, eu acredito que pela derrota de Affleck, os votos vão se concentrar em Lonergan e ele vai sair vitorioso pelo primoroso roteiro de Manchester by the Sea. 

- Melhor Roteiro Adaptado: Muito difícil que Moonlight perca essa categoria, mas mantenham o olho em Hidden Figures.

- Melhor Animação: Zootopia não perde, mesmo que Kubo ameace.

- Melhor Filme Estrangeiro: Estava tudo certo para Toni Erdmanna se vingar de Cannes e fazer de Maren Ade uma Oscar winner, mas a barragem de iranianos nos EUA por parte de Trump ajudou a campanha de O Apartamento, já que seu diretor, Farhadi, declarou que não irá a cerimônia por causa dessa atitude do presidente americano.

- Melhor Documentário: Com sete horas e trinta minutos, o filme mais longo já indicado em uma categoria do Oscar, a vitória será do excelente O.J.: Made in America, mas se ele dividir votos com outros três indicados que também abordam a questão racial, espere a vitória de Life, Animated, a cara da Academia.

- Melhor Curta de Documentário: Deve ser uma vitória do açucarado Joe's Violin porque a Academia não consegue resistir a algo relacionado ao Holocausto, mas White Helmets teve uma grande campanha do Netflix. Ambos são inferiores ao excelentes Extremis, também do Netflix.

- Melhor Curta de Ficção: Tô apostando em Sing unicamente porque são crianças fofas cantando no coral, mas não vi nenhum deles ainda, porém Timecode é uma ameaça. 

- Melhor Curta de Animação: Vou de Piper porque nunca se deve apostar contra 1) Pixar e 2) animais, mas Pear Cider é bem segundo lugar com cara de spoiler. O melhor de todos é Pearl, que deve ter sido difícil demais para fazer.

- Melhor Trilha Sonora: La La Land, duh!

- Melhor Canção Original: City of Stars, duh², mas Audition merece mais.

 - Melhor Edição de Som: Como já ficou provado que esse pessoal não sabe a diferença entre edição e mixagem, vou acreditar que La La Land também vence esse, se eles pensarem pode dar uma vitória para Hacksaw Ridge.

- Melhor Mixagem de Som: La La Land porque musical não perde aqui.

- Melhor Design de Produção: La La Land que justifica a vitória só pela cena do ''e se...'', mas seria engraçado se Animais Fantásticos vencesse um Oscar, coisa que Harry Potter jamais foi capaz de fazer.

- Melhor Fotografia: La La Land, mas por aquele começo belíssimo, existe uma chance de Lion vencer aqui, mas creio e espero que não.

- Melhor Maquiagem e Cabelo: Star Trek Beyond, d-ls não permita que Esquadrão Suicida vença aqui.

- Melhor Figurino: La La Land, minha vitória mais arriscada do musical vide eles amarem premiar filmes de época, mas quero crer que o trabalho de recriação de Jackie não se sobressaia a originalidade de La La Land.

- Melhor Montagem: A Chegada venceu o sindicato em drama, Hacksaw venceu o BAFTA, mas acho que o trabalho de Tom Cross irá, mais uma vez, ser reconhecido também dará La La Land.

- Melhor Efeitos Visuais: Mogli - O Menino Lobo, mas uma vitória de Rogue One como desculpa pela derrota de Star Wars ano passado não é impossível.

Boa cerimônia a todos e que eu acerte tudo haha!





sábado, 11 de fevereiro de 2017

Grammy 2017




               O Grammy Awards, maior prêmio da música mundial, ocorre amanhã  (12/02) e deverá apresentar uma das melhores corridas dos últimos anos. Adele e Beyoncé vão brigar voto a voto pelo maior prêmio da noite, Álbum do Ano, e até o envelope ser aberto qualquer uma das duas é uma provável vencedora. A noite também deverá ser de vitórias para Drake, Rihanna, Chance the Rapper e Maren Morris. Nesse post vou comentar quem deve vencer as principais categorias e também as de gênero.


ÁLBUM DO ANO

Existem poucas dúvidas que os dois álbuns que mais definiram esse último ciclo do Grammy foram os últimos lançamentos das cantoras Adele (25) e Beyoncé (Lemonade). A tarefa do Grammy agora é escolher entre eles para coroação máxima em sua premiação. Se poder um lado o novo trabalho de Adele chegou quebrando recordes, vendendo que nem água no deserto e com uma primeira música de trabalho já icônica, o cd acaba sendo visto por muitos como um ''21'' (anterior cd da cantora) genérico, e embora eu ache tal afirmação uma afronta já que os temas do álbum são mais diferentes e Adele acaba se aventurando em produções diferentes do que costuma fazer, admito que o cd não tem a mesma força de seu antecessor. Já ''Lemonade'' é, apenas, o maior trabalho da Beyoncé, que conseguiu se superar em todos os aspectos em relação ao seu já excelente trabalho anterior. Beyoncé escreveu um diário sobre um momento tão complicado de sua vida em forma de música e utilizou os mais diversos gêneros musicais para fazer tal feito, então por tamanha ambição (perfeitamente realizada) e por ser uma veterana com status de ''overdue'' (ou seja, que tão devendo a ela) eu acredito que a Academia vai sair da rota comum e premiar Mrs. Carter dessa vez. 

Algumas poucas pessoas acreditam na vitória de A Sailor's Guide to Earth, mas eu acho que seria muita ousadia do Grammy. As indicações do Views e do Purpose já são piadas, uma vitória seria ridículo.

QUEM GANHA: Beyoncé - Lemonade, com Adele muito, muito perto.

RANKING PESSOAL

1° - Beyoncé, Lemonade
2° - Adele, 25
3° - Sturgill Simpson, A Sailor's Guide to Earth
4° - Justin Bieber, Purpose
5° - Drake, Views


GRAVAÇÃO DO ANO

''Hello'' é o tipo de canção icônica que é a cara da categoria, junta isso ao fato de que é um dos maiores hits da década e está selado a vitória, aliás, acho que esse Grammy já estava escrito desde o lançamento da canção lá no final de 2015. ''Formation'' é excelente, mas falta o appeal de grande hit que predomina essa categoria, maldita seja Beyoncé que impediu o lançamento da canção em outras plataformas, ceifando qualquer chance da mesma se tornar um furacão nas paradas musicas. As indicações de ''Work'', ''Stressed Out'' e ''7 Years'' são compreensíveis pelo sucesso de suas músicas e porque, tirando a intragável canção do Lukas Graham, são canções até decentes, mas são completamente encheção de linguiça na categoria.

QUEM GANHA: Adele, Hello (Beyoncé seria um distante segundo lugar)

RANKING PESSOAL

1° Adele, Hello
2° Beyoncé, Formation
3° Twenty-One Pilots, Stressed Out
4° Rihanna (feat. Drake), Work
5° Lukas Graham, 7 Years 


 CANÇÃO DO ANO

 ''Hello'' será mais uma vitória fácil para Adele nessa categoria, a cantora é, claramente, muito reconhecida por ser uma excelente compositora e o trabalho na mesma na canção é um frescor para quem estava acostumado com a dor de corno presente em todas as músicas do seu trabalho anterior. Eu, particularmente, prefiro toda a sagacidade que a Beyoncé e seus compositores impregnam em cada verso de ''Formation'' para falar da questão e orgulho racial, e até acho que ela tem uma chance de vencer aqui, mas coisa mínima. ''Love Yourself'' não é das minhas favoritas do Bieber e, até por ser um dos compositores, a canção tem Ed Sheeran até o talo, o que nem sempre é bom. ''I Took A Pill in Ibiza'', lembrando que é a versão original, foi a maior surpresa das indicações e é até decente, mas é pura figuração, a indicação de ''7 Years'' é a cara do Grammy, mas é a pior da seleção sem dúvidas.

QUEM GANHA: Adele, Hello (diria que Beyoncé um segundo lugar certo e o Lukas Graham um terceiro não tão longe assim)

RANKING PESSOAL

1° Beyoncé, Formation
2° Adele, Hello
3° Justin Bieber, Love Yourself
4° Mike Posner, I Took a Pill in Ibiza
5° Lukas Graham, 7 Years


ARTISTA REVELAÇÃO

Três anos atrás essa mesma categoria tinha entre seus concorrentes um artista pop com vertentes de outro gênero (rap na época, Macklemore & Ryan Lewis), um rapper de verdade e aclamadíssimo (Kendrick Lamar) e uma cantora country queridinha da crítica (Kacey Musgraves) e eu mesmo contra todos, fui com a cantora country como vitoriosa... e errei. Esse ano o cenário se repete com, respectivamente, The Chainsmokers, Chance the Rapper e Maren Morris, e mais uma vez vou bater na tecla country e vejam o porque. A grande maioria está indo no duo de EDM, mas acho que mesmo com Meghan Trainor vencendo ano passado, seria um verdadeiro desastre e acinte ao nome do Grammy premiar o Chainsmokers, artistas que apresentam um trabalho genérico, datado e sem relevância nenhuma que não sejam seus hits instantâneos e completamente enlatados. A outra metade crê na vitória de Chance, o que me deixaria muito feliz, mas precisamos lembrar que rappers negros simplesmente não vencem essa categoria (Bon Iver batendo J. Cole, Maroon 5 vencendo Kanye West) e eu não acho que um artista sem tanto sucesso de público vai quebrar esse ''trending'' que acontece no Grammy. Eu também sei que Morris divide votos country com Kelsea Ballerini, mas eu creio que ela tenha muito mais apoio (mesmo) que Kelsea e vai conseguir reverter isso, afinal ela é a cara da categoria: mulher, cantora-compositora e faz country, um gênero muito mais acessível e respeitado que música eletrônica e rap, posso até errar, mas vou seguir nessa esperança. A indicação de Anderson Paak é maravilhosa, mas ele é completamente ''filler'' na categoria.

QUEM GANHA: Maren Morris (mas Chainsmokers são 2° lugar MUITO perto e Chance fica em 3° não muito longe também)

RANKING PESSOAL

1° Maren Morris
2° Chance the Rapper
3° Anderson Paak
4° Kelsea Ballerini
5° The Chainsmokers

PREVISÕES NAS DEMAIS CATEGORIAS:

- POP

- Best Pop Solo Performance: Adele, Hello.
- Best Pop Duo/Group Performance: Lukas Graham, 7 Years. Porém, Stressed Out corre logo atrás.
- Best Pop Vocal Album: Adele, 25.
- Best Traditional Pop Vocal Album: Depois de 30 anos de abstinência, Barbra Streisand deve finalmente voltar a vencer um Grammy com Encore: Movie Partners Sing Broadway, mas Josh Groban com Stages Live é uma ameaça.

- DANCE/ELETRÔNICA

- Best Dance Recording: Vou de The Chainsmokers com Don't Let Me Down, mas querendo que o Flume derrube eles com Never Be Like You
- Best Eletronic/Dance Album: Flume, Skin.

- ROCK/ALTERNATIVE

- Best Rock Performance: David Bowie, Blackstar. Com Heathens em segundo, mas seria hilário Beyoncé vencer aqui.
- Best Metal Performance: Gojira, Silvera.
- Best Rock Song: David, Bowie, Blackstar.  Heathens também vem na cola aqui.
- Best Rock Album: Weezer, Weezer. Por incrível que pareça, Blink pode ser spoiler aqui.
- Best Alternative Album: David Bowie, Blackstar. Com Radiohead em segundo.

- R&B

- Best R&B Performance: Rihanna - Needed Me, mas um upset de Solange é provável e seria maravilhoso porque ninguém merece essa música da Rihanna.
- Best Traditional R&B Performance: Lalah Hathaway, Angel. Fantasia pode e DEVERIA vencer.
- Best R&B Song: Rihanna - Kiss It Better, porém Maxwell pode e deve vencer pela excelente ''Lake by the Ocean''.
- Best R&B Album: Lalah Hathaway - Live. Com BJ de spoiler, mas Lalah vem ganhando algo todo ano.
- Best Urban Contemporany Album: Beyoncé, Lemonade. duh.

- RAP

- Best Rap Performance: Drake (feat.The Throne aka Jay-Z & Kanye) - Pop Style, mas queria tanto Chance vencendo com No Problems.
- Best Rap Song: Drake, Hotline Bling, que não é nem uma canção de rap, vem pisar Ultralight Beam.
- Best Rap/Sung Performance: Beyoncé feat. Kendrick Lamar, Freedom. Porém, Drake tem muitas chances.
- Best Rap Album: Drake, Views, mas se houver justiça, tem que dar Chance.

- COUNTRY

- Best Country Performance: Maren Morris, My Church. Carrie é sempre uma ameaça aqui.
- Best Country Song: Maren Morris, My Church. Tim McGraw é um runner-up com chances.
- Best Country Duo/Group Performance: Brothers Osborne, 21 Summer. Porém Kenny tem P!nk e Dierks ganhou o CMA, ambos podem vencer.
- Best Country Album: Sturgill Simpson, A Sailor's Guide to Earth. Se alguém bater o indicado a álbum do ano, será Maren.

- OUTROS

- Best Music Video: Beyoncé, Formation.
- Best Song Written for Visual Media: Justin Timberlake, Can't Stop the Feeling. Heathens em segundo.
- Best Musical Theater Album: Waitress, com The Color Purpe em segundo.
- Best Music Film: Beyoncé, Lemonade.